Gen Z está a chegar à liderança e a desafiar as regras do jogo corporativo

Os membros da Geração Z, perto dos 30 anos, estão a subir na hierarquia empresarial com as suas próprias expectativas sobre o ambiente de trabalho.

Human Resources
20 de Abril 2026 | 10:40

Durante décadas, existiu um acordo tácito: faça um bom trabalho, seja low profile, leal e será recompensado. A Gen Z não está a seguir estas regras.

«O futuro do trabalho está a caminhar a passos largos para um ponto de colisão entre as expectativas da Geração Z e a velha guarda da cultura empresarial», afirmou Anthony Onesto, vice-presidente da empresa de software de gestão de desempenho, 15Five.

«A Gen Z não tem medo de desafiar as normas. A sua abordagem em relação ao trabalho, aos limites e à transparência está a reescrever as regras.» Entretanto, afirmou que a IA está a aumentar a pressão dos conselhos de administração e dos investidores que desejam equipas mais rejuvenescidas e margens de lucro mais elevadas.

Mas os líderes devem ser cautelosos, acrescentou. Os cortes drásticos não só reduzem os custos, como também podem corroer toda a base de clientes. Esta mudança não se resume à tecnologia ou à demografia, realçou, mas a uma transformação fundamental na forma como as organizações criam e mantêm valor.

«As empresas que ignoram estas realidades terão dificuldades em reter talentos e clientes. As organizações que sobreviverem serão aquelas que reconhecerem que as pessoas não são apenas recursos a optimizar, mas sim essenciais para o próprio negócio. As exigências da Geração Z por propósito e flexibilidade não são uma tendência passageira; são o novo padrão para um ambiente de trabalho saudável nesta era.»

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A liderança da Geração Z é diferente. Eis alguns motivos:

  • Acesso quase ilimitado à informação instantânea
  • A pandemia e o trabalho remoto
  • Alguma instabilidade económica e a constatação de falências institucionais
  • As constantes mudanças tecnológicas e o surgimento da IA

«Muitos líderes da Gen X foram moldados pela escassez, pela burocracia e pelo reconhecimento tardio», disse Robert Bates, estratega empresarial. «Aprenderam a ler o ambiente, a lidar com a ambiguidade e a sobreviver em sistemas nos quais não confiavam totalmente, mas que ainda acreditavam ter de navegar.»

A Geração Z, contrapõe, entra no mercado de trabalho num cenário muito diferente. «Amadureceram dentro de ciclos de feedback público. Estão mais habituados ao acesso imediato à informação, comparação imediata e visibilidade imediata da inconsistência. Isso não os torna automaticamente mais sábios, mas torna-os menos pacientes com a liderança simbólica.»

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Os líderes mais velhos podem interpretar isto como arrogância, mas a Geração Z diria que é simplesmente um requisito de lógica e clareza. A Geração Z espera saber porque é que as decisões são tomadas.

«A tensão iminente não se resume a líderes mais velhos versus trabalhadores mais jovens; trata-se de um choque entre dois ambientes de formação de liderança», explica Bates. E essa tensão é algo que a maioria das organizações terá de enfrentar nos próximos anos.

«Um CEO da Geração X pode pensar: ‘A confiança conquista-se com o tempo.’ Um líder da Geração Z pode pensar: ‘Se o sistema é opaco, politicamente distorcido ou emocionalmente insensível, porque é que eu deveria confiar nele o suficiente para conquistar algo dentro dele?’»

Para os líderes actuais, a adaptação à chegada da Geração Z, tanto em cargos de liderança como de trabalho, começa com a reformulação de muitos estereótipos a seu respeito, garante Onesto.

«Enquanto as gerações mais velhas vêem preguiça, arrogância ou troca frequente de empregos, o que realmente está a acontecer é a definição de limites ambiciosos, uma sede de crescimento pessoal e uma exigência inegociável de equilíbrio entre a vida pessoal e profissional.»

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E aconselha: «Sejam curiosos e procurem conhecer melhor esta geração antes de tirar conclusões precipitadas ou rotular estas pessoas. O que elas procuram não são pontos fracos, mas sim estratégias de alto desempenho que elevam o padrão para todos.»

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