Estudo Estado da Nação. Quase 20% dos jovens com ensino superior concluído recentemente não estão empregados

Margarida Lopes
2 de Junho 2021 | 00:10

Segundo o relatório “Estado da Nação: Educação, Emprego e Competências em Portugal” da Fundação José Neves (FJN) – que vai ser apresentado hoje -, os portugueses estão hoje mais qualificados, mas existe desajustamento entre a educação e o mercado de trabalho, uma vez que 19,4% dos jovens que terminaram recentemente o ensino superior não estão empregados e 15%, entre os 25 e 64 anos, dos diplomados está a trabalhar em ocupações que não exigem este nível de ensino.

 

O estudo revela que a taxa de desemprego entre os recém-formados teve um forte aumento no início da década, no período de crise. Em 2012, os números do desemprego jovem rondavam os 30%, mesmo para os diplomados do ensino superior, tendo baixado consideravelmente no pós-crise para os diplomados do ensino superior, sobretudo entre as mulheres. Apesar da descida, actualmente 19,4% dos jovens que terminaram recentemente o ensino superior não estão empregados.

Em 2014 e em 2019 foram os cursos das áreas CTEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática), ‘Saúde e proteção social’ e ‘Educação’ que apresentaram propensão ao desemprego abaixo da média.

Em 2019, o desemprego foi menor entre os diplomados da área de ‘Ciências naturais, matemática e estatística’ (cerca de 2%). Em contraste, o risco de desemprego é superior à média para quem se forma nas áreas de ‘Serviços’, ‘Agricultura, silvicultura, pescas e ciências veterinárias’, e principalmente nas áreas de ‘Ciências empresariais, administração e direito’, ‘Artes e humanidades’ e ‘Ciências sociais, jornalismo e informação’.

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O estudo indica ainda que apesar da maior empregabilidade associada ao ensino superior, uma parte (15%) dos diplomados deste nível de ensino não trabalham nestas ocupações, mas sim em ocupações que requerem um nível de educação inferior ao adquirido.

O relatório mostra também que quanto mais jovem é o trabalhador com ensino superior, maior é a probabilidade de estar a trabalhar numa ocupação de baixa complexidade que não exige esse nível de formação.

Em 2019, esse valor chegava aos 21,5% para os diplomados do ensino superior entre os 25 e os 34 anos. Este fenómeno é, em parte, temporário e mais frequente nos primeiros anos após a conclusão do curso. Mas pode ser um problema se os trabalhadores permanecerem nessas ocupações por períodos mais longos, diminuindo as hipóteses de transitarem para uma ocupação ajustada ao seu nível de escolaridade.

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O mesmo relatório indica que a percentagem de diplomados do ensino superior a trabalhar em ocupações que não exigem este nível de qualificação difere entre as diferentes áreas de estudo e género. Para os trabalhadores mais jovens, as áreas dos ‘Serviços’, ‘Ciências sociais, informação e jornalismo’, ‘Educação’ e ‘Ciências empresariais e direito’ apresentam uma proporção de trabalhadores diplomados em ocupações de baixa complexidade superior a 25%, enquanto na ‘Saúde e proteção social’, nas ‘Engenharias e técnicas afins’ e nas ‘Tecnologias de informação e comunicação’ essa proporção é menor do que os 15%.

A análise por género apresenta diferenças menores, sendo os maiores desajustamentos verificados nas áreas dos ‘Serviços’ e das ‘Tecnologias de informação e comunicação’, em desfavor das mulheres.

Outras conclusões:

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