
Fórum Económico Mundial aponta para enfraquecimento da economia global em 2026
Cerca de 53% dos economistas consultados pelo Fórum Económico Mundial acreditam que a economia global ficará mais fraca em 2026, percentagem menor que os 72% registados em Setembro, segundo um relatório publicado pela instituição.
O relatório refere que o menor pessimismo dos inquiridos justifica-se com a perspectiva para o sul da Ásia, onde 66% esperam um crescimento “forte” ou “muito forte”, impulsionado pelos números macroeconómicos da Índia, enquanto a percentagem desce para 45% na Ásia Oriental-Pacífico e para 36% no Médio Oriente.
Para os Estados Unidos, a maioria dos economistas (69%) espera um crescimento “moderado”, visão compartilhada por 47% dos inquiridos para o seu grande rival, a China, enquanto no caso da Europa a perspectiva com mais apoio (53%) aponta para um crescimento “fraco”.
Os especialistas em economia esperam que o comércio entre a China e os Estados Unidos, foco de tensões tarifárias em 2025, permaneça estável, embora a grande maioria preveja aumentos tarifários em sectores como a tecnologia chinesa exportada para os Estados Unidos ou os minerais americanos no mercado asiático.
A nível global, 94% dos especialistas consultados esperam um aumento dos acordos comerciais bilaterais, 89% acreditam que as exportações chinesas para mercados fora dos Estados Unidos crescerão e 57% prevê que o investimento estrangeiro directo nos Estados Unidos também aumente, uma percentagem que cai para 9% no caso da China.
De acordo com a instituição económica, estas respostas revelam que os reajustes comerciais serão uma das tendências determinantes para 2026, juntamente com o aumento do investimento em inteligência artificial (IA) e o problema da dívida soberana, que se aproxima de limites críticos em muitos países.
Em matéria de IA, a maioria dos inquiridos (52%) espera que as ações americanas relacionadas com esta tecnologia caiam durante o próximo ano, enquanto 40% prevê novas subidas.
Os especialistas mostram maior pessimismo em relação a activos como as criptomoedas, já que 62% antecipam novas quedas.
Dois terços dos inquiridos preveem que a IA provoque perdas moderadas de emprego nos próximos dois anos, embora, numa perspectiva de 10 anos, a percentagem desça para 57%, sendo que 32% esperam mesmo um aumento dos postos de trabalho à medida que surgem novas profissões relacionadas com aquela tecnologia.
Relativamente à gestão da dívida, que, segundo alerta o fórum, “tornou-se um desafio central para os responsáveis políticos”, quase metade dos inquiridos considera provável que ela gere uma crise da dívida soberana nos mercados emergentes.
Para combater o problema, uma ampla maioria espera que os governos recorram a uma inflação mais elevada e a aumentos de impostos para reduzir o peso da dívida.
Nos mercados emergentes, mais de metade prevê que, nos próximos cinco anos, se recorra à reestruturação da dívida ou ao incumprimento.
Os inquiridos esperam ainda que, tanto nos países desenvolvidos como nos emergentes, aumente a despesa com a defesa, bem como com infraestruturas digitais e energia, já que na maioria dos outros sectores, esperam-se níveis de despesa estáveis, com uma descida da despesa em protecção ambiental.