Flash Talk com Diana Silva, Cegid: «Uma organização verdadeiramente ‘inteligentizada’ será uma onde a tecnologia é invisível»

Para Diana Silva, directora de Marketing da Cegid em Portugal e África, o maior potencial da IA está na capacidade de libertar os profissionais de tarefas repetitivas e burocráticas, devolvendo-lhes tempo para actividades de maior valor acrescentado. É esta a premissa da campanha “Inteligentize o seu negócio”, que procura aproximar a IA das empresas através de uma mensagem centrada nas pessoas.

Tânia Reis
30 de Julho 2026 | 10:40
Flash Talk com Diana Silva, Cegid: «Uma organização verdadeiramente ‘inteligentizada’ será uma onde a tecnologia é invisível»

Por Tânia Reis

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Num contexto em que a produtividade continua a ser um desafio para muitas organizações, a inteligência artificial surge como uma oportunidade para simplificar processos, reduzir a carga administrativa e reforçar o bem-estar dos colaboradores. Através da campanha “Inteligentize o seu negócio”, a Cegid pretende incentivar empresas e líderes a repensarem a forma como o trabalho é realizado, colocando a tecnologia ao serviço das pessoas. 

A Cegid lançou a campanha com o mote “inteligentize o seu negócio”. Qual a premissa por trás?

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Com esta campanha, queremos mostrar que é possível aliviar o peso da burocracia que ainda condiciona o dia-a-dia das empresas, libertando tempo para tarefas de maior valor acrescentado. A Cegid pretende estar ao lado dos gestores nesta nova era, numa altura em que o próprio conceito de trabalho está a mudar, tornando-se mais produtivo, mas também mais humano.

O termo “inteligentize”, um neologismo criado especificamente para esta campanha, traduz precisamente essa ideia de que as empresas podem trabalhar de forma mais leve e mais eficiente através da IA. Porque o benefício da IA não se esgota na organização, é, acima de tudo, um benefício para as pessoas que nela trabalham.

Por que sentiram necessidade de a desenvolver?

Há mais de um ano que estamos a apostar fortemente no Cegid Pulse, integrado nos nossos ERPs Cegid Primavera e Cegid PHC. O Cegid Pulse assenta em dois tipos de inteligência que trabalham em conjunto: os smart assistants, que conversam, respondem e ajudam os utilizadores a decidir nas áreas de Finanças, Operações, Comercial e Recursos Humanos; e as smart actions, que agem de forma proactiva, no contexto e no momento certos, através da criação de relatórios, alertas e diagnósticos, automatizando assim tarefas do dia-a-dia.

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Esta dualidade posiciona a Cegid não como um simples fornecedor de agentes de IA, mas como um verdadeiro parceiro de negócio. Sentimos que esta tecnologia tem tido uma adesão muito positiva junto dos clientes e dos parceiros, mas era essencial reforçar a comunicação junto destes e de potenciais clientes, para que percebessem todo o potencial destas soluções e o impacto real que podem ter na sua actividade.

A campanha assenta na ideia de que a burocracia está a “envelhecer” os profissionais. Como surgiu este insight e de que forma ele reflecte a realidade das empresas portuguesas?

O conceito criativo foi desenvolvido em conjunto com a agência Service Plan. O briefing partiu precisamente da questão da burocracia e do peso que esta representa no quotidiano das organizações. Dessa reflexão nasceu a ideia central da campanha, inspirada numa expressão comum no léxico português, “estou a perder anos de vida”, que deu origem ao conceito “inteligentize o seu negócio”.

Esta é a primeira campanha desenvolvida exclusivamente para Portugal. Que especificidades da cultura laboral portuguesa procuraram reflectir nesta abordagem?

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Portugal é, para a Cegid, um mercado verdadeiramente estratégico, onde detemos uma quota de mercado superior a um terço, naturalmente também através das soluções Cegid Primavera e Cegid PHC. Mas mais importante do que isso é o facto de o desenvolvimento de IA que estamos a fazer nestes ERPs estar claramente na vanguarda. Portugal é um dos mercados onde há boa adesão a novas tecnologias, mas onde também existe um problema de produtividade.

Foi precisamente por isso que sentimos necessidade de criar uma narrativa própria, ajustada à realidade e às especificidades do nosso mercado, em vez de adaptarmos uma campanha pensada para outras geografias. Esta decisão reforça, mais uma vez, a nossa aposta no “go local”, ou seja, para fazer a diferença junto das empresas portuguesas, é preciso falar a sua língua e responder aos seus desafios concretos.

O conceito criativo utiliza a imagem do envelhecimento físico provocado por tarefas repetitivas e processos burocráticos. Que mensagem pretendem transmitir aos líderes e responsáveis de RH?

Queremos transmitir a mensagem de que a burocracia rouba tempo que poderia ser dedicado a tarefas de maior valor acrescentado, ao mesmo tempo que desgasta os colaboradores com tarefas manuais e repetitivas. Na campanha, evidenciamos precisamente esse desgaste, mas mostramos também o outro lado: um colaborador mais “inteligente”, mais leve, mais aliviado.

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Em particular, na área de Recursos Humanos, a IA pode simplificar significativamente processos como o onboarding de colaboradores, pois basta fazer o upload de um currículo para gerar automaticamente toda a ficha do colaborador. Em relação ao processamento salarial, é possível automatizar cálculos e reduzir erros. No final do dia, isto traduz-se em mais tempo para os responsáveis de RH se dedicarem às pessoas e menos tempo perdido em tarefas burocráticas.

A campanha introduz o neologismo “inteligentize”. O que significa este conceito para a Cegid e que mudança de mentalidade pretende incentivar?

É natural que em fases de transformação surjam novos termos na linguagem comum. Foi o que aconteceu, por exemplo, com o verbo “googlar” após o surgimento do Google. Nesta era da inteligência artificial, quisemos apropriar-nos de um termo próprio, e foi assim que nasceu o “inteligentize”. Com este conceito, pretendemos incentivar as empresas e os profissionais a encararem a IA como um verdadeiro superpoder ao serviço do ser humano, uma ferramenta que potencia e aumenta as capacidades de cada pessoa, em vez de as substituir.

Nos últimos anos, o debate sobre inteligência artificial tem alternado entre entusiasmo e receio. Como procura a Cegid posicionar a IA junto dos colaboradores?

Fomos pioneiros nesta matéria. Em 2024, adquirimos uma licença do ChatGPT alojada num servidor próprio, garantindo total segurança dos dados, à qual todos os colaboradores passaram a ter acesso. Desde então, as diferentes equipas têm tido acesso a formações e a licenças de várias ferramentas, consoante as suas necessidades específicas, seja no desenvolvimento de software, no suporte ao cliente ou na produção de conteúdos de marketing. Paralelamente, temos investido fortemente na formação interna em IA. A própria Cegid Academy disponibiliza diversos programas de formação nesta área, como o AIdapt, criado para apoiar as pessoas, as empresas e os colaboradores dos nossos clientes na adopção e utilização da inteligência artificial.

 

De que forma as soluções de gestão apoiadas por IA podem contribuir para reduzir o desgaste profissional, o stress administrativo e o risco de burnout nas empresas?

Estas soluções aliviam significativamente a carga de trabalho manual e repetitivo, reduzem a probabilidade de erro humano e têm um impacto directo na motivação dos colaboradores, um factor que está directamente ligado à prevenção do burnout.

A campanha associa a IA à recuperação de tempo e energia. Na prática, como é que esse tempo libertado pode ser reinvestido pelas equipas e pelas organizações?

Esse tempo pode e deve ser reinvestido em tarefas de maior valor acrescentado, nomeadamente pensar na estratégia e no futuro da empresa. É frequente ouvirmos profissionais queixarem-se de que não têm tempo para pensar estrategicamente, precisamente por estarem sobrecarregados com trabalho operacional. Ao libertar esse tempo, criamos também espaço para reforçar a relação com o cliente e para garantir um maior equilíbrio entre vida profissional e pessoal.

A preocupação com o bem-estar laboral surge como um dos pilares da campanha. Considera que as empresas já encaram a tecnologia como uma ferramenta de promoção do bem-estar ou ainda existe um caminho a percorrer?

As organizações encontram-se em estados distintos de maturidade digital. Há organizações mais avançadas, que já integram a IA de forma natural no seu dia-a-dia, e outras, a larga maioria, que estão ainda a dar os primeiros passos. Por vezes, essa diferença verifica-se mesmo dentro da mesma empresa, entre diferentes departamentos. Há, sem dúvida, um caminho a percorrer: a adopção bem-sucedida da IA exige um trabalho prévio de documentação de processos e uma gestão de mudança eficaz junto dos colaboradores.

A campanha tem presença em Portugal e Cabo Verde. Existem desafios comuns entre estes mercados no que respeita à burocracia e à transformação digital das organizações?

Cabo Verde é um país com grande proximidade à Europa e uma forte dependência do sector do turismo, mas com processos muito semelhantes aos portugueses. Tal como em Portugal, a adopção da IA depende sobretudo das pessoas, pelo que encontramos também aqui empresas a diferentes ritmos de maturidade digital. A principal diferença entre os dois mercados prende-se mais com a estrutura sectorial da economia cabo-verdiana do que propriamente com os desafios da burocracia, que são, na generalidade, idênticos aos portugueses.

Daqui a uma década, o que significará ser uma organização verdadeiramente “inteligentizada” e quais serão os principais factores de diferenciação entre as empresas que abraçarem esta transformação e as que ficarem para trás?

Na minha visão, daqui a dez anos, uma organização verdadeiramente “inteligentizada” será uma onde a tecnologia é invisível e está verdadeiramente integrada. Os colaboradores conversarão com as máquinas (por voz ou texto). Vamos passar a pedir, em vez de executar e o nível de confiança nestas tecnologias será muito elevado e a necessidade de validação humana será residual.

A grande diferença não estará apenas na tecnologia em si, porque essa será cada vez mais acessível, mas na forma como é usada. As organizações que abraçarem esta transformação vão distinguir‑se por três factores essenciais: processos bem estruturados desde a base, uma cultura orientada à aprendizagem contínua e à confiança, e uma liderança capaz de colocar as pessoas no centro da inovação. Nessas empresas, a IA não substitui o humano — potencia-o. E há um conjunto de características humanas (por exemplo as emoções ou criatividades) que se forem potenciadas, tornarão as empresas verdadeiramente resilientes e vencedoras.

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