Estudo divulgado hoje revela que a maioria dos portugueses não prefere o regime de teletrabalho

Margarida Lopes
26 de Maio 2021 | 17:27

A maioria dos portugueses (60%), mesmo se pudesse optar, não preferia estar sempre em regime de teletrabalho, sendo que os que ocupam cargos de chefia tendem a reforçar esta posição (67%). A conclusão é do estudo “Desafios da Gestão de Pessoas em trabalho remoto 2021” promovido por docentes Universidade Europeia.

 

Apesar da tendência clara pela não preferência exclusiva do regime de teletrabalho, apenas uma reduzida percentagem de participantes se encontra “nada satisfeito” (3%) ou “pouco satisfeito” (13%) com a situação de teletrabalho.

Por outro lado, que a tendência de não preferir estar sempre em teletrabalho se mantenha de 2020 para 2021, verifica-se um aumento na percentagem de indivíduos que preferem permanecer sempre em teletrabalho.

Os resultados do estudo sugerem também uma forte tendência para a adesão ao teletrabalho. No entanto, esta tendência tem vindo a diminuir sendo que, em 2020, 89,6% dos participantes estavam em teletrabalho e, em 2021, registou-se uma diminuição para 80,8%.

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No que concerne às repercussões do teletrabalho para os indivíduos, verifica-se que os participantes consideram que o teletrabalho tende a aumentar os níveis de stress, contribuir para níveis elevados de cansaço e levar a um número excessivo de horas de trabalho. Estes resultados tendem a diferir consoante o género, ter ou não filhos e ocupar ou não cargos de chefia.

Entre 2020 e 2021, verifica-se um aumento significativo na percepção dos participantes de que o teletrabalho tende a contribuir para elevados níveis de cansaço e aumenta os níveis de stress. Por outro lado, registou-se uma diminuição da percepção dos indivíduos sobre os impactos do teletrabalho na promoção de conflitos na relação família-trabalho e na perceção de maior isolamento social.

A maioria dos participantes, se trabalhar em casa, define um horário para o efeito (73%), possui um espaço próprio para trabalhar em casa (77%) e não procura um espaço neutro fora de casa (79%). Os participantes que não exercem um cargo de chefia e as participantes do género feminino tendem a ter mais probabilidades de definir um horário quando estão a trabalhar em casa.

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Os resultados sugerem também que à medida que a idade aumenta, os participantes tendem a definir menos um horário de trabalho.

No que se refere às percepções individuais sobre a experiência de teletrabalho, regista-se que a maior parte dos participantes sente que trabalha mais (60%), que é mais produtivo (48%) mas sente um maior afastamento da empresa (50%).

Ainda sobre as percepções individuais sobre o teletrabalho, a comunicação, as oportunidades de formação, o equilíbrio trabalho-família ou a autoavaliação de produtividade e desempenho, os participantes tendem a considerar que não sentiram diferenças na transferência do trabalho presencial para remoto.

O estudo indica que de uma forma geral, os participantes parecem atribuir uma pontuação elevada a todas as características pessoais relacionadas ao teletrabalho. A “disciplina” e “responsabilidade” foram aquelas onde a pontuação atribuída pelos participantes foi mais elevada.

Entre as diferentes vantagens que o teletrabalho pode proporcionar, destaca-se o ganho de tempo (83,6%), a gestão de horários (49,8%) e melhor qualidade de vida (45,5%).

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Quanto às desvantagens do teletrabalho mais reportadas pelos participantes, destaca-se a sensação de afastamento dos colegas (77%), a “mistura” entre a vida profissional e familiar (66,8%), bem como o sentimento de não ter apoio quando é necessário (30,4%).

Relativamente às principais dificuldades sentidas pelos participantes do presente estudo, salienta-se a “mistura” entre a vida profissional e familiar (60,9%), a inexistência de um espaço físico apropriado para o trabalho (53,7%) e a gestão do tempo (32,3%).

O estudo “Desafios da Gestão de Pessoas em trabalho remoto 2021”, promovido por docentes da Universidade Europeia, foi desenvolvido um ano depois do estudo “Desafios da Gestão de Pessoas em trabalho remoto” e visou dar continuidade à investigação dos principais desafios que se colocam às empresas, à gestão de pessoas e às próprias pessoas num contexto de alguma consolidação da experiência de trabalho remoto, volvido que está um ano sobre a aceleração deste formato de trabalho, por efeitos da pandemia COVID-19.

Como universo poderiam ser consideradas todas as pessoas que ao momento da resposta estivessem enquadradas profissionalmente. A amostra foi aleatória, recorrendo-se ao método de Snowball Sample, tendo o questionário corrido nas redes sociais, entre os dias 8 de Fevereiro e 28 de Abril de 2021. Obteve-se o total de 970 respostas válidas, tendo os dados sido recolhidos com base em resposta ao inquérito por questionário disponibilizado online. Foi assegurada a confidencialidade e o anonimato das respostas. A análise de dados foi efetuada com recurso ao programa estatístico SPSS, versão 27.

Pode pedir o relatório completo aqui ou através do email estudos@universidadeuropeia.pt.

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