Gestão de Pessoas: alinhar estratégia e equipas em contexto de disrupção

Human Resources
5 de Março 2026 | 11:00

Por Teresa Lopes Gândara, Human Capital Senior director na Noesis

 

Desde o início do ano, Portugal tem enfrentado uma sucessão de depressões e tempestades – Ingrid, Joseph, Kristin e Leonardo – e o mau tempo deixou de ser um imprevisto pontual na Gestão de Pessoas, para se tornar uma perturbação com impacto. Liderar implica, também, saber responder a contextos de disrupção cada vez mais frequentes, sejam eles meteorológicos, tecnológicos ou operacionais.

Numa organização com equipas distribuídas por várias regiões, os episódios meteorológicos não têm um impacto uniforme: falhas de energia, constrangimentos nos transportes, limitações nas comunicações, ou até situações pessoais e familiares afectam as equipas de forma distinta, exigindo decisões ajustadas a cada realidade.

Em cenários de crise, o primeiro reflexo de muitas empresas continua a ser garantir a continuidade operacional a qualquer custo. No entanto, a verdadeira eficácia da liderança mede-se pela capacidade de equilibrar o desempenho com a protecção das pessoas. Liderar não é exigir presença constante nem níveis de produtividade inalterados, mas sim definir critérios claros de decisão, reduzir a exposição ao risco, privilegiando, por exemplo, o teletrabalho, e ajustar as expectativas às condições reais que as equipas enfrentam no terreno.

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Neste contexto, não há espaço para improvisar, o que torna as lideranças intermédias um pilar ainda mais importante, contribuindo para alinhar prioridades e influenciar decisões ajustadas à realidade das equipas. A comunicação é igualmente determinante. É fundamental garantir orientações claras, consistentes e frequentes, que reduzam a incerteza e evitem desalinhamentos perante constrangimentos operacionais e pessoais.

Do ponto de vista da Gestão de Pessoas, a equidade deve prevalecer sobre respostas uniformes que ignoram as diferenças entre equipas e localizações. Exige-se maior flexibilidade na organização do trabalho, agilidade na tomada de decisões e objectivos ajustados ao contexto real em que cada equipa opera. Importa também afastar a cultura do “heroísmo”, reconhecendo que a resiliência não significa manter ritmos inalterados a qualquer custo, mas sim tomar decisões proporcionais, proteger as pessoas e assegurar condições de trabalho sustentáveis.

Momentos como os que vivemos recentemente, são também um teste às lideranças e à cultura organizacional. Quando existe clareza nas decisões, solidariedade, empatia, proximidade na gestão e, sobretudo, confiança nas equipas, a organização responde com maior consistência, protege as pessoas e assegura a continuidade da actividade de forma responsável e sustentável.

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