O início do ano lectivo 2020-2021 traz muitos desafios para a comunidade escolar. Profissionais docentes e não docentes, alunos e encarregados de educação terão de se adaptar às regras estabelecidas pela Direcção Geral de Saúde, num regresso às aulas atípico. Entre várias interrogações relacionadas com o início do ano escolar, há uma que chamou a atenção do Movimento Transformers: o que vai acontecer às associações de estudantes?
Foi nessa questão que os Transformers decidiram trabalhar nos últimos meses, criando o “AElead”, um programa de apoio às associações de estudantes (AE’s) do ensino básico e secundário. Entre as várias iniciativas, inclui-se uma plataforma online, em parceria com a Associação Impact Academy, com o objectivo de apoiar e incentivar o associativismo juvenil nas escolas portuguesas, ajudando a criar e a gerir uma associação de estudantes.
Desenvolvida em versão gaming, a plataforma permite a cada AE colocar as actividades que desenvolve ao longo do tempo, com uma descrição e um número de participantes, permitindo ganhar pontos na plataforma e desbloqueando novas temáticas e novos desafios para trabalhar determina das soft-skills, à medida que se sobe de nível. Os alunos também acesso a diferentes contactos e vantagens de possíveis parceiros, de nível para nível, e, tal como uma rede social, conseguirão ver tudo o que as outras AE’s parceiras estão a organizar e entrar em contacto umas com as outras para criar parcerias, inspirarem-se ou tirarem dúvidas.
«Ao ser implementada por um município, esta plataforma fará parte de estratégia global que tem como objectivo construir associações de estudantes e juvenis com propósito e que trabalhem em rede, ao mesmo tempo que se potenciam as competências dos dirigentes associativos para que sejam os exemplos dentro das suas comunidades», explica Inês Alexandre, CEO do Movimento Transformers. «Infelizmente, sabemos que apenas um em cada 20 jovens está actualmente envolvido no associativismo em Portugal. A juntar a isto, vamos ter um ano lectivo atípico, que em nada contribui para aumentar os níveis de participação dos jovens no espaço cívico e decidimos, por isso, tentar contrariar esta tendência», acrescenta ainda a responsável pelo movimento.
O programa “AElead” contempla três fases principais, todas elas com o suporte da plataforma, a “inspiração” (com um roadshow e um hackathon “Cria a tua AE”); a “capacitação” (com um bootcamp, vários workshops e sessões de mentoria); e, por fim, a “celebração” (que termina com um encontro nacional de associações do AElead e com o Festival TNT, dinamizado pelos Transformers).
Com o intuito de ajudar os estudantes a gerir a associação, a plataforma – disponível durante todo o programa “AElead” – permite criar parcerias, angariar patrocinadores, e adquirir conhecimentos sobre legislação ou gestão de websites e redes sociais, entre outros.
«No ano lectivo passado, desenvolvemos o projecto piloto, com a Câmara Municipal de Cascais, e conseguimos perceber que, nos agrupamentos do município, 68,7% dos alunos que participaram no programa sentiu que se identificava mais com a escola e 63,2% melhorou a auto-estima. Estes são números importantes, tanto para o desenvolvimento pessoal destes estudantes, como para o desenvolvimento de competências de e para a cidadania», conclui Inês Alexandre.














