Estudo revela maior vulnerabilidade cibernética em PME portuguesas

A cibersegurança é considerada uma das principais prioridades estratégicas para as PME em todo o mundo. No entanto, em Portugal, muitas organizações continuam expostas a ataques, apesar do aumento do investimento. É o que revela o novo estudo da IDC.

Margarida Lopes
22 de Maio 2026 | 12:50
O estudo, conduzido pela IDC e intitulado SMBs in the Age of AI: Navigating cyber complexity and building resilience (baseado num inquérito global a 2,210 PME, incluindo uma amostra dedicada de 100 empresas em Portugal), revela que o país apresenta um perfil de segurança menos maduro do que a média global, com níveis de incidentes mais elevados e interrupções significativas mais comuns.
O impacto do cibercrime é mais severo em Portugal do que no resto do mundo. Enquanto a nível global mais de metade das empresas (54%) não registou qualquer incidente no último ano, em Portugal esse número desce para os 43%. Consequentemente, as empresas portuguesas sofrem mais perturbações: 39% enfrentaram incidentes menores (mas resolvidos rapidamente) e 16% registaram incidentes que causaram disrupções significativas no negócio (contra apenas 11% da média global).
Os dados mostram que o grande desafio das empresas portuguesas está na execução e estrutura de gestão:
IA acelera a pressão sobre uma segurança já fragilizada
A adopção da IA está a intensificar a pressão de cibersegurança sobre as PME portuguesas, com os níveis de preparação a revelarem-se ainda insuficientes face aos riscos emergentes.
No que toca ao nível actual de segurança das aplicações baseadas em IA, o cenário nacional concentra-se esmagadoramente nas fases iniciais: apenas 1% das PME em Portugal considera ter um nível de segurança totalmente “Maduro” nesta área (em comparação com 6% global).O nível de maturidade mais comum no país é o “Básico”, englobando 33% das PME portuguesas (face a 30% global). 19% admite mesmo não ter qualquer segurança implementada para aplicações de IA.
Os principais desafios na protecção das aplicações de IA em Portugal mostram que as empresas nacionais sofrem com as mesmas dores estruturais do mercado global: falta de competências e especialização interna em segurança de IA (44% Portugal vs. 45% Global); dificuldade em implementar uma segurança de dados forte (40% Portugal vs. 41% Global); limitação de visibilidade sobre quais as ferramentas de IA que estão efetivamente a ser utilizadas na organização (34% Portugal vs. 36% que dizem não conseguir acompanhar o ritmo das ameaças emergentes globalmente).
Como resposta, as principais salvaguardas para os riscos e ameaças da IA que as empresas portuguesas estão a tentar priorizar alinham-se com as melhores práticas internacionais: a criação de uma política clara de utilização de IA (43%), o recurso a ferramentas de IA aprovadas e dotadas de controlos administrativos (34%) e a realização de testes antes do lançamento das ferramentas (33%).
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