Governo aplica salário mínimo no Estado e aumenta em 10 euros escalão seguinte

Human Resources com Lusa
4 de Janeiro 2021 | 17:55

O Governo vai aplicar este mês o salário mínimo de 665 euros na Administração Pública e subir de 693 para 703 euros a remuneração seguinte, mas os sindicatos consideram insuficiente porque a generalidade dos trabalhadores fica sem actualização.

 

Após a ronda de reuniões que se realizou durante a manhã com o secretário de Estado da Administração Pública, José Couto, as três grandes estruturas sindicais que representam os funcionários públicos nas negociações foram unânimes em considerar que a proposta do Governo é insuficiente, por deixar a maioria dos trabalhadores sem qualquer actualização remuneratória, dado que se limita praticamente a aplicar o valor do novo salário mínimo nacional (SMN).

O SMN passou de 635 euros para 665 euros em 1 de Janeiro de 2021 e todos os empregadores são obrigados a respeitá-lo.

Nesse sentido, Jorge Couto apresentou aos sindicatos uma proposta para alterar a remuneração mais baixa da função pública dos actuais 645 euros para 665 euros, ou seja, mais 20 euros.

Continue a ler após a publicidade

No âmbito da mesma proposta, o escalão remuneratório seguinte passará de 693 euros para 703 euros, e os restante ficam inalterados.

«Nós não concordamos com esta proposta e reafirmamos a necessidade de aumentos salariais para todos, assim como da revisão da Tabela Remuneratória Única (TRU)», disse à agência Lusa Sebastião Santana, coordenador da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública.

O sindicalista lembrou que a sucessiva falta de aumentos salariais levou a que as primeiras posições remuneratórias fossem sendo absorvidas por efeito da aplicação do valor do SMN.

Continue a ler após a publicidade

Segundo Sebastião Santana, isto fez com que os trabalhadores que estavam distribuídos pelos quatros primeiros escalações estejam a ganhar todos o mesmo, independentemente da antiguidade, posição na carreira ou funções, “o que não é justo”.

Para Maria Helena Rodrigues, presidente do Sindicato dos Quadros e Técnicos do Estado (STE), que lidera a Frente Sindical, a reunião de hoje não serviu para nada, porque o Governo apenas está a cumprir a lei, aplicando o novo SMN.

«O Governo não apresentou nada de novo, limitou-se a apresentar uma portaria idêntica à do ano passado, para aplicar o SMN, mas está completamente a subverter a TRU, cuja primeira posição teria de ser igual ao salário mínimo, mas, com a prática seguida, este valor já está na quinta posição remuneratória», disse a sindicalista.

Para a presidente do STE, a proposta do Governo nem sequer pode contribuir para a recuperação económica do país, porque os funcionários públicos não vão ter capacidade para incrementar o consumo nem poupar.

«Ninguém ganha nada com isto, como é que o Governo pretende recuperar a economia em 2021 se os trabalhadores não têm salários para aumentar o consumo ou a poupança. Para o STE isto é zero e não é notícia», disse, lamentando que o Governo nem sequer tenha querido dar um sinal, aumentando o subsídio de refeição, que é de 4,77 euros diários.

Continue a ler após a publicidade

Uma nova reunião entre o Governo e as estruturas sindicais que representam os trabalhadores da Administração Pública está agenda para a próxima quarta-feira.

Partilhar


Mais Notícias