Marsh identifica o principal risco para as empresas portuguesas

A mais recente edição do estudo “A Visão das Empresas Portuguesas sobre os Riscos”, da Marsh, revela as principais ameaças para as empresas portuguesas em 2026.

Margarida Lopes
17 de Abril 2026 | 11:50

Para 53% das organizações os ataques cibernéticos são o riscomais crítico para a sua actividade.

A subida dos riscos digitais ao topo do ranking nacional marca uma mudança relevante face a 2025, ano em que a principal preocupação das empresas era a instabilidade política e social, seguida dos ataques cibernéticos e da retenção de talentos.  Os ataques cibernéticos lideram os riscos em Portugal em 2026 (53%), seguidos da retenção de talentos (42%), dos eventos climáticos extremos (38%), do confronto geoeconómico (37%) e da concorrência e falhas na cadeia de abastecimento (24%);

Este resultado surge num momento em que o ambiente empresarial se torna progressivamente mais complexo e imprevisível, marcado pela intensificação das tensões geopolíticas, pela aceleração da transformação digital e pelo impacto crescente dos eventos climáticos extremos. Num cenário descrito por vários líderes globais como o início de uma “nova ordem mundial”, as empresas portuguesas demonstram uma perceção cada vez mais abrangente dos riscos que enfrentam.

A liderança dos ataques cibernéticos reflecte não só o aumento da frequência e da sofisticação das ameaças – incluindo ransomware, phishing e violações de dados –, mas também a crescente dependência das organizações de infraestruturas tecnológicas. Nos últimos anos, a digitalização acelerada das operações empresariais expôs vulnerabilidades que exigem respostas mais robustas, tanto ao nível do investimento em cibersegurança como da capacitação das equipas. A escassez de talento especializado nesta área surge, aliás, como um fator adicional de risco, dificultando a capacidade de prevenção e de resposta eficaz a incidentes.

Apesar da subida dos riscos tecnológicos, os desafios relacionados com pessoas e ambiente continuam a ocupar posições de destaque. A retenção de talentos mantém-se como o segundo maior risco identificado pelas empresas portuguesas, sendo apontada por 42% dos inquiridos. Num mercado de trabalho cada vez mais competitivo e global, as organizações enfrentam dificuldades crescentes em atrair e reter profissionais qualificados, especialmente em áreas tecnológicas e especializadas. A evolução das expectativas dos colaboradores, nomeadamente em termos de flexibilidade, equilíbrio entre a vida pessoal e profissional e desenvolvimento de carreira, exige novas abordagens à gestão de talento e à cultura organizacional.

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Também os eventos climáticos extremos continuam a afirmar-se como uma preocupação central, sendo identificados por 38% das empresas portuguesas como um risco relevante para 2026. A persistência deste risco reflecte o impacto crescente de fenómenos como incêndios, tempestades, inundações e ondas de calor, que têm vindo a afetar diretamente infraestruturas, cadeias de abastecimento e operações empresariais. À escala global, esta preocupação é ainda mais evidente: os eventos climáticos extremos são apontados por 50% das empresas como o principal risco para 2026.

O estudo evidencia igualmente o peso crescente das dinâmicas geopolíticas na perceção de risco das empresas portuguesas. O confronto geoeconómico, que inclui sanções, tarifas e disputas comerciais entre grandes blocos económicos, é apontado por 37% das organizações, entrando no grupo dos riscos mais relevantes.

Esta tendência acompanha a evolução do contexto internacional, onde as tensões entre potências e a fragmentação das cadeias de valor globais têm gerado maior incerteza e volatilidade. Para as empresas portuguesas, que dependem fortemente do comércio global, estas falhas representam riscos significativos, nomeadamente atrasos, aumento de custos e dificuldades na obtenção de matérias-primas e produtos essenciais. A diversificação de fornecedores e a revisão das estratégias logísticas são, por isso, prioridades para mitigar estes impactos.

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A crescente interdependência das economias torna evidente que os riscos globais têm hoje um impacto directo e imediato no tecido empresarial nacional, exigindo das empresas uma capacidade reforçada de adaptação e de antecipação.

A nível global, na percepção das empresas portuguesas, o estudo revela um ambiente de risco cada vez mais diversificado e interligado. A seguir aos eventos climáticos extremos (50%) e ao confronto geoeconómico (42%), a desinformação surge como um dos principais riscos emergentes, sendo identificada por 31% das empresas.

Este fenómeno, associado à proliferação de conteúdos falsos e à manipulação da informação, representa um desafio crescente para as organizações, com impacto directo na reputação, na confiança dos consumidores e na estabilidade dos mercados. A sua entrada no top dos riscos evidencia uma mudança significativa na natureza das ameaças, que passam a incluir dimensões sociais e informacionais cada vez mais relevantes.

«A análise da evolução dos últimos anos evidencia que as empresas portuguesas estão hoje mais conscientes da complexidade e da interdependência dos riscos que enfrentam. No entanto, essa mesma complexidade traduz-se também num aumento da exposição e na necessidade de respostas mais integradas. Num ambiente marcado por mudanças rápidas, transformação tecnológica e incerteza global, a gestão de risco assume um papel cada vez mais estratégico. A capacidade de antecipar cenários, investir em inovação e desenvolver uma cultura de risco será determinante para garantir a sustentabilidade e a competitividade no médio e no longo prazo», afirma Fernando Chaves, Risk specialist da Marsh Risk Portugal.

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