O relatório Beyond Tomorrow: Four Scenarios for the World of 2050 assenta na análise de mais de 100 megatendências e num século de dados históricos.
Os cenários vão desde uma cooperação global em torno da Inteligência Artificial – que mais do que triplica o PIB mundial – até uma fragmentação geopolítica que devolve o comércio a níveis da Guerra Fria. Para os autores, o objectivo não é prever o futuro, mas identificar sinais precoces que permitam às empresas reconhecer, em tempo útil, o rumo que o mundo está a tomar.
Pedro Pereira, Managing director & senior partner da BCG em Lisboa, considera que o exercício tem implicações concretas para o tecido empresarial português: «Nenhum destes cenários é certo, mas todos são plausíveis – e Portugal, como economia aberta, exportadora e profundamente integrada no mercado europeu, é particularmente exposta ao rumo que o mundo vier a tomar. Um cenário de Battling Blocs, por exemplo, com o comércio global a colapsar para níveis da Guerra Fria, seria devastador para setores como o turismo, a exportação industrial e os serviços. Um cenário de AI Abundance poderia, pelo contrário, ser uma oportunidade de reinvenção, mas só para as empresas que tiverem investido em reforçar a resiliência das operações, repensar o talento à luz da demografia e da IA, e na necessária flexibilidade digital. O único erro estratégico verdadeiro é planear para um único futuro.»
Os quatro cenários para 2050
1. Abundância de Inteligência Artificial
A cooperação global em normas de IA acelera a produtividade, democratiza o acesso à tecnologia e impulsiona a oferta de energia de baixo carbono.
· O PIB global mais do que triplica, crescendo cerca de 5% ao ano entre 2025 e 2050 – o ritmo mais elevado entre os quatro cenários.
· As horas médias de trabalho caem cerca de 25%, com semanas de quatro ou três dias a generalizarem-se em algumas regiões.
· Os avanços impulsionados pela IA colocam o mundo numa trajectória credível, ainda que tardia, rumo à neutralidade carbónica.
2. Blocos em confronto
As tensões geopolíticas dividem o mundo em blocos rivais, reduzem a cooperação internacional e reorganizam o comércio mundial.
· O comércio global cai para cerca de 35% do PIB, face a 57% em 2024 – invertendo décadas de globalização.
· A despesa em defesa sobe para cerca de 7% do PIB global, à medida que os países priorizam segurança e autossuficiência.
· O crescimento do PIB mundial abranda para cerca de 1,8% ao ano, sustentado pelo gasto público em segurança, pensões e mitigação climática.
3. Coligação climática
Uma sucessão de fenómenos meteorológicos extremos no final da década de 2020 leva governos, indústrias e consumidores a colocarem a resiliência climática no topo da agenda.
· O aquecimento global estabiliza em cerca de 1,8 °C.
· Os mercados de carbono expandem-se à escala global, com a maioria das grandes economias a participarem até 2040.
· A quota dos combustíveis fósseis no mix energético desce dos atuais 81% para 35% em 2050; a electricidade passa a ser gerada quase exclusivamente a partir de fontes de baixo carbono.
· O PIB mundial cresce, em média, 2,5% ao ano, reflectindo o foco na transição climática, o abrandamento demográfico e o envelhecimento das sociedades.
4. Darwinismo digital
O progresso tecnológico mantém-se acelerado, mas com regulação limitada – impulsionando o crescimento e concentrando riqueza e poder nas maiores empresas e nos países tecnologicamente mais avançados.
· O PIB global cresce 4% ao ano e quase triplica até 2050.
· O 1% mais rico detém quase metade da riqueza mundial, enquanto a classe média continua a encolher.
· A gig economy e os contratos de curta duração expandem-se, à medida que a IA e a automação substituem tarefas rotineiras baseadas no conhecimento.
· A despesa em defesa sobe para cerca de 4% do PIB (face a 2,4% em 2024), num mundo mais fragmentado, mas em que o comércio e as cadeias de abastecimento se mantêm abertas, sustentados por interesses económicos.














