Flash Talk com Joana Alves, B-Parts: A fórmula para recrutar, desenvolver e reter talento

A expansão internacional, a aposta em áreas como IA e análise de dados, e a necessidade de acompanhar a evolução do negócio estão a impulsionar a contratação na B-Parts. Para Joana Alves, head of People & Culture, reter colaboradores, desenvolver competências internas e preservar a cultura organizacional são prioridades que caminham lado a lado com o crescimento.

Tânia Reis
1 de Setembro 2026 | 12:20
Flash Talk com Joana Alves, B-Parts: A fórmula para recrutar, desenvolver e reter talento

Por Tânia Reis

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Num mercado de trabalho marcado pela escassez de perfis especializados e pela crescente mobilidade dos profissionais, a B-Parts aposta numa estratégia de People & Culture que combina recrutamento, formação e desenvolvimento de carreira. Com uma taxa de retenção de 98,8%, uma academia interna focada na capacitação das equipas e planos para continuar a expandir a presença internacional, a empresa procura garantir que o crescimento do negócio é acompanhado pelo fortalecimento da experiência dos colaboradores.

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A B-Parts vai reforçar a equipa em cerca de 10% até ao final do ano. O que está a impulsionar este crescimento e de que forma se enquadra na estratégia da empresa para os próximos anos?

O crescimento da equipa resulta, sobretudo, da fase de expansão e consolidação da B-Parts enquanto plataforma europeia de referência online em peças automóveis usadas. A nossa estratégia passa por fortalecer áreas-chave do negócio, expandir a presença internacional e continuar a elevar a experiência que proporcionamos aos nossos clientes. No último ano, a equipa cresceu 17%, para acompanhar esta evolução e, até ao final deste ano, prevemos ainda um reforço de cerca de 10%, dando resposta às novas necessidades do negócio e do mercado.

O foco do recrutamento manter-se-á nas áreas operacionais e estratégicas, com especial destaque para a expansão para novos mercados, inteligência artificial e análise de dados.

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O objectivo é garantir que a nossa equipa nunca limite a velocidade do negócio, assegurando o talento e os recursos certos para acelerar o crescimento.

 

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Que perfis profissionais pretendem recrutar? Existem áreas ou competências que sejam particularmente críticas para acompanhar esta fase de expansão?

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Dada a actual fase de expansão, procuramos profissionais com experiência em desenvolvimento de negócio e gestão de mercados internacionais, bem como em ambientes B2B, e com domínio de línguas como francês, italiano e polaco, em linha com os mercados que estamos a desenvolver. O conhecimento de e-commerce, as competências analíticas e a facilidade em trabalhar num contexto tecnológico em rápida evolução são também factores de destaque.

Mas, para além de responder às necessidades actuais, queremos atrair talento capaz de acompanhar a dimensão e a complexidade que o negócio terá nos próximos anos. Neste sentido, valorizamos competências como a capacidade de adaptação, o sentido de responsabilidade, a orientação para resultados, o espírito de equipa e a proatividade. Procuramos pessoas que encarem os desafios com seriedade, que saibam adaptar-se a um negócio em rápida evolução e que mantenham o foco, tanto nos seus objectivos individuais como nos objectivos comuns da equipa e da empresa.

 

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Num mercado em que a atracção de talento continua a ser um desafio, como é que a B-Parts se diferencia enquanto empregador?

Num mercado cada vez mais competitivo, acreditamos que o que nos diferencia é a combinação de três factores: um projecto sólido, oportunidades de desenvolvimento profissional e uma cultura centrada nas pessoas.

A B-Parts tem vindo a construir uma trajectória de crescimento consistente, assente num modelo de negócio que tem demonstrado capacidade de escala e de expansão internacional. Este crescimento tem sido acompanhado pela entrada em novos mercados, reforçando a nossa presença internacional e a dimensão do projecto que estamos a construir. Para quem se junta à B-Parts, isto significa integrar uma empresa com uma trajectória de crescimento sustentado e uma ambição clara para os próximos anos.

Quanto ao segundo factor, o crescimento da empresa traduz-se também em novas oportunidades para as pessoas que fazem parte da equipa. À medida que entramos em novos mercados, desenvolvemos novas áreas e incorporamos novas tecnologias, criamos espaço para os colaboradores assumirem responsabilidades, adquirirem novas competências e evoluírem profissionalmente. Procuramos, por isso, proporcionar um contexto em que cada pessoa possa crescer com o negócio e ter um papel activo na construção da próxima fase da B-Parts.

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Por fim, valorizamos muito as nossas pessoas, promovendo uma cultura assente na proximidade, no respeito, na colaboração e no bem-estar.

No fundo, queremos que quem se junta à nossa equipa encontre um projecto com futuro, onde possa ter impacto, desenvolver o seu potencial e crescer juntamente com a B-Parts.

 

A empresa opera num sector muito específico, que combina automóvel, tecnologia e economia circular. Como comunicam esta proposta de valor aos candidatos e que tipo de profissionais tem sido mais fácil, ou mais difícil, atrair?

A nossa proposta de valor assenta na combinação de três áreas: o sector automóvel, a tecnologia e a economia circular. Desde o primeiro contacto com os candidatos, procuramos mostrar que a B-Parts não se limita a comercializar peças automóveis usadas. Através da reutilização de componentes, contribuímos para prolongar o ciclo de vida dos produtos, reduzir o desperdício e diminuir a pegada carbónica do sector automóvel, permitindo que os colaboradores façam parte de um negócio que contribui activamente para a economia circular.

Em simultâneo, somos uma empresa tecnológica e de e-commerce. A gestão de um marketplace europeu, com milhões de referências e uma operação logística complexa, exige constante inovação e capacidade de adaptação, o que nos permite atrair profissionais interessados em desafios digitais e tecnológicos.

Esta combinação entre propósito, tecnologia e a dimensão de um sector global tem sido um factor que nos distingue na atracção de talento. Temos encontrado maior facilidade em atrair profissionais que se identificam com esta combinação de áreas e com a possibilidade de trabalhar num negócio com impacto. Por outro lado, os perfis mais especializados, sobretudo nas áreas de tecnologia, dados e inteligência artificial, tendem a ser mais competitivos, dada a elevada procura por este tipo de talento.

 

A retenção tornou-se uma preocupação central para muitas empresas. Quais são os principais pilares da estratégia de retenção de talento da B-Parts?

Num contexto em que o paradigma do “emprego para a vida” perde progressivamente força e em que os colaboradores procuram cada vez mais novos desafios, experiências e oportunidades de desenvolvimento, a retenção de talento torna-se uma questão cada vez mais relevante para as organizações. Na B-Parts, esta questão ganha ainda maior relevância, tendo em conta que a média de idades dos colaboradores é de 32 anos e que temos uma equipa jovem, num momento de forte crescimento e transformação.

Conscientes desta realidade, trabalhamos diariamente para manter as nossas pessoas motivadas, envolvidas e cuidadas. E temos sido bem-sucedidos: no último ano, alcançámos uma taxa de retenção de 98,8%. A nossa estratégia assenta na proximidade e na atenção: procuramos compreender as ambições de quem trabalha connosco e criar oportunidades de desenvolvimento, seja através de novos projectos, da exploração de novas áreas ou da assunção de novas responsabilidades. Tudo isto, procurando sempre manter um equilíbrio entre desenvolvimento, bem-estar e estabilidade.

Acreditamos que esta combinação fortalece a vontade de continuar a crescer, a evoluir e a construir um percurso profissional na B-Parts.

 

Que papel desempenham o desenvolvimento de carreira e a mobilidade interna na experiência dos colaboradores da empresa?

Numa equipa maioritariamente jovem e ambiciosa, o desenvolvimento de carreira e a mobilidade interna deixam de ser apenas iniciativas de RH e passam a ser factores determinantes para o envolvimento e a permanência dos colaboradores. Hoje, os profissionais valorizam progressão, diversidade de experiências e aprendizagem contínua. O nosso desafio é garantir que essa evolução continua a acontecer.

Sabemos que, quando um colaborador sente que já não está a aprender ou a ser desafiado, é natural que comece a olhar para novas oportunidades. Por isso, procuramos criar projectos com impacto, dar acesso a novas responsabilidades e envolver as pessoas em iniciativas como a expansão internacional ou a resolução de desafios operacionais complexos de e-commerce e logística.

A comunicação interna destas oportunidades é também fundamental. Quando um colaborador vê colegas a mudar de área, a assumir novas responsabilidades ou a crescer internamente, ganha confiança de que também tem espaço para evoluir. Essa mensagem reforça o envolvimento e a confiança num projecto a longo prazo.

 

A B-Parts Academy tem sido apontada como uma das apostas da empresa na capacitação das equipas. Como surgiu esta iniciativa e quais têm sido os seus principais resultados?

A B-Parts Academy surgiu da necessidade de facilitar a integração e o desenvolvimento das nossas equipas, transformando o conhecimento interno num recurso colectivo. À medida que a empresa foi crescendo, identificámos colaboradores com um conhecimento muito especializado que poderia ser partilhado com outras equipas, promovendo uma aprendizagem mais rápida e consistente: as formações são maioritariamente dadas por colaboradores da própria equipa, que partilham o seu conhecimento técnico com os colegas. A empresa tem também investido na capacitação destes formadores internos, apostando na sua certificação profissional, o Certificado de Competências Pedagógicas – CCP.

Como a maioria dos profissionais que se junta à B-Parts não conhece em profundidade o sector automóvel nem os nossos produtos, encaramos esta realidade como uma oportunidade para reforçar a nossa cultura de aprendizagem contínua. Além do impacto na formação, esta iniciativa representa também um voto de confiança nos nossos colaboradores. Ao reconhecermos a sua experiência e ao envolvê-los como formadores, promovemos a colaboração entre equipas, valorizamos o conhecimento interno e reforçamos o sentimento de pertença.

 

Que competências procuram desenvolver através da B-Parts Academy e de que forma a formação está alinhada com as necessidades futuras do negócio?

A B-Parts Academy procura desenvolver competências alinhadas com as necessidades actuais das equipas e com a evolução futura do negócio.

Os primeiros módulos tiveram um foco essencialmente técnico, abordando temas de mecatrónica, como o funcionamento de motores, sistemas de transmissão e sistemas eléctricos, bem como colisão e sistemas de segurança. Esta formação surgiu em resposta às principais necessidades identificadas pelas equipas operacionais.

À medida que o projecto evolui, temos vindo a alargar a oferta formativa a outras áreas, como análise de dados, liderança, comunicação e feedback.

O nosso objectivo é que a formação acompanhe de perto a evolução da empresa. Por isso, desenvolvemos conteúdos a partir das necessidades identificadas por cada área, procurando garantir que a formação contribui não só para o crescimento profissional das nossas pessoas, mas também para responder aos desafios futuros do negócio.

 

O crescimento da equipa está a ser acompanhado pela expansão das instalações da empresa. Que impacto terá este investimento no dia-a-dia dos colaboradores e na cultura organizacional da B-Parts?

A ampliação das nossas instalações foi pensada para acompanhar o crescimento da equipa e, ao mesmo tempo, melhorar a experiência diária dos nossos colaboradores. Um dos principais objectivos foi aumentar o número de lugares disponíveis, garantindo que as equipas têm condições para se reunir presencialmente sempre que necessário, nomeadamente através do reforço do número de salas de reuniões disponíveis.

Paralelamente, reforçámos as áreas comuns, como a copa e as zonas de convívio, criando mais oportunidades para a interacção informal e para o fortalecimento das relações entre colegas. Deste modo, duplicámos o espaço.

Mais do que aumentar a capacidade das instalações, este investimento reflecte a importância que atribuímos ao bem-estar das nossas equipas e à criação de um ambiente colaborativo, onde a proximidade e a partilha continuam a fazer parte da nossa cultura, mesmo à medida que a empresa cresce.

 

Como é que a B-Parts procura manter a proximidade, a agilidade e os valores que a caracterizam?

Preservar a cultura foi sempre uma prioridade. Acreditamos que isso se consegue, acima de tudo, através da proximidade e da comunicação. Procuramos manter canais de comunicação abertos entre equipas e diferentes níveis da organização, promovendo transparência, colaboração e um forte sentimento de pertença. Ao mesmo tempo, procuramos preservar a autonomia e a rapidez na tomada de decisão que sempre fizeram parte da nossa forma de trabalhar.

Completamos esta abordagem com iniciativas e momentos de convívio que reforçam as relações entre os colaboradores e aproximam equipas de diferentes áreas.

Acreditamos que as ligações que se criam no local de trabalho têm um impacto directo no bem-estar, no envolvimento e na retenção de talento. O nosso objectivo é garantir que, mesmo à medida que crescemos, continuamos a ser uma empresa próxima, ágil e fiel aos valores que nos caracterizam.

 

Que iniciativas têm implementado para promover o bem-estar, o engagement e o sentimento de pertença dos colaboradores numa organização em rápida evolução?

O bem-estar e o sentimento de pertença constroem-se através de um conjunto de iniciativas que acompanham a evolução da organização e que partem, acima de tudo, das necessidades reais dos nossos colaboradores, que fazemos questão de ouvir.

Entre estas iniciativas, destacamos a ampliação das nossas instalações, criando melhores condições de trabalho e mais espaços de convívio que promovem a colaboração e a proximidade entre equipas; a criação da B-Parts Academy, que incentiva a aprendizagem contínua e a partilha de conhecimento; a realização de team buildings e de reuniões de acompanhamento, que proporcionam mais momentos de proximidade, alinhamento e partilha; a renovação do seguro de saúde, reforçando os benefícios disponibilizados às equipas; e, ainda, a aposta num modelo de trabalho flexível, através do teletrabalho, que contribui para um melhor equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.

No fundo, procuramos criar um ambiente onde as pessoas se sintam ouvidas, consideradas e valorizadas, e onde tenham boas condições para fazer o seu trabalho e construir o seu percurso connosco.

 

Olhando para os próximos três a cinco anos, quais as prioridades da área de People & Culture?

A nossa prioridade, nos próximos anos, passa por garantir que o crescimento da empresa é acompanhado por uma estratégia de Recursos Humanos sólida e sustentável. Queremos continuar a desenvolver práticas que acompanhem esta evolução, sem perder a proximidade e a cultura que nos caracterizam.

O departamento de People & Culture é ainda recente, mas já conta com processos fundamentais e bem estruturados, como o recrutamento, o onboarding e a avaliação de desempenho. O próximo passo será consolidar esta estrutura e continuar a desenvolver práticas que respondam às necessidades da empresa e das nossas pessoas.

Entre as principais prioridades estão a criação de planos de carreira mais estruturados, o reforço das iniciativas de desenvolvimento de talento, a evolução da nossa política de compensação e benefícios e o investimento na estratégia de employer branding.

No fundo, queremos garantir que, à medida que a B-Parts cresce, também cresce a capacidade de criar boas experiências, oportunidades e condições para as nossas pessoas. O desafio será crescer sem perder aquilo que nos trouxe até aqui: a proximidade, a agilidade e a cultura que fazem parte da nossa identidade.

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