Escassez de talento é um dos principais desafios do sector.
A transformação tecnológica, a crescente necessidade de competências especializadas e a reorganização dos modelos de produção estão a aumentar a procura por talento na indústria transformadora. No entanto, a disponibilidade de profissionais qualificados não está a acompanhar esta evolução, tornando a escassez de talento um dos principais desafios que o sector enfrenta actualmente.
Este desafio é ainda agravado pelo envelhecimento da força de trabalho e pela evolução das preferências dos profissionais, factores que reduzem a disponibilidade do talento, num momento em que as empresas necessitam de novas competências para responder à automação, integração da IA e transformação das operações. Esta realidade é particularmente preocupante quando mais de metade dos trabalhadores do sector (60%) afirma não ter recebido qualquer formação profissional nos últimos seis meses.
O investimento insuficiente na formação e requalificação revela, assim, um claro desfasamento entre a velocidade da transformação das funções e o desenvolvimento das competências necessárias para as exercer. Como consequência, as organizações enfrentam maiores dificuldades em preencher funções críticas e em garantir o talento necessário para acompanhar a evolução do setor.
Perante estes desafios, as organizações terão de ir além do recrutamento tradicional. À medida que a automatização e a IA transformam processos de fabrico, que o envelhecimento da população reduz as bases de talento e que o reshoring cria necessidades de talento em mercados que não dispõem, ainda, das competências especializadas necessárias, o planeamento estratégico de talento torna-se cada vez mais importante.
Antecipar as necessidades das equipas será crucial para reduzir a dependência de mercados de talento cada vez mais limitados e alinhar a estratégia de gestão de pessoas com os objectivos do negócio. O setor deve mapear funções críticas e competências emergentes, identificar aquelas que podem ser desenvolvidas internamente e quais deverão ser encontradas no mercado e redesenhar a força de trabalho, por forma a alinhar competências com a transformação tecnológica e industrial.
Em particular, a construção de bases de talento locais e qualificadas em diferentes geografias será cada vez mais importante, sobretudo à medida que o reshoring acelera. Ao mesmo tempo, a aposta contínua no upskilling e reskilling permitirá preparar os profissionais para novas funções e inovações tecnológicas, aumentando a sua confiança perante a transformação em curso.
Este investimento na planificação ajudará as organizações a acelerar a transformação digital e a maximizar o retorno dos seus investimentos, construindo bases de talento qualificadas e sustentáveis, capazes de responder a processos produtivos cada vez mais inteligentes e sofisticados.
















