89% dos trabalhadores portugueses mostram-se disponíveis para trabalhar remotamente a partir de um município diferente daquele em que vivem agora caso a oportunidade surgisse e encontrassem as condições ideais nesse local, sendo que no distrito do Porto, este número ascende aos 91%. A conclusão é do estudo «Impacto da pandemia nos hábitos laborais» da Bloom Consulting.
Se nos focarmos apenas nos trabalhadores, 73% afirma que não quer ter um trabalho 100% presencial e apenas 31% afirma um desejo de voltar a trabalhar no seu escritório ou local de trabalho habitual a tempo inteiro.
Já 27% dos cidadãos portugueses afirma que queria trabalhar de forma 100% remota enquanto 42% dos trabalhadores portugueses gostaria de ver implementada uma solução híbrida, combinando escritório e trabalho remoto.
Em relação às espectativas específicas destes trabalhadores, poder-se-á dizer que há também uma grande vontade para que se mude o paradigma, com apenas 23% a afirmar que gostaria que o seu local de trabalho voltasse exactamente ao que era antes do período da pandemia.
O estudo mostra que cerca de 37% dos portugueses afirma que a pandemia mudou completamente a forma como encaram o trabalho e como vivem as suas vidas, 47% afirmou que apesar de sentirem esta mudança, não o fazem de forma tão radical, sendo este impacto definido como parcial.
Para 14% dos cidadãos nacionais, a forma como olham para o trabalho e o seu estilo de vida não foi afectada significativamente pela pandemia, sendo que 2% não consegue ainda medir este impacto.
Não se pode falar numa diferença significativa nas tendências quando comparadas geografias ou géneros, no entanto percebemos que o desejo de um modelo híbrido de trabalho (escritório + trabalho remoto) é mais proeminente entre os grupos etários mais jovens, entre os 18 e 24 anos, entre os 25 e 34 anos e entre os 35 e 44 anos, sendo que as gerações acima dos 45 se mostram mais resistentes a esta nova tendência laboral.
Para Filipe Roquete, director-geral da Bloom Consulting Portugal, «estes dados são reveladores dos efeitos da pandemia no estilo de vida e na forma como os portugueses olham para a sua actividade profissional, uma visão que não se limita a um pequeno ajuste conforme as regras, restrições e necessidade de adaptabilidade em certos momentos desta situação em que vivemos, mas sim a uma profunda mudança que influenciará as decisões de onde viver, onde trabalhar e, acima de tudo, a exigências aos executivos locais para que os locais onde vivem e trabalham correspondam às novas expectativas».














