A escassez de mão-de-obra na área do turismo tem vindo a agravar-se desde 2019, faltando, neste momento, cerca de 45 mil trabalhadores no sector, numa altura em que cresceu o número de visitantes do país, revelou o Dinheiro Vivo.
De acordo com a presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), Cristina Siza Vieira, os perfis mais difíceis de contratar continuam a ser empregados de mesa, cozinha, limpeza, recepção e manutenção. E são cada vez mais os empreendimentos que procuram profissionais também para cargos administrativos e de apoio.
Cristina Siza Vieira recorda que, em 2022, o sector «já esteve completamente à pele» com a falta de trabalhadores, por os níveis se encontrarem tão próximos de 2019. «Este ano, em que se está a crescer mais, há ainda mais dificuldade em responder a estas solicitações. Estamos com os quadros de pessoal muitíssimo esticados», afirma.
Estatísticas do Instituto Nacional de Estatística (INE) mostram que as actividades da restauração e similares e do alojamento somavam quase 287 mil trabalhadores em 2022. Apesar de reflectir um aumento de 17% face a 2021, quando comparado com 2019, ano em que se registou a maior empregabilidade, estamos perante uma perda de 34 mil postos (-10,6%), dos quais 31 mil na restauração e similares e quase três mil no alojamento
No entanto, destaca Ana Jacinto, secretária-geral da Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal (AHRESP), os dados do primeiro trimestre de 2023 «expressam algum alento», com o canal Horeca (hotéis, restaurantes e cafés) a empregar, até março, praticamente 323 mil pessoas.
A sul, a Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA) não vislumbra «grande falta de recursos humanos» e Hélder Martins, presidente da entidade que representa o sector na região, diz mesmo que a situação «não é tão gritante”» tendo, inclusive, melhorado muito em relação ao ano passado. Ainda assim, aponta para alguma carência nas equipas de housekeeping, restauração e manutenção.














