Estudantes obrigados a ir para Lisboa ou a emigrar para terem melhores oportunidades profissionais

A maioria dos estudantes da Academia do Porto considera que a regionalização é uma resposta necessária ao excessivo centralismo do Estado, por entender que as melhores oportunidades profissionais continuam demasiado concentradas em Lisboa, obrigando muitos jovens a escolher entre a capital e a emigração.

Human Resources
10 de Julho 2026 | 12:49
Estudantes obrigados a ir para Lisboa ou a emigrar para terem melhores oportunidades profissionais

Os dados são do estudo “Centralismo, oportunidades e mobilidade dos jovens portugueses qualificados: perceções, realidades e recomendações”, divulgado pelo Jornal de Notícias.

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De acordo com a publicação, seis em cada dez estudantes apoiam a regionalização, enquanto mais de 90% defendem um aprofundamento da descentralização. Para o presidente da Federação Académica do Porto (FAP), Francisco Porto Fernandes, a diferença explica-se sobretudo pelo desconhecimento que continua a existir em torno do tema, uma vez que apenas 9% dos inquiridos assumem uma posição contrária, ao passo que cerca de um terço admite não ter informação suficiente para formar opinião.

O estudo, que inquiriu estudantes oriundos de diferentes pontos do país, procura perceber de que forma a concentração de investimento, organismos públicos e centros de decisão condiciona os projectos das novas gerações. É nesse contexto que surge uma das conclusões consideradas mais relevantes: a maioria dos jovens mantém uma forte ligação ao território onde vive, mas sente que, para construir uma carreira, tem de abandonar a região de origem em direcção à capital ou ao estrangeiro.

Francisco Porto Fernandes considera que esse é, hoje, o principal problema. «Dói-me encontrar mais colegas da faculdade nos supermercados em Lisboa do que aqui no Porto», confessa, atribuindo essa realidade à concentração das grandes empresas, consultoras, sociedades de advogados e organismos públicos na capital. Na sua perspectiva, o país acabou por criar um modelo em que “os jovens deixam de escolher onde querem viver”, limitando aquilo que designa como o “direito a ficar”.

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