Fenprof diz que número de professores colocados não responde às necessidades permanentes das escolas

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) afirmou que os mais de 20 mil docentes colocados para o próximo ano lectivo não correspondem às necessidades permanentes das escolas e alertou que há cada vez menos candidatos à contratação inicial.

Human Resources com Lusa
18 de Agosto 2026 | 13:30
Fenprof diz que número de professores colocados não responde às necessidades permanentes das escolas

Mais de 20 mil professores foram colocados na sexta-feira nas escolas em horários para o próximo ano lectivo, mas a maioria através da mobilidade interna.

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Dos 20.404 docentes colocados, apenas 1252 correspondem a horários atribuídos no âmbito da contratação inicial e os restantes são professores já vinculados aos quadros do Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI) e mudaram de escola.

«O MECI não pode confundir a reorganização da distribuição dos professores que já integram os quadros com a entrada de novos docentes no sistema», sublinhou a Fenprof, em comunicado.

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Em reacção aos resultados das colocações, divulgados na sexta-feira à noite, a federação sindical alertou que não garantem a existência de professores suficientes para responder às necessidades permanentes das escolas.

Segundo a Fenprof, só em Setembro prevê-se a aposentação de 558 professores, perto de metade do total de colocados através da contratação inicial.

«O número de docentes disponíveis para esta fase dos concursos tem diminuído ao longo dos anos», acrescenta ainda, reforçando que a situação é agravada «pela forte desigualdade na distribuição dos candidatos pelos diferentes grupos de recrutamento».

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Mais de metade dos contratados integra cinco grupos de recrutamento: educação pré-escolar, primeiro ciclo do ensino básico, educação física do segundo ciclo, e do terceiro ciclo e secundário, e educação especial para crianças com problemas cognitivos, motores ou perturbações de personalidade e comportamento graves.

«Esta realidade condiciona fortemente a capacidade de resposta às necessidades das escolas», avisa a Fenprof, manifestando preocupação com a situação dos grupos de recrutamento em que o número de candidatos é mais reduzido.

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Por outro lado, os representantes dos professores alertam para discrepâncias regionais, referindo que entre os mais de 20 mil colocados, apenas 3% vão ocupar lugares em escolas das regiões mais carenciadas, com 3317 colocados na Grande Lisboa, 1566 na Península de Setúbal e 1011 no Algarve.

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Os professores colocados devem aceitar a colocação na plataforma da Agência para a Gestão do Sistema Educativo (AGSE), para se apresentarem nas novas escolas em 1 de Setembro.

A partir do ano lectivo 2026/2027, passará a vigorar um novo modelo de recrutamento e colocação de docentes, composto por apenas dois procedimentos concursais.

Além dos actuais concursos interno e externo, para a afetação de docentes e vagas permanentes, passará a existir um procedimento concursal em contínuo, ao longo de todo o ano lectivo, para o preenchimento das necessidades temporárias, e para o qual os candidatos poderão inscrever-se ou actualizar a candidatura a qualquer momento.

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O novo modelo foi aprovado em Conselho de Ministros em 30 de Julho, tendo a Federação Nacional de Professores (Fenprof) considerado inaceitável que a aprovação tenha ocorridos antes de concluídas as negociações com os sindicatos.

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