A Fundação José Neves (FJN) pretende contribuir para transformar Portugal numa sociedade do conhecimento através da educação alinhada com as necessidades do futuro. É neste contexto que surge o “Estado da Nação: Educação, Emprego e Competências em Portugal”, um relatório que pretende dar conhecimento do estado da arte da educação, do emprego e das competências em Portugal, abrindo à discussão pública as debilidades e oportunidades do sistema de desenvolvimento de competências e formas de as ultrapassar. Vai ser apresentado hoje.
O primeiro “Estado da Nação”, que vai ser apresentado no primeiro evento anual da FJN, faz uma retrospectiva das principais dinâmicas na educação, emprego e competências durante a última década, identificando as principais tendências nas qualificações dos portugueses, do valor dessas qualificações no mercado de trabalho e as principais alterações no emprego em Portugal.
O destaque anual vai para o impacto da pandemia da COVID-19 no mercado de trabalho. Relativamente ao impacto da pandemia, dados do relatório demonstram que a COVID-19 acelerou o potencial de desigualdade em termos de idades e qualificações.
O emprego mais penalizado foi o dos jovens, dos menos qualificados e dos trabalhadores de alguns sectores de actividade, como alojamento, restauração, agricultura e serviços administrativos. A pandemia veio relembrar e reforçar que mais educação protege o emprego e que os jovens são os mais vulneráveis em tempos de crise, por força da menor experiência profissional e de vínculos laborais menos estáveis.
É também possível verificar que em 2019, o emprego já tinha recuperado da crise financeira com início em 2010, mas com mudanças importantes no seu perfil, mais envelhecido, qualificado e concentrado em sectores de alta tecnologia e conhecimento, principalmente no sector dos serviços. Como consequência, existem competências que estão a ganhar preponderância no mercado de trabalho, com destaque para a ‘Programação e Design de tecnologia’, ‘Interpretação científica-matemática’ e ‘Análise e Avaliação de sistemas’. Já as competências mais manuais e operacionais estão a perder terreno.
José Neves, fundador da FJN, refere «o ‘Estado da Nação’ é um contributo que a Fundação partilha com a sociedade portuguesa, na esperança de que possamos usar estes indicadores para identificar e superar os desafios que temos pela frente para tornar Portugal uma sociedade do conhecimento e elevar a posição do país no ranking de desenvolvimento humano».
Por sua vez, Carlos Oliveira, Presidente Executivo da FJN, destaca que «a informação do relatório permite a todos os Portugueses, e em particular aos agentes da educação, ao Governo, às instituições de ensino e à própria FJN, tomarem decisões sustentadas em factos e agirem de forma alinhada com aquelas que são as exigências de uma sociedade e de um mercado de trabalho em transformação acelerada».
O relatório será actualizado anualmente com os vários indicadores-chave, monitorizando as principais dinâmicas nestas vertentes. Cada nova edição vai aprofundar um tema que se tenha destacado durante o ano anterior.
Outras conclusões:
- Défice de qualificação dos portugueses é mais do dobro da média europeia
- Salário médio dos jovens licenciados está a descer em Portugal desde 2010
- Quase 20% dos jovens com ensino superior concluído recentemente não estão empregados
Pode assistir ao evento e à apresentação dos principais resultados, em directo, aqui.













