Flash Talk com Luís Sepúlveda, Lastlap: «É importante não olhar para o bem-estar apenas como uma ferramenta para aumentar a produtividade»

Cada vez mais, as organizações procuram experiências que promovam ligações reais entre colaboradores. É neste contexto que a Corrida das Empresas Quirónprevención chega a Portugal. Luís Sepúlveda, CEO da Lastlap Portugal, explica o que distingue este projecto.

Tânia Reis
8 de Setembro 2026 | 10:40
Flash Talk com Luís Sepúlveda, Lastlap: «É importante não olhar para o bem-estar apenas como uma ferramenta para aumentar a produtividade»

Por Tânia Reis

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Equipas que cruzam a meta juntas, rankings por funções e sectores de actividade e espaços de networking pós-prova são alguns dos ingredientes de uma iniciativa que pretende afirmar-se como um ponto de encontro para empresas e profissionais. Iniciativas deste género respondem a um desafio cada vez mais presente: criar experiências capazes de reforçar o sentimento de pertença, aproximar equipas e tornar as políticas de bem-estar mais tangíveis, defende o CEO da Lastlap Portugal.

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 A Corrida das Empresas Quirónprevención chega a Portugal. Qual o objectivo da iniciativa e quando e onde se vai realizar?

O objectivo é simples: tirar as políticas de bem-estar e cultura organizacional do papel e trazê-las para o terreno, vividas pelas pessoas e pelas equipas. Não é uma corrida convencional, mas sim a maior plataforma de team building, networking b2b e employer branding. Queremos criar um momento de encontro fora do contexto habitual de trabalho, onde seja possível reforçar relações, promover o espírito de equipa e aproximar empresas e profissionais. A estreia em Portugal acontece no dia 15 de Novembro de 2026, no Beato Innovation District, em Lisboa.

 

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O que motivou a aposta no mercado português e quais são as expectativas para esta primeira edição em Lisboa?

Portugal tem um tecido empresarial cada vez mais atento ao bem-estar das pessoas e à importância de criar culturas organizacionais mais fortes. Foi essa evolução, e a forma como as empresas portuguesas valorizam o seu capital humano, que nos levou a acreditar que este era o momento certo para trazer o evento para Lisboa.

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Em Espanha, este formato da Lastlap é um caso de sucesso consolidado há mais de 20 anos, juntando mais de 32 mil participantes e 1.600 empresas em 2025. Identificámos uma lacuna em Portugal: existiam provas desportivas avulsas, mas faltava um ecossistema corporativo estruturado que unisse saúde organizacional e relações interempresas.

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Nesta primeira edição, queremos sobretudo construir uma experiência relevante para participantes e organizações. A nossa ambição é que a Corrida das Empresas conquiste o seu espaço e passe a fazer parte, todos os anos, da agenda das equipas de Recursos Humanos, Marketing e Vendas.

 

Esta iniciativa é apresentada como uma experiência para empresas e colaboradores. O que distingue a Corrida das Empresas de outras corridas corporativas?

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O principal elemento diferenciador é que esta não é apenas uma corrida onde várias pessoas da mesma empresa participam individualmente. Aqui, a experiência é verdadeiramente vivida em equipa, do início ao fim, e assenta em três pilares. O primeiro, regra de equipa, é a própria regra de participação: as equipas, formadas por dois, três ou quatro elementos, têm de cruzar a meta juntas. Mais do que o desempenho individual, valorizamos a entreajuda, o ritmo partilhado e a capacidade de chegar ao fim enquanto equipa. No segundo, gamificação por cargos e sectores, vamos criar rankings por funções – do CFO ao profissional de Recursos Humanos, passando por designers e directores de TI, e também por sectores de actividade. É uma forma divertida de estimular uma rivalidade saudável entre colegas, funções e empresas do mesmo sector. E, por fim, Running Village e hospitalidade B2B: a experiência não termina na meta. O Running Village será um espaço de convívio e de encontro entre empresas, com áreas privadas onde poderão receber as suas equipas, organizar pequenos-almoços corporativos e criar oportunidades de networking num ambiente mais informal e próximo. É esta combinação entre desporto, espírito de equipa e relações empresariais que torna a Corrida das Empresas diferente.

 

Nos últimos anos, o bem-estar dos colaboradores ganhou um peso crescente. Que papel desempenham iniciativas como esta na promoção da saúde física e mental das equipas?

Iniciativas como esta podem funcionar como um ponto de partida muito concreto. O discurso sobre saúde mental e bem-estar não pode ficar confinado a apresentações de PowerPoint ou a benefícios intangíveis, precisa de ser vivido no dia-a-dia e precisamos de criar oportunidades para que as pessoas se encontrem, se movimentem e partilhem objectivos fora do ambiente habitual de trabalho.

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Ter uma data e uma meta comuns pode mobilizar as equipas nas semanas anteriores, incentivar hábitos mais activos e gerar momentos de entreajuda e de ligação entre colegas. Naturalmente, uma corrida não resolve, por si só, todos os desafios relacionados com a saúde e o bem-estar nas organizações. Mas pode ajudar a tornar esse compromisso mais visível, participativo e consistente.

Procurámos também criar uma experiência inclusiva, com percursos de 5 e 10 quilómetros que podem ser feitos a correr ou a caminhar. O mais importante não é o tempo alcançado, mas a preparação, o caminho percorrido em conjunto e a experiência que fica na memória da equipa.

 

Existe cada vez mais evidência de que colaboradores saudáveis e envolvidos tendem a ser mais motivados e produtivos. Como vê a relação entre actividade física, desempenho profissional e qualidade de vida no trabalho?

A relação é muito próxima. A prática regular de actividade física contribui para reduzir o stress, para o decréscimo do absentismo e melhorar os níveis de energia, a concentração e o bem-estar geral. Quando é partilhada com colegas, pode ainda quebrar barreiras, facilitar a comunicação e criar relações mais próximas, que acabam por se reflectir positivamente no ambiente de trabalho.

Mas é importante não olhar para o bem-estar apenas como uma ferramenta para aumentar a produtividade. Pessoas que se sentem bem, física e emocionalmente, têm maior capacidade para enfrentar os desafios do dia-a-dia, colaborar e manter um desempenho mais sustentável ao longo do tempo.

Empresas que integram a prática desportiva no seu ADN não estão apenas a promover saúde, estão a optimizar a sustentabilidade e a produtividade das suas operações.

 

De que forma o desporto pode contribuir para fortalecer relações entre colegas, promover o espírito de equipa e criar um maior sentimento de pertença à organização?

O desporto tem uma capacidade muito especial para aproximar pessoas e esbater hierarquias. Quando todos vestem a camisola da empresa e se colocam na linha de partida, cargos e funções ficam momentaneamente em segundo plano. O CEO, o estagiário e os restantes colegas passam a partilhar o mesmo percurso o mesmo esforço e o mesmo compromisso.

No nosso formato, essa dimensão colectiva é ainda mais evidente, porque os elementos de cada equipa têm de cruzar a meta juntos. Isso significa ajustar o ritmo, encorajar quem está a sentir mais dificuldades e perceber que o resultado depende da capacidade de cuidarem uns dos outros ao longo do caminho.

São experiências assim que criam relações mais próximas e memórias comuns. E quando as pessoas sentem que fizeram parte de algo em conjunto, reforçam-se naturalmente o espírito de equipa e o sentimento de pertença à organização.

 

Num mercado de trabalho cada vez mais competitivo, o employer branding tornou-se uma prioridade. Como contribuem iniciativas deste género na atracção e retenção de talento?

O talento actual valoriza a autenticidade e o sentido de comunidade. O employer branding constrói-se na forma como a organização cuida das suas pessoas no dia-a-dia e nos momentos de celebração que proporciona. Ver colegas e lideranças lado a lado, a representar a organização e a partilhar um momento positivo, pode gerar orgulho e reforçar o sentimento de pertença. Ao mesmo tempo, transmite ao exterior a imagem de uma empresa próxima, dinâmica e comprometida com o bem-estar das suas pessoas.

 

Que tipo de organizações estão a aderir à iniciativa?

A adesão é transversal ao tecido económico: desde multinacionais e grandes consultoras a empresas do sector energético, financeiro, seguradoras, retalho, tecnologia e PME dinâmicas. O denominador comum não é a dimensão, mas sim a visão de que investir na saúde e no espírito de equipa é uma prioridade estratégica, e não um custo acessório.

Queremos precisamente que a Corrida das Empresas seja um espaço aberto a todo o tecido empresarial, onde cada organização possa participar à sua escala e onde todas as equipas sintam que fazem parte da mesma experiência.

 

Na sua experiência, que factores determinam o sucesso de um evento corporativo destinado a fortalecer a cultura organizacional e o engagement das equipas?

Três factores críticos: a inclusão, ou seja, permitir que qualquer colaborador participe, independentemente da condição física, através de caminhada ou corrida; o propósito comum, isto é, o formato por equipas em detrimento da prova individual; e a excelência operacional e de hospitalidade – garantir conforto, segurança, boa logística e um espaço de convívio pós-prova que fomente a interacção humana.

Na minha experiência, o sucesso começa pela capacidade de fazer com que todas as pessoas sintam que podem participar. Por isso, a inclusão é essencial: cada colaborador deve poder escolher entre caminhar ou correr, respeitando a sua condição física e o seu próprio ritmo.

O segundo factor é a existência de um propósito comum. Quando o desafio é vivido em equipa e não apenas como uma competição individual, criam-se naturalmente momentos de entreajuda, proximidade e partilha que permanecem para além do evento.

Por fim, há toda uma dimensão operacional que não pode ser desvalorizada. É fundamental garantir segurança, conforto e uma organização cuidada, mas também criar um ambiente acolhedor depois da prova, onde as pessoas possam conversar, celebrar e conhecer-se melhor. No fundo, o sucesso mede-se não apenas pelo número de participantes, mas pelas relações e memórias que a experiência consegue criar.

 

Olhando para o futuro, acredita que iniciativas que combinam desporto, bem-estar e networking terão um papel cada vez mais relevante nas estratégias de Gestão de Pessoas? Porquê?

Absolutamente. O modelo de trabalho híbrido trouxe flexibilidade, mas fragmentou o sentimento de pertença e aumentou o isolamento das equipas. Os benefícios tradicionais de secretária já não chegam para reter talento. O futuro da Gestão de Pessoas passa pela criação de experiências colectivas com significado. Iniciativas que combinam desporto, bem-estar e networking permitem sair da rotina, partilhar um desafio e criar relações mais espontâneas, tanto dentro das equipas como entre empresas, geram dopamina, uma missão conjunta e criam pontes entre empresas no mesmo ecossistema. Não é apenas uma acção de bem-estar pontual, é um investimento estratégico na saúde mental, na retenção de talento e na ligação humana que nenhum ecrã consegue substituir.

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