Estudo identifica as competências que vão distinguir os líderes na era da IA

Margarida Lopes
18 de Março 2026 | 14:00

O mais recente relatório da Aliança Global CEMS – Augmented Leadership: Navigating the New Age of Intelligence – revela que, no actual contexto em que a Inteligência Artificial (IA) está a transformar a forma como trabalhamos, tomamos decisões e aprendemos, as competências humanas avançadas são determinantes para o sucesso profissional e o exercício de uma liderança responsável.

A análise realizada pela Aliança Global CEMS, que junta 33 das melhores Universidades e Escolas de Gestão do mundo, e da qual a Nova SBE é membro e único representante de Portugal, aponta que, apesar do elevado potencial das ferramentas de IA generativa para impulsionar a produtividade e fomentar a criatividade, a dependência acrítica destas tecnologias pode comprometer as capacidades que as organizações mais valorizam: autonomia intelectual, pensamento crítico, capacidade de questionar, tomada de decisão ética e sentido de propósito. Assumir em consciência os limites da IA e encarar a tecnologia como um aliado e não como um substituto, é o que vai distinguir verdadeiramente os líderes e profissionais do futuro.

Baseado em entrevistas com especialistas da aliança CEMS, composta por 33 escolas de negócios e mais de 70 parceiros multinacionais, que em conjunto oferecem o CEMS Master in International Management (MIM), Augmented Leadership: Navigating the New Age of Intelligence, alerta ainda para os riscos reais da dependência excessiva da IA, defendendo que a vantagem competitiva das próximas gerações residirá na capacidade de pensar antes de pedir, analisar antes de aceitar e liderar com profundidade humana.

Num contexto em que a IA está cada vez mais integrada na estratégia e operação das organizações, o mais recente relatório CEMS explora as competências que irão definir um bom líder  da próxima geração, destacando que o verdadeiro risco para os profissionais e líderes do futuro não é a IA substituir o ser humano, mas sim a tendência humana para abdicar do pensamento crítico perante a facilidade de delegar decisões à tecnologia. ‘Como pode a IA substituir-me’ não é a pergunta-chave das gerações do futuro. Os verdadeiros líderes distinguem-se quando conseguem assumir e questionar ‘Como pode a IA ajudar-me a ser melhor?’

 

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Competências essenciais identificadas no relatório

Pensar antes de pedir (estruturar o raciocínio, formular perguntas e clarificar objectivos antes de recorrer à IA); Manter a Curiosidade activa (explorar, testar, comparar perspetivas e desafiar respostas automáticas); Avaliar de forma ética e responsável (compreender implicações sociais, ambientais e organizacionais do uso da IA); Usar a tecnologia de forma critica e esclarecida (conhecer as capacidades e limitações das ferramentas de IA) e Tomar decisões com profundidade humana (valorizando não só a empatia mas também a comunicação, a criatividade e capacidade de conexão) são algumas das competências que mais valor acrescentarão a líderes e profissionais em início de carreira.

«Num momento em que a IA está a redefinir profundamente o contexto empresarial, este relatório reforça uma convicção que partilhamos na Nova SBE: o futuro não pertence a quem domina apenas a tecnologia, mas sobretudo a quem a questiona, a quem pensa melhor com ela e a quem mantém a capacidade humana de criar valor através da curiosidade, do pensamento crítico e das relações», afirma Lénia Mestrinho (directora executiva do Digital Data Design Institute at Nova SBE and NOVA Medical School)

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Nicole de Fontaines (directora executiva da Aliança Global CEMS), defende que a IA, quando usada com responsabilidade, ‘pode amplificar o potencial humano, potenciar a criatividade e desbloquear novas possibilidades para líderes, educadores e jovens profissionais’. Contudo, alerta para os perigos da utilização acrítica da tecnologia que pode conduzir ao distanciamento, à perda de confiança ou diminuição de propósito concluindo ‘É precisamente por isso que a Aliança CEMS ajustou o perfil do graduado do mestrado em Management Internacional CEMS: para garantir que os graduados desenvolvem não só fluência digital e curiosidade, mas também sentido ético, autoliderança e profundidade humana, qualidades essenciais para navegar de forma responsável pelas tecnologias e manter o pensamento humano de elevada qualidade no centro da liderança’.

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