Com a pandemia COVID-19 a impulsionar a digitalização, a maioria (72%) dos portugueses afirma que estaria disposta a fazer uma reconversão profissional, o que está significativamente acima da média da amostra (63%). Esta é uma das conclusões do estudo Workforce Protection, realizado pelo Grupo Zurich e a Universidade de Oxford e que inclui inquiridos de Portugal. Conheça as restantes.
O estudo mostra que a pandemia COVID-19 tornou urgente a resolução de questões que podem vir a impactar os cidadãos em todo o mundo, a rápida digitalização da economia, a necessidade de formação contínua e a fragilidade de muitos sistemas nacionais de protecção social. E argumenta que nenhuma parte interessada poderá lidar sozinha com os impactos de todas estas mudanças e que a prosperidade das sociedades a longo prazo depende da partilha de responsabilidades entre cidadãos, governos, empregadores e fornecedores de benefícios.
As principais conclusões do relatório “Definir um mundo de trabalho melhor: Argumentos para defender um novo contrato social” salientam que:
1. À medida que a digitalização acelera, a pressão para a adaptação às mudanças tecnológicas é maior
Com a COVID-19 a impulsionar a digitalização, incluindo o uso da Inteligência Artificial e a automatização, aumenta também a necessidade da requalificação profissional. No entanto, o estudo global Workforce Protection mostra um desfasamento entre o nível de risco pessoal percebido pelos inquiridos e a sua vontade de tomar medidas para o enfrentar.
No caso de Portugal, a grande maioria (72%) dos inquiridos afirma que estaria disposta a fazer uma reconversão profissional, o que está significativamente acima da média da amostra (63%). Os trabalhadores portugueses em funções criativas baseadas no conhecimento são os mais empreendedores neste aspeto (74%), enquanto os trabalhadores que desempenham tarefas manuais rotineiras estão um pouco menos dispostos (69%) a abdicar do seu tempo livre para adquirir novas competências profissionais. Tanto os governos como os empregadores poderão desempenhar um papel fundamental na informação aos trabalhadores sobre os riscos para os seus atuais empregos e as oportunidades disponíveis.
2. A necessidade de protecção adequada está a crescer
A pandemia destacou a importância de reforçar a protecção dos profissionais que não têm empregos tradicionais, como os trabalhadores independentes, os trabalhadores com empregos temporários (gig economy) ou os trabalhadores a tempo parcial. Muitos deles já perderam o emprego e estão dependentes das redes de segurança social e de emergência existentes.
3. Os millennials e jovens da geração Z tornar-se-ão provavelmente mais sensíveis ao risco
Antes da COVID-19 e quando comparados com profissionais mais velhos, as gerações mais jovens tinham o dobro da probabilidade de optar pelo trabalho independente como carreira. A tendência pode agora inverter-se com os profissionais mais jovens à procura de segurança e estabilidade no emprego, o que pode implicar a necessidade de repensar os quadros de protecção dos trabalhadores independentes, qualquer que seja a geração a que pertencem.
4. As novas formas de parcerias público-privadas podem contribuir para aliviar a pressão sobre os governos
A adopção de um seguro de desemprego obrigatório, assim como os seguros relacionados com saúde, invalidez e protecção do rendimento e de dependentes, podem vir a proporcionar segurança, permitindo assim que as pessoas dediquem mais tempo a conseguir uma melhor adequação entre as suas competências e os empregos disponíveis.
O Workforce Protection é um projecto do Grupo Zurich, em parceria com a Smith School of Enterprise and the Environment da Universidade de Oxford, que a Zurich Portugal integra, e que tem como objectivo partilhar a visão actual dos consumidores ao nível do conhecimento, atitudes e comportamentos relacionados com o mundo do trabalho.
As informações e conclusões do estudo têm como base as respostas de cerca de 19 mil profissionais de 17 países, 1200 empresas, inquéritos de consumidores e entrevistas detalhadas com clientes empresariais da Zurich, realizadas durante a pandemia, sobre o futuro do trabalho. O estudo conta com uma amostra representativa da população portuguesa activa que inclui 1100 portugueses com idades entre os 20 e 70 anos, empregados ou desempregados há menos de três meses.














