Segundo a publicação, é preciso recuar a meados de 2012 para encontrar um universo superior em número: havia cerca de 720,2 mil trabalhadores nessa altura. Depois da forte destruição de emprego público que aconteceu durante os anos do programa de ajustamento e da troika, desde finais de 2017 que a tendência é notoriamente crescente.
A política de recursos humanos também mudou nos últimos anos, mesmo antes da bancarrota. O Estado e os restantes serviços públicos começaram a modernizar-se e a aplicar políticas para elevar o nível de qualificações e contrariar o crescente envelhecimento desta força de trabalho.
O Dinheiro Vivo revela que o tempo de crise pandémica veio tornar ainda mais evidente este tipo de objectivos, sobretudo à luz da falta de meios humanos que já se sentia (até antes de aparecer o coronavírus) em áreas centrais do combate à crise, como o Serviço Nacional de Saúde, mas também a escola pública.
O Orçamento diz que «em 2021, prevê-se um substancial rejuvenescimento dos quadros da administração pública devido à aplicação da regra de pelo menos uma entrada por cada saída». Ou seja, por cada saída por motivos de aposentação ou outros haverá pelo menos uma entrada, uma contratação. E, diz o governo, preferencialmente de pessoas mais jovens e qualificadas.
Esse rejuvenescimento dos quadros da função pública reflecte «a entrada dos trabalhadores seleccionados no primeiro processo de recrutamento centralizado e o programa de estágios nas Administrações Central e Local», diz o governo.
Ontem, na conferência de imprensa de apresentação do novo Orçamento, o ministro João Leão referiu que a contratação de 4200 novos profissionais para o Serviço Nacional de Saúde está a andar e vai custar 100 milhões de euros em 2021. Também na saúde, o ministro acenou com seis milhões de euros adicionais para reforçar as equipas do INEM com mais 260 profissionais.
E não esqueceu a Educação. O OE2021 prevê um aumento de 3000 assistentes operacionais para as escolas, medida que custará 35 milhões de euros, contabilizou João Leão.
Em termos gerais, enquanto a despesa total do novo OE cresce cerca de 1,9%, a despesa com pessoal aumenta substancialmente mais. As Finanças calculam que suba 3,5% no ano que vem, atingindo os 24,6 mil milhões de euros, o equivalente a quase 12% do produto interno bruto (PIB).