Por Tânia Reis
A NEXT by Universitas nasce de uma evolução natural dos mais de 35 anos de experiência da Universitas no Ensino Superior Politécnico. Com uma abordagem que combina formatos híbridos, metodologias activas e aprendizagem baseada em desafios reais, quer romper com modelos tradicionais e promover uma construção efectiva de competências.
O objectivo é formar profissionais capazes de trabalhar com a tecnologia, sempre com pensamento crítico e responsabilidade ética.
O que motivou a criação da NEXT by Universitas?
A criação da NEXT by Universitas resulta de uma evolução natural do percurso da Universitas enquanto instituição privada com mais de 35 anos de experiência no Ensino Superior Politécnico. Ao longo deste trajecto, marcado por uma forte componente prática e por uma proximidade consistente ao mercado de trabalho, fomos sendo desafiados a responder a um número crescente de solicitações de formação à medida, provenientes de diferentes sectores de actividade.
Este contexto permitiu-nos identificar uma mudança clara nas necessidades formativas, sobretudo ao nível do público executivo. Os modelos tradicionais de ensino revelam-se, hoje, menos ajustados a profissionais que procuram soluções mais ágeis, orientadas para resultados concretos e com aplicação imediata no contexto organizacional.
Foi precisamente a partir desta constatação que decidimos estruturar uma resposta diferenciadora. A NEXT by Universitas afirma-se, assim, como uma marca que capitaliza a experiência acumulada e a forte ligação ao tecido empresarial e à Administração Pública, oferecendo formação avançada, cientificamente rigorosa, mas acessível, relevante e directamente aplicável. O que evita abordagens excessivamente teóricas ou distantes da realidade profissional.
Que lacunas no mercado pretende preencher?
Apesar de o mercado oferecer, hoje, soluções de formação cada vez mais relevantes e diversificadas, persiste um desfasamento estrutural entre o ritmo e as dinâmicas do Ensino Superior e as necessidades concretas das organizações. Esta diferença resulta, em grande medida, dos modelos de avaliação e enquadramento académico, alinhados com referenciais nacionais e internacionais, que naturalmente privilegiam a produção científica e a investigação.
Neste contexto, identifica-se uma lacuna entre o conhecimento teórico produzido e a sua aplicação prática no dia-a-dia das empresas. Muitas ofertas formativas continuam assentes em conteúdos sólidos do ponto de vista científico, mas nem sempre suficientemente traduzidos em ferramentas e soluções directamente aplicáveis a desafios estratégicos e operacionais.
A NEXT by Universitas surge precisamente para responder a este espaço. A sua proposta assenta no desenvolvimento de programas altamente aplicados, concebidos em estreita articulação com empresas e especialistas no terreno. Este modelo permite, não só aproximar conteúdos da realidade empresarial, como também repensar formatos, metodologias e experiências de aprendizagem, o que reduz significativamente o risco de lost in translation entre conhecimento e prática.
Quais são os principais factores diferenciadores da NEXT em termos de metodologia e abordagem formativa?
A NEXT by Universtas distingue-se por uma abordagem pedagógica que rompe com o modelo tradicional, mais hierarquizado, promovendo antes uma relação de proximidade e coconstrução entre participantes e especialistas. O foco deixa de estar exclusivamente na transmissão de conhecimento para passar a centrar-se na construção efectiva de competências, com relevância directa para o contexto profissional de cada participante.
Em termos metodológicos, privilegiamos uma lógica híbrida e flexível, maioritariamente online, que combina momentos assíncronos, orientados para a exploração autónoma de conteúdos, com sessões síncronas, focadas na interacção, discussão e aprofundamento prático.
A aprendizagem é sustentada por metodologias activas, com forte ênfase no learning by doing. Os participantes trabalham sobre desafios reais, frequentemente ancorados nos seus próprios contextos organizacionais, desenvolvendo projectos aplicados com acompanhamento contínuo de especialistas.
Adicionalmente, apostamos em formatos modulares e de curta duração, que permitem uma aprendizagem progressiva, cumulativa e altamente personalizada, ajustada ao ritmo e às necessidades de profissionais em funções.
A inteligência artificial está a transformar a gestão, a liderança e a forma como trabalhamos. Que competências considera mais urgentes desenvolver?
A resposta passa, inevitavelmente, por uma combinação equilibrada entre competências técnicas e humanas. Por um lado, ganham crescente relevância capacidades ligadas à análise de dados, à automação de processos e à utilização de ferramentas de inteligência artificial para geração de conteúdos e apoio à decisão. Por outro, as chamadas human skills tornam-se ainda mais críticas, nomeadamente o pensamento crítico, a criatividade, a adaptabilidade e a empatia.
Aliás, áreas como a cibersegurança demonstram bem esta dualidade, onde dimensões como a engenharia social evidenciam que a tecnologia, por si só, não é suficiente sem uma compreensão profunda do comportamento humano.
Mais do que resistir à transformação em curso, é essencial reconhecer a inteligência artificial como um verdadeiro coprodutor de valor. Isso implica preparar profissionais, não apenas para utilizar estas ferramentas, mas também para interpretar, validar e questionar os seus outputs. A dimensão ética e filosófica associada a esta evolução é, por isso, incontornável.
Paralelamente, a literacia digital assume um papel central, sobretudo num contexto em que diferentes gerações são fortemente influenciadas por conteúdos digitais e redes sociais. No essencial, o desafio passa por formar profissionais capazes de trabalhar em estreita articulação com a tecnologia, potenciando as suas capacidades, sem abdicar da responsabilidade, do pensamento crítico e da tomada de decisão informada.
De que forma a NEXT integra IA, automação ou outras tecnologias no desenho pedagógico dos seus programas?
A integração de inteligência artificial, automação e outras tecnologias na NEXT é feita de forma transversal e contextualizada, ou seja, alinhada com a natureza e os objectivos específicos de cada programa. Em alguns casos, estas temáticas são abordadas de forma explícita, através de conteúdos dedicados à inteligência artificial, automação ou transformação digital.
Paralelamente, estas tecnologias são também incorporadas como ferramentas pedagógicas ao longo da experiência de aprendizagem. Estão integradas em plataformas digitais interativas, em simulações e, sobretudo, na utilização orientada e enquadrada por princípios claros de ferramentas de inteligência artificial no próprio processo formativo.
Esta abordagem permite que os participantes não adquiram apenas conhecimento sobre estas tecnologias, mas que as utilizem de forma prática e aplicada, nomeadamente na produção de outputs e soluções que podem ser imediatamente transferidos para o seu contexto profissional.
Desta forma, promovemos simultaneamente a literacia tecnológica e uma experiência de aprendizagem mais rica, personalizada e alinhada com as exigências actuais do mercado.
Num contexto em que a velocidade da mudança é enorme, como é que a NEXT se mantém actualizada e relevante para as necessidades das empresas?
Na Universitas, em particular, na NEXT, rejeitamos qualquer abordagem de “torre de marfim”. Mantemo-nos próximos do mundo empresarial, ao colaborar de forma sistemática em projectos de investigação e desenvolvimento, bem como em iniciativas transformacionais. Dinamizamos redes com organizações públicas e privadas, partilhando conhecimento e aprendendo constantemente com a prática do mercado. Além disso, muitos dos nossos docentes e investigadores mantêm carreiras profissionais fora da academia, o que reflecte uma cultura organizacional que valoriza a experiência directa e a relevância prática.
A oferta formativa da NEXT by Universitas é concebida em estreita colaboração com empresas líderes nos seus setores. Frequentemente, promovemos sessões colaborativas para cocriar e avaliar os programas que lançamos, com a garantia de que permanecem ajustados às necessidades reais das organizações. Esta interdependência entre academia e prática não limita o rigor científico nem a autonomia pedagógica; pelo contrário, potencia a pertinência e a actualidade de cada curso, mantendo-nos sempre relevantes num contexto de mudança acelerada.
Que tipo de profissional imagina como o “aluno típico” da NEXT? E que transformação espera que essa pessoa leve consigo de volta à organização?
Embora ainda não tenhamos um histórico alargado, já conseguimos identificar alguns padrões entre os interessados na nossa escola. Trata-se de profissionais com idades bastante diversificadas, entre os 25 e os 60 anos, que procuram conteúdos imediatamente aplicáveis no seu dia-a-dia, seja em questões de compliance, seja em processos e ferramentas práticas para as suas funções.
O perfil mais frequente inclui profissionais em cargos de liderança ou com potencial para assumir essas responsabilidades. Muitos atravessam transições recentes na carreira ou enfrentam novos desafios dentro das suas organizações, que por vezes passam por mudanças estratégicas ou legais significativas.
O objectivo é que cada participante saia mais preparado e confiante, com capacidade para experimentar, implementar mudanças e gerar valor tangível nas suas organizações, traduzindo a aprendizagem adquirida em resultados concretos e sustentáveis.
Fala-se cada vez mais em aprendizagem contínua. Que obstáculos ainda travam os profissionais e as empresas no investimento em upskilling e reskilling?
Um dos principais obstáculos ao investimento em upskilling e reskilling continua a ser a gestão do tempo, um recurso escasso, sobretudo para profissionais em cargos de direcção e lideranças intermédias.
Outro desafio está ligado à resistência à mudança e, por vezes, à dificuldade em reconhecer a urgência da requalificação. Tal como acontece na análise económico-financeira de projectos de inovação, nem sempre é simples alinhar o retorno do investimento em formação com resultados tangíveis no curto prazo.
Como se diz frequentemente, e atribuída a Henry Ford: “é preferível assumir o risco de investir na formação de um colaborador e vê-lo sair do que não investir e vê-lo permanecer sem desenvolver as competências necessárias”. Esta reflexão continua extremamente actual e sublinha a importância de encarar a aprendizagem contínua como um investimento estratégico e de longo prazo.
Na sua perspectiva, como está a evoluir o mercado de formação avançada em Portugal?
O mercado de formação avançada em Portugal está cada vez mais global e competitivo, impulsionado pelos formatos online e pela generalização do inglês como língua de ensino e interacção profissional. Na Universitas, habituámo-nos a trabalhar com estudantes e docentes de múltiplas nacionalidades, competindo com oferta nacional, europeia e norte-americana. Paralelamente, a língua portuguesa continua a ser um activo estratégico que valorizamos e defendemos.
Com esta globalização, o mercado tornou-se mais dinâmico e exigente, com uma procura crescente por programas curtos, especializados e com impacto directo e imediato na prática profissional.
Paralelamente, a participação activa das empresas no desenho dos programas formativos tem vindo a aumentar. Na NEXT, desenvolvemos esta lógica de cocriação, que permite às organizações contribuírem para a concepção de formações à medida, que respondam a desafios específicos e integrem planos de desenvolvimento transversal a vários departamentos ou estruturas. O resultado são programas mais relevantes, aplicáveis e alinhados com as necessidades reais do mercado.
Que tendências perspectiva no ensino executivo nos próximos 5 anos?
Nos próximos cinco anos, perspectiva-se uma transformação significativa no ensino executivo, marcada pela crescente integração de tecnologias digitais e inteligência artificial. Em alguns projectos de inovação pedagógica e investigação aplicada, já é prática recorrente utilizar plataformas de criação de conteúdos formativos, com o docente a seleccionar os documentos de base para os modelos de IA e a escrutinar e validar os outputs produzidos.
A tendência é que esta realidade se aprofunde, acompanhada de uma personalização cada vez maior da aprendizagem, suportada por dados e tecnologias digitais. Os percursos formativos tornar-se-ão cada vez mais modulares, adaptados às necessidades individuais, ao incorporar simulações, ambientes imersivos e outras ferramentas que potenciem uma aprendizagem prática e experiencial.
As human skills, como liderança, comunicação, pensamento estratégico e criatividade, vão ganhar relevância crescente, o que reforçará o equilíbrio entre tecnologia e dimensão humana. Ao mesmo tempo, observamos uma convergência entre aprendizagem e experiência, com formatos que incorporam elementos de envolvimento e dinamismo, aproximando-se do conceito de edutainment, onde o ensino se torna simultaneamente eficaz, estimulante e envolvente.












































































































































































































