Foram criadas 2581 novas empresas em Junho (mais do dobro que em Abril)

Em Junho deste ano nasceram 2 581 novas empresas, um número que começa a aproximar-se da tendência que se verificava no pré-Covid. O nascimento de empresas está em recuperação desde Maio, após quedas muito acentuadas em Março e Abril, sobretudo durante o Estado de emergência. Os dados são do mais recente Barómetro da consultora Informa D&B. Conheça as restantes conclusões.

 

Numa análise global ao primeiro semestre, em que foram criadas 17 932 empresas, a COVID-19 provocou uma descida no nascimento de novas empresas de 35% face ao primeiro semestre de 2019.

O recuo nos nascimentos no primeiro semestre é transversal a todos os sectores e vai desde os -28% na Agricultura e outros recursos naturais e os -42% nos Serviços Gerais. Mas a análise sectorial ao nascimento de empresas permite também detectar quais as áreas mais e menos sensíveis à COVID-19, deixando antever, a prazo, uma reconfiguração e renovação sectorial do tecido empresarial, em função dos sectores mais afectados pela pandemia e das oportunidades que poderá criar noutros setores.

O barómetro mostra que os sectores dos Transportes, Serviços gerais e Actividades imobiliárias foram os que sofreram mais com a pandemia no que toca à constituição de novas empresas. Entre Janeiro e Junho, nasceram 860 empresas no subsector do transporte ocasional de passageiros terrestres em veículos ligeiros, a maioria nos dois primeiros meses do ano, o que representa uma descida de 42% em novas empresas face aos valores do período homólogo.

Nos Serviços gerais, a queda nos nascimentos deve-se ao menor número de nascimentos nos subsectores das actividades de saúde e dos serviços turísticos. Neste período, foram constituídas 1 625 empresas nas Actividades imobiliárias, uma descida de 31% (menos 716 empresas).

Em geral, as actividades mais presenciais, como o Indústria, Grossistas, Retalho e, perderam relevância na constituição de novas empresas.

Pelo contrário, sectores onde mais facilmente se recorre ao teletrabalho como os Serviços empresariais e as Tecnologias de informação e comunicação, ganharam destaque entre as novas empresas que nasceram durante os últimos meses.

O barómetro revela ainda que em Junho encerraram 881 empresas, valor semelhante ao do mês anterior, mas inferior ao homólogo em 2019 (1079). No total do semestre encerraram 5 844 empresas, menos 1850 (-24%) que no período homólogo.

O sector dos Transportes é o único a apresentar mais encerramentos de empresas face a 2019, justificada pelo aumento dos encerramentos as empresas de Transporte ocasional de passageiros em veículos ligeiros, materializado, no entanto, apenas com mais 42 encerramentos.

Já as insolvências aumentaram, tendo sido registadas 214 novas, mais cinco do que em Maio, valores que têm vindo a subir desde Abril.

Os primeiros seis meses de 2020 registaram 1175 novos processos de insolvência, mais 4% que no mesmo período em 2019 (tendência que já se verificava nos dois primeiros meses do ano).

O barómetro alerta ainda que os valores relativos a encerramentos e a insolvências são ainda pouco esclarecedores da situação real das empresas, visto que são processos mais demorados e, no caso das insolvências, envolvem a actividade dos tribunais, que foi também afectada pela COVID-19.

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