Estudo revela que 70% dos bancos planeiam reforçar o investimento em IA

A Inteligência Artificial (IA) está a transformar o sector bancário e a redefinir a sua competitividade. Enquanto 70% dos bancos planeiam reforçar o investimento nesta tecnologia, cerca de 20% das instituições financeiras conseguem já traduzir essa aposta em valor estratégico e em crescimento de receita.

Margarida Lopes
10 de Abril 2026 | 10:10
Estudo revela que 70% dos bancos planeiam reforçar o investimento em IA

Os dados são do novo estudo da KPMG: Intelligent Banking: A blueprint for creating value through AI-driven transformation, que analisa a optimização da IA aplicada ao scetor da banca.

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De acordo com este estudo, 51% dos executivos bancários consideram que a IA está a reconfigurar estruturalmente o seu negócio, enquanto 80% acreditam que os bancos que adoptarem esta tecnologia ganharão, no futuro, uma vantagem competitiva significativa.

O sector enfrenta um conjunto de obstáculos que condicionam a sua capacidade de adopção em escala desta tecnologia. Entre os principais desafios estão a segurança e a privacidade dos dados; a dificuldade em medir o retorno do investimento; a existência de silos de dados e de sistemas legados; qualidade e inconsistência de dados; e a limitação de tempo e recursos. A estes factores juntam-se uma abordagem cautelosa por parte das instituições financeiras, fortemente influenciada pelo enquadramento regulatório e pela necessidade de assegurar transparência e confiança nos processos e nas decisões automatizadas.

Actualmente, a utilização da IA na banca está, sobretudo, associada a funções de back-office e de optimização de processos (deteção de fraude, compliance, análise de dados, automação documental e algumas componentes do atendimento ao cliente). No entanto, a KPMG alerta que o verdadeiro potencial da IA reside na sua aplicação em áreas de maior impacto estratégico, como a personalização avançada da experiência do cliente; a otimização de jornadas completas do cliente; e a criação de novos modelos de negócio baseados em ecossistemas digitais.

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O estudo propõe, com base na prática internacional mais avançada, um modelo de transformação estruturado em três fases de maturidade: Enable (criação de estratégia de IA; identificação de use-cases; literacia IA; alinhamento com regulação e imposição de princípios éticos na adopção de IA; e, lançamento de pilotos IA); Embed (integração da IA em processos, produtos e fluxos de valor; redesenho da workforce e re-skilling; integrar IA no modelo operativo com foco em ética, confiança e segurança; maximização do valor dos dados; e, suporte em cloud e modernização dos sistemas legacy); e Evolve (transformação contínua do modelo de negócio, integração de novas tecnologias para responder a novos desafios do sector). A este nível, a KPMG conclui que a maioria dos bancos se encontra actualmente entre as duas primeiras fases, ainda longe de uma transformação plena, mas com sinais claros de evolução.

O estudo destaca, ainda, três pilares fundamentais para o sucesso da transformação em IA: dados de qualidade e bem governados, como base para decisões fiáveis; confiança, assegurada através de práticas robustas de ética, segurança e compliance; e a capacitação das pessoas, com investimento em formação e redefinição de funções. Neste contexto, a IA surge não apenas como uma tecnologia, mas como um catalisador de mudança organizacional, exigindo novos modelos de liderança, maior colaboração transversal e uma cultura orientada para a experimentação e aprendizagem contínua.

Esta análise resulta de um programa de investigação global conduzido pela KPMG, que combina uma análise quantitativa e qualitativa feita com base num inquérito a 1390 decisores de topo em diferentes mercados e sectores, dos quais 183 pertencem ao sector bancário

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