Foram criadas 24 mil entidades do sector social nos últimos 10 anos

Entre 2009 e 2019 foram criadas mais de 24 mil entidades do sector social em Portugal, uma média de quase 2 200 por ano. Ao todo, existem actualmente 68 mil entidades deste sector, que representam cerca de 10% do universo das organizações activas do país. Mais de 40% delas a registar uma idade superior a 20 anos. Os dados são da Informa D&B.

 

Os dados da Informa D&B indicam que o sector social é formado por organizações de propriedade privada sem fins lucrativos, onde se incluem 62 102 associações (91%), 5 081 entidades de cariz religioso (7%) e 598 fundações (1%). Representa 10% do universo das organizações activas em Portugal e é um sector maduro, em que mais de 40% das entidades têm uma idade superior a 20 anos.

A Informa D&B desenvolveu uma metodologia que permite classificar cada uma das entidades do sector social com base na análise dos respectivos estatutos, permitindo, assim, dar uma visão mais clara da actividade de cada entidade.

Desta forma, conclui-se que entre as associações, a maioria é de cariz cultural/social, com 76% do total. Entre estas, predominam as associações culturais e recreativas, com 28% do total, as desportivas (13%) e as de apoio social e humanitário (10%). As associações económicas/políticas correspondem a 12% do total, onde o maior número é o das organizações profissionais, com 3%, e com 2% as organizações económicas e patronais, científicas e de investigação, de desenvolvimento local e as associações agrícolas.

Nas entidades religiosas, a Fábrica da Igreja e os Centros Sociais e Paroquiais contam com o maior número de organizações, respectivamente 1 135 e 1 133. As entidades de cariz religioso têm uma idade média muito superior a todas as outras (45 anos) sobretudo as Misericórdias, com uma idade média de 95 anos.

Quanto às Fundações, a grande maioria (347) são de solidariedade social, seguidas das culturais com 94 entidades.

 

Protecção de animais, protecção civil e turismo são as áreas com entidades mais recentes
Os dados revelam ainda que apesar da idade média bastante superior à das empresas do sector privado (21 anos vs 13 anos), o sector social está a mostrar também uma capacidade de renovação que corresponde às mais recentes necessidades da população e empresas.

As áreas compostas maioritariamente por entidades mais jovens são as das associações de protecção civil, de protecção de animais e de turismo.

A distribuição regional das entidades do sector social é semelhante à da população e das empresas. Quase 40% das entidades deste sector estão nos distritos de Lisboa e Porto, que acolhem 42% da população e 46% das empresas do país. É também nestes dois distritos, que concentram os centros de decisão política e das grandes empresas, que está localizado o maior número de fundações e associações económicas e políticas.

 

Mais de um quinto das empresas contribui com donativos para o Sector Social
A Informa D&B revela ainda que entre 2014 e 2019, os donativos das empresas ao sector social atingiram quase mil milhões de euros. No último ano, mais de 20% do tecido empresarial (65 mil entidades) contribuiu para o sector social com este tipo de apoio. Quase metade das grandes empresas fizeram donativos, sendo responsáveis por 45% do montante total efectuado, com os restantes 55% a ter origem num número muito significativo de PME.

A COVID-19 coloca novos desafios de sustentabilidade a estas entidades. Segundo Teresa Cardoso de Menezes, directora-geral da Informa D&B, «com as eventuais reduções nas suas fontes de financiamento, que serão canalizados para atenuar os efeitos da crise, estas organizações terão de apelar ainda mais à responsabilidade social de todos para garantir a sua continuidade.»

O Estado desempenha também um papel importante no financiamento do sector social através da contratação de bens ou serviços, que representou um valor de 256 milhões de euros entre 2014 e 2019 (contratos públicos publicitados no Portal Base até Março de 2020). Quase metade dos montantes contratados ao sector social são efectuados pelas câmaras municipais. Entre as entidades que mais venderam ao Estado estão as associações culturais e sociais (apoio social e humanitário), científicas/investigação e humanitárias de bombeiros.

Os dados da Informa D&B indicam ainda que mais de metade (52%) das entidades do Sector Social tem um risco viability mínimo ou reduzido, com as entidades religiosas a registar o risco mais baixo e as fundações o risco mais elevado (entre 1-mínimo e 5-elevado).

Os fundos europeus recebidos pelo sector social têm um peso muito relevante na sua sustentabilidade, 63% das entidades que receberam fundos europeus têm um Risco Viability mínimo. Pelo contrário, entre as que não receberam estes fundos, apenas 19% tem risco mínimo.

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