Fórum para a Competitividade está preocupado com impacto do abrandamento económico no emprego

Human Resources com Lusa
3 de Março 2023 | 10:40

O Fórum para a Competitividade considera «preocupante» o «efeito mais forte do que o esperado» do abrandamento económico no emprego, sublinhando que a subida da taxa de desemprego para 7,1% em Janeiro supera «todas as expectativas» para 2023.

 

Face à subida da taxa de desemprego de 6,8% em Dezembro para 7,1% em janeiro, o Fórum nota que «este valor acima dos 7% é superior a todas as expectativas para a taxa de desemprego para o conjunto de 2023 e também ultrapassa o intervalo estimado para a taxa natural de desemprego, entre 6% e 7%».

Na sua Nota de Conjuntura relativa ao mês de Fevereiro, o organismo considera que, neste contexto, se estará nos próximos trimestres «perante efeitos contraditórios: por um lado, a economia não deverá abrandar tanto, mas, por outro, o abrandamento registado está a ter um efeito mais forte no emprego do que o esperado. Para já, parece prevalecer o segundo efeito, o que é preocupante».

Apesar de o enquadramento externo estar «a melhorar», o Fórum para a Competitividade destaca que «permanece fraco e com riscos significativos, o mais incerto dos quais terá, porventura, a ver com os desenvolvimentos da guerra na Ucrânia».

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Assim, sustenta, «em geral, mantém-se a expectativa de que o crescimento em 2023 seja cerca de metade do potencial ou normal».

Relativamente à recuperação do consumo privado no primeiro trimestre deste ano, «sugerida pelos indicadores já conhecidos» e que se segue à contração de 0,5% no quarto trimestre de 2022, o Fórum diz indiciar que «o menor pessimismo está a aliviar as famílias, que estarão a aumentar as suas despesas com base numa redução da poupança».

Contudo, alerta, este aumento do consumo «baseado na queda da poupança» é um «movimento […] que não é sustentável».

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Relativamente ao investimento, o Fórum para a Competitividade acredita que «poderá prosseguir a melhoria registada no quarto trimestre, mas limitado pela trajectória ascendente das taxas de juro e dos prémios de risco».

Já as exportações «poderão beneficiar de um cenário global menos negativo, mas partindo de um crescimento muito moderado».

No que se refere à execução do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), o Fórum alerta para o «risco de o investimento público [estar a] ser sacrificado».

«O Governo parece empenhado em recuperar os atrasos na execução do PRR, havendo múltiplas promessas e medidas, restando aguardar a sua concretização e efeitos concretos. Ainda assim, temos que insistir no facto de os fundos europeus estarem a substituir o investimento público, pelo que podemos vir a ter bons resultados no PRR à custa de ainda maiores atrasos no investimento público, que tem estado fora do radar da comunicação social, dos partidos da oposição e não só», adverte.

«Por isso – acrescenta – teme-se que o resultado líquido daquela ênfase seja nulo ou pior, agravando o défice de investimento de que a economia padece há mais de uma década».

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