Geração millenial, a geração solitária, esgotada e deprimida

A “Business Insider” analisou o estado da saúde mental da geração millenial – pessoas com idade entre 23 e 38 anos. e a previsão não parece boa, pois como revela a Revistadorh a depressão e a angústia acompanham estas pessoas, principalmente devido à solidão e ao stress financeiro.

Os millenials sentem que os seus empregos têm um papel enorme em sua saúde mental. Devido às maiores horas de trabalho e aos salários estagnados, os millennials sofrem com taxas mais altas de desgaste do que as outras gerações, tendo muitos deles abandonado o emprego por motivos psicológicos.

A geração millenial está a atravessar um “choque à saúde”, em grande parte alimentado por um declínio na sua saúde mental.

Um relatório recente da Moody’s Analytics descobriu que os millennials veem a sua saúde física e mental diminuir a um ritmo mais rápido do que a geração X à medida que envelhecem. Sem tratamento adequado, os millennials podem ter um aumento de 40% na mortalidade em comparação com a geração X da mesma idade, segundo o relatório.

A saúde psicológica — aumento nas taxas de depressão, hiperatividade (como ansiedade ou TDAH) e abuso de substâncias– é um factor-chave no “choque à saúde” entre a geração Y (como também os millenials são conhecidos), de acordo com o relatório. Os choques na saúde, conforme definidos pela Organização Mundial da Saúde, são «doenças imprevisíveis que diminuem o estado de saúde».

Estão documentados choques de saúde em termos de mortalidade desde 1960. A situação é comparável aos efeitos que a Guerra do Vietname e o uso recreativo de drogas tiveram na Geração dos Baby Boomers, segundo o relatório.

A depressão está em ascensão

Os diagnósticos de depressão estão a aumentar a uma taxa mais rápida entre a Geração Y, em comparação com qualquer outra faixa etária. Desde 2013 que esta geração regista um aumento de 47% nos diagnósticos de depressão. A taxa geral aumentou de 3 para 4,4% entre as idades de 18 e 34 anos.

O sintoma mais proeminente da depressão maior é «um humor grave e persistente, uma tristeza profunda ou uma sensação de desespero», segundo a Harvard Medical School.

Estas descobertas apareceram novamente no relatório da Moody’s, que constatou que a depressão tem maior prevalência entre os millenials.

Aumentam as mortes por uso de drogas, ou álcool e suicídio 

Mais millennials também a morrer devido de drogas, álcool e suicídio, segundo a “Time” de Junho de 2019, citando um relatório dos grupos de saúde pública Trust for America’s Health and Well Being Trust.

Embora estas mortes tenham aumentado em todas as idades nos últimos 10 anos, elas aumentaram mais entre os americanos mais jovens. As causas referidas levaram à morte mais de 36 mil norte-americanos jovens em 2017.

Stress financeiro é um factor

Estudos descobriram uma correlação entre pessoas com dívidas e problemas de saúde mental. Embora esta pesquisa não possa identificar causalidade, a probabilidade de ter um distúrbio de saúde mental é três vezes maior os que têm dividas, de acordo com uma análise da Clinical Psychology Review. Pessoas que morreram devido suicídio tinham um perfil de crédito de alto risco e baixa probabilidade de pagamento dos seus compromissos financeiros oito vezes maior.

O desequilíbrio financeiro leva apenas um a cada cindo millenials a procurarajuda profissional, o que agrava ainda mais a sua saúde mental.

Millenials são solitários

Os millenials nem sempre têm alguém com quem partilhar os seus problemas — são menos propensos a ter apoio social do que outras gerações, pois casam-se mais tarde e estão menos ligados a comunidades políticas ou religiosas. De facto, uma pesquisa realizada pelo governo norte-americano descobriu que os millenials são a geração mais solitária até agora. Dos entrevistados (1254 norte-americanos no total) 30% dos millennials disseram que sempre ou muitas vezes se sentiram sozinhos, em comparação com 20% da Geração X e 15% dos Baby Boomers. Muitos millennials referiram pesquisa que não têm conhecidos, amigos íntimos ou melhores amigos.

Burnout: problema de geração

A Organização Mundial da Saúde classificou recentemente o burnout como uma “síndrome”, legitimando clinicamente a condição pela primeira vez.

Este é um problema crescente no local de trabalho devido a tendências como o aumento da carga de trabalho, por um lado e por outro, equipas e recursos limitados que levam à exigência por longas jornadas laborais.

Os millennials relataram que sofrem com maiores taxas de desgaste do que as outras gerações; num artigo do BuzzFeed de Janeiro de 2019 que se tornou viral, Anne Helen Petersen aplicou o termo “geração do burnout”.

Peterson atribuiu o fenómeno à criação dos Millennials, ao ambiente económico em que cresceram, às redes sociais e à ansiedade por actividades fáceis e directas.

Por fim, um estudo realizado pela Harvard Business Review, que analisou os desafios e os estigmas da saúde mental no local de trabalho dos EUA, entrevistou 1500 pessoas com 16 anos ou mais que trabalhavam em período integral.

A pesquisa apontou que, pelo menos 20% dos millenials, declarou ter deixado o trabalho por razões relacionadas com a sua saúde mental.

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