Estima-se que quebra na venda de bebidas espirituosas no canal HORECA em 2020 tenha sido de 70%

Margarida Lopes
17 de Março 2021 | 16:53

Entre Janeiro e Agosto do ano passado, o sector das bebidas espirituosas em Portugal sofreu uma quebra na ordem dos 35%, no canal HORECA (on-trade), em que se inserem restaurantes, bares, discotecas, cafés e hotéis, e estima que até ao final do ano passado esse valor tenha disparado para cerca de 70%. O valor é apurado no estudo realizado pela consultora EY, para a ANEBE, Associação Nacional das Empresas de Bebidas Espirituosas.

 

Por outro lado, registou-se um ligeiro aumento de 6% no canal off-trade, dos hipermercados e outras lojas de comércio, sendo que esse crescimento foi alavancado, sobretudo, pelo comércio eletrónico, das vendas online.

O estudo também prevê que entre Agosto e Dezembro de 2020 esse número tenha aumentado para 8% no off-trade. Estas mudanças no comportamento dos consumidores, provocadas pela COVID-19, prevê-se que sejam duradouras, com o canal HORECA a poder ser impactado nos próximos cinco anos.

Estes e outros dados do estudo foram objecto de análise no webinar “O impacto da pandemia no sector e na cadeia de valor”, promovido esta pela ANEBE e que juntou o secretário de Estado adjunto e da Economia, João Neves; o secretário-geral da ANEBE, João Vargas e Amílcar Nunes, Associate partner da EY.

Continue a ler após a publicidade

O secretário de Estado adjunto e da Economia, João Neves, reconheceu que «este é claramente um dos sectores em que os efeitos da pandemia são mais fortes, e que é a base de diversas actividades económicas». E reconheceu, também, a capacidade de resiliência destas empresas, antecipando alguma recuperação para o segundo trimestre do ano, embora admita os tempos difíceis que actualmente atravessam.

Os resultados deste estudo reforçam ainda a preocupação da Associação de Empresas de Bebidas Espirituosas, tendo também em conta que têm um maior impacto nas PME’S. Mas mesmo num contexto de grande adversidade, o sector tem demonstrado uma forte capacidade de resiliência e 2020 foi um ano em que várias empresas deram os primeiros passos nos mercados externos e no comércio electrónico.

João Vargas, secretário-geral da Associação salientou que «o estudo revela os nossos piores receios, claramente somos um sector em que a pandemia teve um impacto preocupante. Não apenas pelo fim do ciclo de crescimento que estávamos a levar a cabo, mas sobretudo porque as perdas num canal fundamental como o Horeca (on-trade) são bastante elevadas e estimamos que nos últimos meses de 2020, o fecho e os constrangimentos desse canal, tenham afectado em dobro as nossas pequenas e médias destilarias». A nossa preocupação é maior hoje, dado que estamos há cerca de três meses com o canal Horeca fechado, as consequências ainda são imprevisíveis, mas sabemos que, seguramente, serão piores do que no ano passado.»

Continue a ler após a publicidade

«É urgente fazer mais», defende a ANEBE, sendo de resto uma das signatárias do apelo lançado para a constituição urgente de uma task force, a nível europeu, para a definição de um plano de recuperação para o sector da Hospitalidade e para as suas cadeias de valor.

Num apelo lançado recentemente, as associações do sector recordam que os restaurantes, bares, hotéis, cafés e discotecas estão entre os negócios mais afetados pela crise, com repercussões ao longo de toda a cadeia de valor e com impacto em milhões de empregos.

 

Partilhar


Mais Notícias