Estudo da Católica-Lisbon revela os verdadeiros motivos por trás da escolha de TVDE como profissão

Tânia Reis
31 de Outubro 2025 | 14:40

Para compreender o perfil e as motivações dos motoristas TVDE em Portugal e clarificar alguns dos mitos que ainda marcam a percepção pública do trabalho em plataformas digitais, a Bolt e o Centro de Estudos Aplicados da Católica-Lisbon levaram a cabo um inquérito junto de 1.034 parceiros da plataforma de mobilidade europeia.

Para 57% dos inquiridos, a flexibilidade horária foi o factor decisivo no momento de decidir trabalhar através de plataformas como a Bolt, enquanto 38% referiram o facto de poderem ser independentes. A grande maioria exerce a profissão a tempo inteiro, com apenas 22% a revelar ter mais do que um trabalho.

Apesar de muitas vezes ser visto como uma actividade precária ou de baixo estatuto, os resultados revelam uma realidade diferente: para a maioria dos condutores, o trabalho em plataformas representa uma escolha consciente, associada à autonomia e à oportunidade de aumentar os seus rendimentos.

Quanto ao impacto financeiro da profissão, 56% dos inquiridos dizem que trabalhar como motoristas TVDE melhorou a sua estabilidade económica, com 60% a ganhar mais de mil euros por mês e metade destes a auferir acima de 1.500 euros. Estes rendimentos têm permitido concretizar investimentos ou despesas de maior dimensão, como habitação (26%), compra de veículo (17%), cuidados de saúde (7%) ou educação (6%).

«O trabalho em plataformas é muitas vezes associado a instabilidade ou falta de qualificações. Este inquérito ajuda a desconstruir esses mitos e a mostrar que estamos perante um sector em crescimento, com pessoas qualificadas, empreendedoras e que valorizam a independência. São, em muitos casos, pioneiros de uma nova economia baseada na flexibilidade e na autonomia», sublinha Rute Xavier, professora na Universidade Católica e coordenadora do inquérito.

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O inquérito mostra ainda que 89% dos motoristas trabalham em mais de uma plataforma e a maioria tem experiência consolidada: 81% exerce esta profissão há mais de um ano e 28% há mais de cinco, o que reforça a ideia de que esta é, para muitos, uma escolha de longo prazo e não uma solução temporária.

O perfil dos motoristas revela um grupo maioritariamente masculino (92%) e experiente: quase 80% têm mais de 40 anos e cerca de um terço possui formação superior. A maioria chegou ao sector vinda de empregos formais (55%) ou do trabalho por conta própria (20%) e vêem nesta actividade uma oportunidade para continuar a desenvolver competências e manter independência profissional.

Entre as competências que os motoristas reconhecem ter desenvolvido ao desempenhar esta profissão, as mais referidas incluem navegação e logística, comunicação e gestão de tempo, seguidas de atendimento ao cliente, literacia digital e financeira.

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Motoristas TVDE não se sentem respeitados pela sociedade

Apesar das motivações pessoais dos motoristas, a grande maioria considera que a população não valoriza a sua profissão. Quando questionados se acham que a sociedade respeita as pessoas que conduzem para plataformas digitais, 67% respondeu que não e apenas 25% respondeu que sim. Entre os principais equívocos que já ouviram sobre a profissão, o mais referido, com 56% de respostas, é que este “não dá rendimento suficiente para garantir um nível de vida decente”.

Segue-se “é apenas para pessoas sem educação”, com 30% das respostas. 19% dos condutores referiram ainda que outros equívocos passam pela falsa noção de haver demasiados estrangeiros a trabalhar, que a profissão não exige certificação, ou que não exige esforço e dedicação para realizarem o seu trabalho.

«Ainda há um longo caminho a percorrer para garantir que o trabalho dos motoristas TVDE seja reconhecido com todo o respeito que merece. São profissionais que cumprem regras exigentes, prestam um serviço essencial e fazem-no com dedicação. Queremos garantir que a percepção pública acompanha esta realidade e valoriza o contributo diário que estes condutores têm para a mobilidade em Portugal», destaca Mário de Morais, responsável de ride-hailing da Bolt em Portugal.

À medida que o sector da mobilidade digital continua a crescer, este inquérito sublinha a necessidade de reforçar o reconhecimento e a valorização do papel dos motoristas TVDE, cuja actividade tem crescido em importância para o funcionamento diário da mobilidade nas cidades portuguesas.

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