Uma pesquisa recente da Indeed revelou que um terço dos trabalhadores está preocupado com o impacto negativo da IA nas suas oportunidades de emprego e crescimento profissional.
Embora existam poucos dados que sugiram que a IA é directamente responsável pela onda de despedimentos principalmente nas empresas tecnológicas, como a Amazon, muitos CEO deixaram claro que acreditam que a tecnologia irá transformar os seus locais de trabalho. Mas os colaboradores também estão atentos… e ansiosos, revela a Fast Company.
A Indeed entrevistou mais de 2.000 trabalhadores e descobriu que a IA é uma grande preocupação, com mais de um terço a afirmar que terá um impacto negativo nas suas oportunidades de emprego e crescimento na carreira.
De facto, a IA superou o esgotamento profissional como a principal preocupação entre os candidatos a emprego. Para 40% dos empregadores, a adopção da IA é um foco importante em 2026, mas 35% dos candidatos a emprego vêem-na como uma mudança preocupante.
«Os colaboradores sabem que a IA não vai desaparecer e vai ter impacto no seu trabalho», disse Matt Berndt, responsável da Academia de Procura de Emprego da Indeed. «A grande questão é como? Este desconhecido gera incerteza, e esta é a desconexão: tanto os empregadores como os trabalhadores estão a utilizar a IA, mas não compreendem nem confiam na forma como o outro a está a utilizar. Este não é um problema tecnológico; é humano.»
Os economistas defendem que há poucas evidências de que a IA já esteja a substituir os trabalhadores em grande número, mesmo em sectores mais vulneráveis aos seus efeitos. Ainda assim, os profissionais têm motivos para se preocupar com a IA.
Só no último mês, várias empresas citaram explicitamente a IA nos anúncios de despedimentos. O Pinterest vai despedir 15% da sua força de trabalho este ano, num esforço para redireccionar recursos para equipas que trabalham com IA. O Citigroup já cortou mil vagas em Janeiro e prevê despedimentos ainda este ano devido à IA e à automatização.
O relatório da Indeed revela também uma desconexão fundamental entre empresas e trabalhadores. A grande maioria dos empregadores está convencida de que sabe o que os seus empregados querem, embora os seus trabalhadores discordem amplamente. Metade dos empregadores também parece acreditar que o mercado de trabalho está a melhorar, enquanto 40% dos colaboradores acredita que está a piorar. Muitos empregadores estão preocupados com os orçamentos e a redução de custos, enquanto dois terços dos trabalhadores disputam aumentos salariais.
Apesar destas constatações, um ponto em que ambos estão de acordo é que o esgotamento profissional é uma ameaça iminente — talvez agora mais do que nunca.
Para os trabalhadores, o burnout é uma grande preocupação, quase tão grave como a inteligência artificial. Os empregadores afirmam estar mais preocupados com o bem-estar e o burnout dos colaboradores, enquanto prevêem que a semana de trabalho de 72 horas se torne comum em mais locais de trabalho.
Quase 40% dos empregadores disseram esperar semanas de trabalho mais longas, segundo o relatório do Indeed, mesmo com 46% dos candidatos a referirem o equilíbrio entre a vida pessoal e profissional como prioridade máxima.














