Estes três factores são essenciais para o desenvolvimento de Portugal

Foi durante o webinar «A Step Into the Future» promovido pelo Jornal Económico e pela Huawei que Rogério Carapuça, presidente da APDC, alertou que «há cada vez há menos países periféricos no que respeita à geografia, mas vai haver países periféricos na nova ordem geoestratégica mundial. Serão todos aqueles que não têm acesso ao capital, não têm infraestruturas de qualidade, não têm população qualificada e acesso ao conhecimento e não têm um ecossistema de inovação forte. E este é um problema para Portugal.»

 

Rogério Carapuça considera que Portugal tem poucas empresas e pessoas com capacidade financeira, assim como poucos grupos económicos fortes. Perante esta «grande falta de capital para investir», o caminho é «recorrer ao investimento estrangeiro, de uma forma sistemática, que não dependa dos governos. Ou seja, ter o capital estrangeiro como um aliado do nosso desenvolvimento, o que implica ter políticas amigas do capital e não contra eles».

Acresce o facto de o país, apesar de contar com infraestruturas de qualidade, ter poucos recursos naturais, ser um território pequeno e com uma população ainda sem qualificações a um nível desejável. A necessidade de «fortalecer o nosso ecossistema de inovação e de dar apoio para que os negócios tenham espaço para se desenvolve terá de ser outra prioridade.

O líder da APDC sublinha: «não podemos perder a batalha da comunicação internacional, nesta altura tão decisiva. Todo o nosso ecossistema de inovação tem de ser fortalecido e tem de se investir mais no sistema científico e tecnológico e na qualificação das pessoas». Só desta forma se poderá garantir a atracção de capital estrangeiro, evitando que o país «não se transforme num país periférico nesta nova geopolítica mundial».

No momento em que se está a acelerar o processo de transformação, porque na sequência da pandemia se passou a reconhecer que «a sobrevivência dos negócios depende fortemente dos meios digitais e nada será como era em Janeiro», o gestor defende que «como regra geral, tudo o que é transacional deveria ser possível fazer por meios digitais». Mas há ainda muito por fazer, seja na Administração Pública, seja nas empresas ou nas pessoas, considerou.

Também Helena Pereira, presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), garantiu que a transformação digital acelerada que ocorreu durante o período de confinamento demonstrou que Portugal tinha os conhecimentos e as ferramentas básicas para a fazer. E que as pessoas e as organizações estavam capacitadas, mesmo que ainda não se tivessem apercebido disso.

A responsável defendeu que há que garantir que existe conhecimento, mas também condições para o aplicar. E é aqui que entra a inovação, a ligação às empresas e ao tecido social. Essencial é também captar e reter cientistas e manter a investigação, porque só assim se poderão rapidamente os conhecimentos.

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