Onde estão as melhores oportunidades de emprego e os salários mais altos em Portugal? A resposta está nos sectores das Tecnologias de Informação (TI) e das Ciências da Vida (Life Sciences). As conclusões são da terceira edição do Estudo de Tendências Salariais 2026/2027, lançado hoje pela Randstad Research.
O novo relatório cruza a base de dados de contratação da Randstad com as estatísticas oficiais do INE e Eurostat para traçar um mapa rigoroso do que as empresas portuguesas estão efectivamente a pagar e quais os talentos que têm mais dificuldade em encontrar.
«A grande mais-valia deste estudo é traduzir a realidade salarial em Portugal de forma objectiva e comparável entre sectores. Ao combinar dados internos e externos, conseguimos oferecer às empresas uma ferramenta estratégica para ajustar políticas de remuneração e identificar áreas críticas de escassez de talento. Para os profissionais, é a oportunidade para compreenderem onde estão as maiores oportunidades de progressão», refere Isabel Roseiro, directora de Marketing da Randstad Portugal.
O mapa dos salários e das profissões mais procuradas em Portugal
A análise detalhada aos diferentes sectores de actividade revela de forma clara onde se encontram as propostas remuneratórias mais competitivas e quais os perfis com maior taxa de empregabilidade.
Segundo os dados de recrutamento da Randstad, o sector das Tecnologias de Informação continua a registar o patamar remuneratório médio mais elevado no país, com os salários a situarem-se entre os 40 mil e os 55 mil euros brutos anuais. Por sua vez, segundo os dados do Inquérito ao Emprego do INE para o segundo trimestre de 2026, a população empregada no sector de informação e comunicação situou-se em 237.200 pessoas, representando cerca de 4,4% do total de trabalhadores em Portugal. Em termos homólogos, observou-se um aumento sustentado de 27.600 empregos (+13,2%), confirmando a sólida dinâmica de expansão e contratação. De acordo com a Randstad, nesta área, as cinco funções mais procuradas pelas empresas são os especialistas em cloud & security, data analytics BI & AI, software development, business applications (CRM/ERP) e IT management & strategy.
Logo de seguida, destaca-se a área de Life Sciences & Healthcare, marcada pela alta especialização. Segundo os dados do Inquérito ao Emprego do INE para o segundo trimestre de 2026, a população empregada na área da saúde humana e apoio social situou-se em 567.700 pessoas, representando cerca de 10,5% do total de empregados em Portugal. Em termos homólogos, observou-se um aumento de 43.200 postos de trabalho (+8,2%), consolidando a saúde como um dos maiores motores de criação de emprego qualificado no país.
No que diz respeito a salários apurados pela Randstad, na vertente farmacêutica e de investigação (Life Sciences), o valor médio varia entre 35 mil e 60 mil euros brutos anuais, existindo uma forte procura por delegados comerciais, funções de qualidade, assuntos regulamentares, market access e medical affairs. Já na vertente de prestação de cuidados de saúde (Healthcare), a média fixa-se entre os 30 mil e os 46 mil euros brutos anuais, com entidades focadas na contratação de enfermeiros, médicos, técnicos de multiterapias, técnicos de farmácia e farmacêuticos.
Outro sector que se afirma como motor de transição no mercado português é o de Engenharia e Indústria, altamente qualificado e caracterizado por um elevado nível de estabilidade de emprego no mercado português. Segundo o Inquérito ao Emprego do INE para o segundo trimestre de 2026, a população empregada no sector da indústria (que inclui indústrias extrativas, transformadoras, electricidade, gás, água e construção) fixou-se em 1.333.700 pessoas, representando cerca de 24,7% do total da população empregada em Portugal.
Em termos homólogos, observou-se um aumento de 43 mil empregos (+3,3%), consolidando a trajectória de estabilidade e criação de emprego no sector industrial e da construção. Com salários médios avaliados pela Randstad entre os 33.500 euros e os 49.500 euros brutos anuais, as empresas procuram ativamente diretores de obra, engenheiros de automação e robótica, engenheiros de desenvolvimento de produto, supervisores de produção e técnicos de supply chain ou logística.
Na Banca e Seguros, que regista médias salariais entre os 35 mil e os 50 mil euros brutos anuais, a população empregada situou-se em 118.700 pessoas no segundo trimestre de 2026, representando cerca de 2,2% do total de profissionais em Portugal. Em termos homólogos, observou-se um aumento de 8400 postos de trabalho (+7,6%), reflectindo a reestruturação contínua de balcões e o ganho de eficiência operacional via digitalização na banca tradicional. Com um foco cada vez maior no risco e conformidade, as funções mais solicitadas são gestor comercial, compliance officer, analyst corporate finance, underwriter e private banker.
As áreas mais transversais também mostram o seu peso na economia nacional. Em Marketing e Vendas, a vertente comercial regista remunerações médias entre os 23 mil e os 39.500 euros, enquanto o Marketing se situa entre os 26 mil e os 36.500 euros brutos anuais. A procura centra-se em perfis como CRM specialist, performance marketing manager, customer experience manager, technical sales e sales engineer. Em termos de dados oficiais, o INE não faz uma segmentação para marketing e vendas, mas segundo a Eurostat, a população empregada na área de marketing totalizou 37.200 pessoas no primeiro trimestre de 2026 (0,7% do emprego total do país). Em comparação com o trimestre anterior, registou-se uma variação de -13,3% (-5.700 postos de trabalho), contudo, na comparação homóloga houve um aumento de 1400 pessoas (+3,9%).
Por fim, a grande área de Finanças, RH e Jurídico inclui as actividades transversais a todos os sectores e tipos de empresas. Segundo os dados do INE (2º trimestre de 2026), a população empregada neste sector fixou-se em 488.100 pessoas, representando cerca de 9% do total nacional. A nível homólogo observou-se um aumento de 6800 postos de trabalho (+1,4%), demonstrando a expansão contínua destas funções corporativas. Apresentando um patamar salarial médio entre os 24 mil e os 33.500 euros brutos anuais, o sector lidera a procura por controllers, especialistas de reporting/statutory, contabilistas certificados, talentos focados em HR analytics e compliance officers.
















