Por Tânia Reis
Com ferramentas capazes de interpretar informação, antecipar tendências e sugerir acções, as equipas de RH têm hoje acesso a uma nova camada de inteligência organizacional. Mas esta evolução exige novas competências, maior literacia tecnológica e uma redefinição do papel dos gestores, num equilíbrio entre análise de dados e proximidade com as pessoas.
De que forma a inteligência artificial tem vindo a mudar na prática o dia-a-dia das equipas de Recursos Humanos? Que principais oportunidades identifica?
A inteligência artificial tem o potencial de revolucionar o trabalho das equipas de Recursos Humanos, e já está a fazê-lo, permitindo aos profissionais libertar tempo de tarefas operacionais e administrativas e concentrar-se em iniciativas mais estratégicas e centradas nas pessoas. Hoje, a IA já é capaz de interpretar informação, recomendar acções, detectar anomalias, fornecer indicadores-chave, gerar relatórios ou até mesmo criar ferramentas personalizadas em tempo real com base em dados das organizações e na informação ligada a outros sistemas utilizados pela empresa.
No Sesame Cowork – ambiente de trabalho inteligente da Sesame HR –, por exemplo, as equipas de Recursos Humanos, gestores e direcções podem interagir com toda a informação histórica e operacional da empresa utilizando linguagem natural, transformando informação como registos de assiduidade, ausências, avaliações, comunicações, candidatos, contratações, entre outros, em acções concretas e úteis para a organização. Esta capacidade de transformar grandes volumes de dados dispersos em informação útil para a tomada de decisão é, sem dúvida, a maior oportunidade da IA na área dos RH.
Olhando para o outro lado da moeda, que desafios traz?
Acredito que o principal desafio desta adopção é mais cultural e humano do que propriamente tecnológico. Muitas organizações estão ainda a perceber como integrar a IA de forma responsável e eficaz nos seus processos, existindo, por vezes, o risco de adoptar ferramentas sem uma estratégia clara. Ao mesmo tempo, e de acordo com conclusões da Sesame HR, apenas 18% dos profissionais manifestam confiar de forma significativa nestas ferramentas, o que pode trazer alguns obstáculos à sua implementação. Neste sentido, importa aprender a trabalhar com esta tecnologia de forma ética, mas assegurando sempre o julgamento humano em decisões que afectam directamente o percurso e o bem-estar das pessoas.
Que competências devem os profissionais de Recursos Humanos desenvolver para tirar o máximo partido destas ferramentas inteligentes?
Para tirar o maior proveito desta tecnologia importa compreender que esta é uma excelente ferramenta de apoio, mas que não deve substituir o factor humano. Competências como empatia, responsabilidade, proximidade interpessoal e capacidade de interpretação mantêm-se centrais para que as equipas de RH consigam gerir as suas equipas da melhor forma. Além disso, embora não seja necessário um conhecimento técnico profundo, os profissionais devem também compreender como funcionam estas ferramentas, quais os seus limites e como avaliar criticamente os resultados que produzem.
Como se garantem questões críticas como a ética, a privacidade e a mitigação de enviesamentos algorítmicos?
A responsabilidade deve estar presente desde o primeiro momento da concepção das soluções tecnológicas. É essencial, assim, utilizar modelos transparentes, com mecanismos de supervisão humana que garantam que os dados são tratados de acordo com os requisitos legais. Por outro lado, a IA deve apoiar a tomada de decisão, mas as decisões finais, especialmente em áreas como recrutamento, avaliação de desempenho ou desenvolvimento de carreira, devem continuar a contar com a validação humana.
Em que consiste o Sesame Cowork e com que objectivos foi lançado?
O Sesame Cowork é um ambiente de trabalho inteligente desenvolvido para transformar a forma como as empresas acedem à informação, analisam dados e gerem as suas equipas. Trata-se de uma evolução da Sesame HR que incorpora, agora, um modelo conversacional, agêntico e generativo.
O objectivo é permitir que equipas de RH, gestores e direcções interajam com toda a informação da organização através de linguagem natural, num ambiente de trabalho inteligente que transforma a informação acumulada em acções concretas e úteis para a organização.
Que impacto pode ter uma solução como o Sesame Cowork na experiência do colaborador?
Quando as equipas de RH conseguem aceder rapidamente à informação da empresa, obtendo os dados já de forma optimizada, libertam o tempo gasto em processos de baixo valor acrescentado para se focarem em tarefas realmente importantes, como o apoio real aos colaboradores e a resposta às suas necessidades.
Paralelamente, através dos insights gerados pelas ferramentas inteligentes, as equipas de RH podem personalizar experiências, antecipar desafios e promover uma gestão mais proactiva do talento. O resultado é, por isso, uma experiência mais fluida, transparente e optimizada para ambas as partes.
Que resultados concretos já conseguem demonstrar com a utilização do Sesame Cowork?
Sendo um lançamento muito recente, ainda é cedo para apresentarmos números ou métricas consolidadas. Estamos numa fase inicial de adopção e o foco tem sido garantir que a implementação é feita da forma mais sólida possível junto das organizações.
Dito isto, o que já conseguimos perceber é que o Sesame Cowork tem gerado um interesse muito significativo no mercado e a receptividade por parte das organizações e dos profissionais de RH tem sido extremamente positiva. Há uma procura clara por soluções que tornem o acesso à informação mais simples e conversacional, e sentimos que o Sesame Cowork está a responder exactamente a essa necessidade.
Que desafios têm encontrado nas organizações na adopção de ferramentas como esta e como podem ser ultrapassados?
Sem dúvida que um dos principais desafios é a resistência à mudança e a percepção de que a IA poderá substituir funções. De facto, menos de 20% dos profissionais revela confiar de forma significativa nestas ferramentas, existindo algumas reservas sobretudo em decisões de maior impacto.
A melhor forma de ultrapassar estas barreiras passa, assim, por investir na formação das equipas, demonstrar casos de utilização concretos e envolver os utilizadores desde o início do processo. Quando as pessoas compreendem como utilizar estas ferramentas e percebem que estas libertam tempo para actividades mais estratégicas, a adopção torna-se muito mais natural e reduzem-se os receios. O objectivo da utilização de IA é complementar e potenciar o trabalho das equipas, e a literacia é um passo crucial nesse processo.
De que forma está o papel do gestor intermédio e das equipas de RH a ser redefinido com o avanço da IA?
Com o avanço e utilização da IA, os gestores intermédios passam, agora, a ter acesso a informação muito mais rica e actualizada para apoiar as suas decisões. Em vez de perderem tempo a recolher dados, podem focar-se na interpretação de insights e tendências, de forma a apoiar melhor as equipas e actuar de forma mais preventiva. Além disso, o Sesame Cowork pode ligar-se a outros sistemas utilizados pela empresa, como CRM ou ferramentas financeiras, oferecendo uma visão muito mais ampla, completa e accionável do negócio.
Por outro lado, as equipas de RH assumem cada vez mais um papel estratégico de gestão da cultura organizacional, com um impacto significativo no desenvolvimento das pessoas e na experiência dos colaboradores, algo que continua a depender fortemente das competências humanas.
Olhando para o futuro do trabalho, qual acredita que será o papel destas plataformas inteligentes nos próximos três a cinco anos dentro das organizações?
Acredito que mais do que ferramentas de apoio, estas plataformas vão evoluir para verdadeiros ambientes de trabalho inteligentes, como é o caso do Sesame Cowork. A interacção com os sistemas será cada vez mais conversacional, com a IA não apenas a assistir, mas a trabalhar activamente em conjunto com as equipas para transformar o conhecimento acumulado da empresa em trabalho útil.
Ao anteciparmos esta tendência, criámos este ambiente de trabalho que funciona de forma inteligente e integrada nos fluxos de trabalho do dia-a-dia. O seu papel será cada vez mais central nas empresas, ao ajudar as equipas a tomar melhores decisões, aumentar a produtividade e transformar conhecimento disperso em informação estratégica, mantendo sempre o factor humano no centro da gestão das pessoas.














