Estudo revela que profissionais estão consciente de comportamentos anti-éticos (e ilegais) nas suas organizações. Abuso de autoridade e assédio estão entre eles

Margarida Lopes
17 de Outubro 2024 | 09:40
Estudo revela que profissionais estão consciente de comportamentos anti-éticos (e ilegais) nas suas organizações. Abuso de autoridade e assédio estão entre eles

De acordo com o estudo “Ethics at Work 2024” do Institute of Business Ethics, feito em Portugal com a parceria da Católica Porto Business School, um em cada quatro colaboradores (25%) está ciente dos comportamentos que violam a lei ou os padrões éticos das suas organizações no último ano. Este número representa um aumento significativo em relação aos 18% registados em 2021. No total participaram 12 mil pessoas de 16 países.

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Helena Gonçalves, coordenadora do Fórum de Ética da Católica Porto Business School, explica que se trata «de um inquérito feito a uma amostra representativa da população activa em cada país, onde são analisadas três grandes áreas: a cultura ética; a identificação de riscos éticos; e o apoio à ética no local de trabalho.»

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O estudo revela também que um em cada três entrevistados (35%) tem conhecimento de abuso de autoridade, enquanto 32% relataram estar cientes de casos de bullying e assédio.

Em paralelo, 20% dos colaboradores reconheceram ter conhecimento de assédio sexual. Apesar disto, um terço dos colaboradores que souberam de má conduta optaram por não a relatar. Os principais motivos para esta falta de denúncia incluem o medo de prejudicar as suas carreiras (34%) e a preocupação de que a organização não tomaria medidas correctivas (34%).

O “Ethics at Work 2024” mostra ainda que, entre os dois terços dos colaboradores que levantaram preocupações (64%), quase metade (46%) enfrentou desvantagens pessoais ou retaliação por terem falado abertamente, e 28% expressaram insatisfação com o resultado. Apenas 61% dos colaboradores afirmam que as suas organizações oferecem meios confidenciais de denúncia.

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Lauren Branston, CEO do Institute of Business Ethics, destaca a importância de criar um ambiente seguro para que os colaboradores se sintam à vontade para expressar as suas preocupações: «se estamos realmente comprometidos em prevenir comportamentos prejudiciais no local de trabalho, uma cultura de denúncia segura é crucial.»

«Outra das conclusões do estudo é a divisão geracional na disposição para denunciar má conduta, ou seja, colaboradores mais jovens (18-34 anos, 70%) são mais propensos a levantar preocupações em comparação com colegas mais velhos (35-54 anos, 61%) e aqueles com 55 anos ou mais (54%)», refere Helena Gonçalves acrescentando «os colaboradores mais jovens (52%) são mais propensos a sofrer retaliação após relatar preocupações do que os seus colegas mais velhos.»

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O Ethics at Work é um estudo conduzido pelo Institute of Business Ethics (IBE), de três em três anos, e foi realizado pela primeira vez em 2005. Portugal foi incluído no grupo de países participantes em 2018, através de uma parceria entre o IBE e a Católica Porto Business School.

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