Federação das Indústrias Agroalimentares alerta para o aumento generalizado dos preços “sufocante” para as empresas

Human Resources com Lusa
23 de Fevereiro 2022 | 17:30
Federação das Indústrias Agroalimentares alerta para o aumento generalizado dos preços “sufocante” para as empresas

O director-geral da Federação das Indústrias Portuguesas Agroalimentares (FIPA) disse à Lusa que vê com «muita preocupação» o aumento generalizado de custos, mas garante que as empresas do sector são resilientes e não antecipa cenário de falências.

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A FIPA «vê naturalmente com muita preocupação» o aumento dos preços, afirmou Pedro Queiroz, salientando que a federação «tem estado a procurar permanentemente junto dos seus associados perceber o impacto desta conjuntura» e o que existe, «acima de tudo, é uma imprevisibilidade muito grande».

Ou seja, «quase diariamente se renovam horizontes, portanto, ouço falar cada vez mais num horizonte mais longo de permanência de todos estes factores», sublinhou.

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Esta situação «cria nas empresas, naturalmente, bastante instabilidade, a dificuldade a nível da própria gestão de custos, de conseguir ter aqui um cenário minimamente sustentável e, portanto, a FIPA só pode ver com preocupação, mas ao mesmo tempo também acreditando que as nossas empresas diariamente trabalham para encontrar soluções e continuar a garantir aquilo que é fundamental e que até o momento não está em risco, que é a alimentação dos portugueses com a mesma qualidade e com a mesma diversidade de sempre», sublinhou o director-geral.

«Agora, todos estes aumentos começam a tornar-se absolutamente sufocantes para muitas empresas», advertiu o responsável.

A subida dos preços da energia, das matérias-primas, só para citar dois exemplos, «impacta tudo, mas de uma forma não totalmente harmonizada ao longo do sectores», sublinhou.

«Obviamente que sectores que estejam mais dependentes da importação de matérias-primas sofrem um impacto muito maior com estas disrupções da cadeia e com as dificuldades logísticas», ou seja, «com o custo associado que os transportes têm, seja a nível de transporte marítimo, a nível de frete de contentores, seja a nível do próprio transporte rodoviário pelo aumento absolutamente astronómico que se tem visto a nível dos combustíveis», prosseguiu Pedro Queiroz.

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Depois, há empresas com «uma produção mais local, onde efetivamente o factor inflação acaba por ser também ele decisivo relativamente àquilo que pode ser a previsibilidade das organizações».

Este «cocktail de aumentos acaba mais diretamente, mais indiretamente — porque hoje em dia as cadeias de valor estão globalmente integradas — por impactar as empresas e, portanto, não é apenas um factor de produção que se vê aumentar, são vários e de uma forma absolutamente alucinante, a uma velocidade impressionante e sem um fim à vista», constatou o responsável.

Tudo isto «impacta em todos», mas «as nossas empresas, de uma forma geral, mostraram ter uma capacidade enorme de resiliência, quer durante todo o período da pandemia», que «não houve qualquer rutura a nível das diversas categorias de produtos alimentares», quer neste momento.

«Apesar de muitas delas [empresas] se encontrarem bastante sufocadas ou bastante estranguladas (…) com esta conjuntura que referimos, não estamos a antecipar cenários, digamos assim, de problemas mais graves, nomeadamente ao nível de falências nas empresas», afirmou.

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Agora, «também dizemos que este cenário não é minimamente sustentável a médio prazo», alertou o director-geral da FIPA.

Além disso, apontou Pedro Queiroz, a este aumento generalizado dos preços, acresce a tensão internacional entre a Rússia e a Ucrânia, que pode impactar ainda mais o sector se o cenário se agravar.

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