Geração millenial, a geração solitária, esgotada e deprimida

Sandra M. Pinto
16 de Setembro 2020 | 12:31
Geração millenial, a geração solitária, esgotada e deprimida

A “Business Insider” analisou o estado da saúde mental da geração millenial – pessoas com idade entre 23 e 38 anos. e a previsão não parece boa, pois como revela a Revistadorh a depressão e a angústia acompanham estas pessoas, principalmente devido à solidão e ao stress financeiro.

Os millenials sentem que os seus empregos têm um papel enorme em sua saúde mental. Devido às maiores horas de trabalho e aos salários estagnados, os millennials sofrem com taxas mais altas de desgaste do que as outras gerações, tendo muitos deles abandonado o emprego por motivos psicológicos.

A geração millenial está a atravessar um “choque à saúde”, em grande parte alimentado por um declínio na sua saúde mental.

Um relatório recente da Moody’s Analytics descobriu que os millennials veem a sua saúde física e mental diminuir a um ritmo mais rápido do que a geração X à medida que envelhecem. Sem tratamento adequado, os millennials podem ter um aumento de 40% na mortalidade em comparação com a geração X da mesma idade, segundo o relatório.

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A saúde psicológica — aumento nas taxas de depressão, hiperatividade (como ansiedade ou TDAH) e abuso de substâncias– é um factor-chave no “choque à saúde” entre a geração Y (como também os millenials são conhecidos), de acordo com o relatório. Os choques na saúde, conforme definidos pela Organização Mundial da Saúde, são «doenças imprevisíveis que diminuem o estado de saúde».

Estão documentados choques de saúde em termos de mortalidade desde 1960. A situação é comparável aos efeitos que a Guerra do Vietname e o uso recreativo de drogas tiveram na Geração dos Baby Boomers, segundo o relatório.

A depressão está em ascensão

Os diagnósticos de depressão estão a aumentar a uma taxa mais rápida entre a Geração Y, em comparação com qualquer outra faixa etária. Desde 2013 que esta geração regista um aumento de 47% nos diagnósticos de depressão. A taxa geral aumentou de 3 para 4,4% entre as idades de 18 e 34 anos.

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O sintoma mais proeminente da depressão maior é «um humor grave e persistente, uma tristeza profunda ou uma sensação de desespero», segundo a Harvard Medical School.

Estas descobertas apareceram novamente no relatório da Moody’s, que constatou que a depressão tem maior prevalência entre os millenials.

Aumentam as mortes por uso de drogas, ou álcool e suicídio 

Mais millennials também a morrer devido de drogas, álcool e suicídio, segundo a “Time” de Junho de 2019, citando um relatório dos grupos de saúde pública Trust for America’s Health and Well Being Trust.

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Embora estas mortes tenham aumentado em todas as idades nos últimos 10 anos, elas aumentaram mais entre os americanos mais jovens. As causas referidas levaram à morte mais de 36 mil norte-americanos jovens em 2017.

Stress financeiro é um factor

Estudos descobriram uma correlação entre pessoas com dívidas e problemas de saúde mental. Embora esta pesquisa não possa identificar causalidade, a probabilidade de ter um distúrbio de saúde mental é três vezes maior os que têm dividas, de acordo com uma análise da Clinical Psychology Review. Pessoas que morreram devido suicídio tinham um perfil de crédito de alto risco e baixa probabilidade de pagamento dos seus compromissos financeiros oito vezes maior.

O desequilíbrio financeiro leva apenas um a cada cindo millenials a procurarajuda profissional, o que agrava ainda mais a sua saúde mental.

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Millenials são solitários

Os millenials nem sempre têm alguém com quem partilhar os seus problemas — são menos propensos a ter apoio social do que outras gerações, pois casam-se mais tarde e estão menos ligados a comunidades políticas ou religiosas. De facto, uma pesquisa realizada pelo governo norte-americano descobriu que os millenials são a geração mais solitária até agora. Dos entrevistados (1254 norte-americanos no total) 30% dos millennials disseram que sempre ou muitas vezes se sentiram sozinhos, em comparação com 20% da Geração X e 15% dos Baby Boomers. Muitos millennials referiram pesquisa que não têm conhecidos, amigos íntimos ou melhores amigos.

Burnout: problema de geração

A Organização Mundial da Saúde classificou recentemente o burnout como uma “síndrome”, legitimando clinicamente a condição pela primeira vez.

Este é um problema crescente no local de trabalho devido a tendências como o aumento da carga de trabalho, por um lado e por outro, equipas e recursos limitados que levam à exigência por longas jornadas laborais.

Os millennials relataram que sofrem com maiores taxas de desgaste do que as outras gerações; num artigo do BuzzFeed de Janeiro de 2019 que se tornou viral, Anne Helen Petersen aplicou o termo “geração do burnout”.

Peterson atribuiu o fenómeno à criação dos Millennials, ao ambiente económico em que cresceram, às redes sociais e à ansiedade por actividades fáceis e directas.

Por fim, um estudo realizado pela Harvard Business Review, que analisou os desafios e os estigmas da saúde mental no local de trabalho dos EUA, entrevistou 1500 pessoas com 16 anos ou mais que trabalhavam em período integral.

A pesquisa apontou que, pelo menos 20% dos millenials, declarou ter deixado o trabalho por razões relacionadas com a sua saúde mental.

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