Com 82 anos de história, o Grupo Renascença multimédia tem na sua agenda a identificação, o desenvolvimento e a mobilização do talento interno, assim como a promoção do comprometimento e do bem-estar dos colaboradores, visando continuar na vanguarda do sector em portugal.
São estas, actualmente, as prioridades que Carla Caracol assume enquanto directora de Recursos Humanos do Grupo Renascença Multimédia. Aceitou este desafio – «inesperado e surpreendente, dado que a Comunicação Social pouco tem em comum com a Banca e Seguros, sector onde tinha desempenhado funções por mais de uma década» – porque os valores corporativos estavam alinhados com a sua forma de estar, pessoal e profissionalmente. E foi precisamente a «transparência, ética, respeito e preocupação com o outro que sobressaíram numa primeira impressão. E renova-a todos os dias, «porque faz parte do ADN do Grupo Renascença Multimédia»
Sendo a sua experiência anterior numa área bastante diferente, quais diria que são as particularidades de gerir pessoas num grupo de comunicação?
Efectivamente, é uma realidade consideravelmente diferente da da Banca e Seguros. O sector da Comunicação Social é altamente competitivo, volátil e ágil, o que requer uma maior predisposição para práticas de gestão menos formalizadas e mais próximas das pessoas. Mas, para além desse contexto lato no que respeita ao mercado, no Grupo Renascença Multimédia o desafio era também enquadrar a Gestão de Pessoas, para além das áreas de suporte ao negócio transversal, as decorrentes da existência de quatro rádios – Renascença, RFM, Mega Hits e Sim – , uma empresa de organização e promoção de eventos (Genius Y Meios) e outra empresa de comercialização dos espaços publicitários do Grupo (Intervoz), cada uma das quais com posicionamento no mercado, públicos-alvo, realidade funcional e perfis diferenciados.
Tendo em conta esse contexto, quais foram os principais desafios com que se deparou?
Um dos principais desafios decorreu da necessidade de aculturação a essa nova realidade organizacional, de forma a conhecer o negócio, toda a sua terminologia mais técnica e 82 anos de história. Seria altamente improvável conseguir manter uma comunicação com todas as áreas do Grupo sem conhecer de A a Z. Todas as suas idiossincrasias, procurando aprender com quem se dedica ao negócio há muitos anos e tem experiência e saber acumulados. Simultaneamente, um dos desafios na área de Gestão de Pessoas era simplificar processos e práticas internos, procurando libertar a equipa da direcção para outros processos de cariz mais estratégico.
O que definiu como acções prioritárias e que objectivos se propôs atingir?
Aquando da minha entrada no Grupo Renascença Multimédia, a prioridade era revisitar todos os processos administrativos inerentes à Gestão de Pessoas, procurando criar sinergias e aprimorar procedimentos, recorrendo aos suportes tecnológicos disponíveis, garantindo a sua proficiência ao nível da eficácia e eficiência. E, em simultâneo, tinha como objectivo conceber, desenvolver e implementar acções de cariz mais estratégico, alinhadas com o negócio.
Passados mais de dois anos, que balanço faz? O que já está ultrapassado, o que está em curso, e que novos desafios surgiram entretanto?
O balanço destes dois anos de Grupo Renascença Multimédia é muito positivo. Não poderei dizer que os objectivos iniciais foram completamente atingidos, pois a velocidade, intensidade e premências quotidianas são comuns, obrigando-nos a uma contínua flexibilidade. No entanto, diria que a componente administrativa de Recursos Humanos está em fase de “limar arestas” e que, decorrente desse posicionamento estratégico alinhado entre o modelo de negócio e as Pessoas, desafios como a identificação, desenvolvimento e mobilização das competências detidas no Grupo, assim como a promoção do comprometimento e do bem-estar dos colaboradores, estão na agenda de trabalho, visando continuar na vanguarda do sector em Portugal.
Os grupos de comunicação têm passado por uma grande transformação, muito motivada pela “revolução digital”. Como têm endereçado este tema?
Não é um tema exclusivo da Gestão de Recursos Humanos, servindo esta área como facilitadora para a obtenção de resultados, através da mobilização das pessoas. A sustentabilidade do negócio rádio passa pela alteração do conceito tradicional, baseado exclusivamente em áudio, estando presente nas várias plataformas digitais, incluindo aplicações, o que implica uma agilidade organizacional que impacta ao nível das políticas, processos e práticas de gestão, mas também na própria experiência de trabalho das nossas pessoas. Esta digitalização do negócio tem conduzido assim o Grupo a uma aposta no que respeita à atracção de talento, mas, igualmente, à identificação de talento interno detido, que possa ser desafiado em termos funcionais, através de eventual mobilidade, e, a título de exemplo, aproveitando naturalmente o know-how detido para, através de estratégias de mentoria informal, termos uma partilha geracional.
Quais os pilares estratégicos da Gestão de Pessoas no Grupo Renascença?
São sobretudo três: garantir uma visão comum, abrangente e integrada do negócio, em todas as suas vertentes e numa perspectiva multimarca; optimizar os nossos talentos, reforçando a sua autonomia, pró-actividade, flexibilidade e agilidade; e desenvolver competências através de formação, de cariz formal e/ ou informal, capacitando as nossas pessoas para os desafios, actuais e futuros, do mercado, nunca esquecendo a nossa missão de rádios católicas.
Assumimo-nos como uma learning organization. Esta condição é essencial para conseguirmos antecipar as necessidades do mercado, de forma a fidelizarmos audiências e a conquistar novos ouvintes. Isso só se consegue com rádios “vivas”, que transmitam sentimentos e emoções, de forma a conseguirem colocar os ouvintes a vivenciarem a experiência transmitida em antena. Ora, o sucesso deste pressuposto passa por ter colaboradores que consigam concretizar tudo isso, de forma natural, pelo que o desafio é que estes, para além de serem tecnicamente competentes, sejam movidos por paixão e entusiasmo.
O que acredita que vos distingue e torna um bom local para trabalhar?
Trabalhar no Grupo Renascença Multimédia é um privilégio, sobretudo porque, pautando a sua gestão e práticas quotidianas por valores como a integridade, honestidade, respeito pelo próximo e solidariedade, ética e deontologia, toda e qualquer decisão é sempre tomada em consciência do bem comum, em linha com a Doutrina Social da Igreja.
E têm comunicado isso? Ou seja, têm trabalhado a vossa “marca de empregador”?
O Employer Branding é cada vez mais um factor distintivo no que respeita à gestão do talento, pelo que a sua importância é crescente. O Grupo Renascença Multimédia tem essa percepção e aposta no seu reforço sob duas formas: por um lado, continuar a ser uma marca altamente credível, fidedigna e reconhecida no mercado – à data, em 2019, as suas marcas e/ou colaboradores já conquistaram 20 prémios – e, por outro lado, através dos seus colaboradores, os quais são os nossos principais embaixadores.
O que caracteriza a vossa cultura corporativa? Numa altura em que muitas empresas sentiram necessidade de se reinventar, isso também aconteceu no Grupo Renascença?
O Grupo Renascença Multimédia, em linha com o mercado, também teve de se reinventar, na medida em que os consumidores de rádio têm vindo, também eles, a reinventar os seus comportamentos de consumo. A inovação é um “must do” no Grupo!
A nossa cultura corporativa está sustentada em eixos estratégicos fortes, mas suportados por uma agilidade ao nível da gestão, que permita uma adaptação rápida em tempo real às novas necessidades. E a condição de sucesso para a sua concretização está assente numa liderança que tem como principal foco o colaborador, assumindo-o individualmente como parte crítica para a colaboração e solidariedade no Grupo.
Têm sentido necessidade de integrar novos perfis na empresa para dar resposta a essas novas necessidades?
Mais do que integrar novos perfis, a necessidade emergente é a de determos internamente competências e conhecimentos que, não há muito tempo, o mercado não pedia. A título de exemplo, os nossos colaboradores serem influenciadores, contribuindo para a fidelização da sua audiência ao programa e à marca, estando presentes, com qualidade, em todas as plataformas disponíveis.
Quais as características que privilegiam nas vossas pessoas?
Para além da competência, a confiança, o sentimento de pertença ao Grupo, a capacidade de adaptação, a vontade de contribuir para um bem comum, a pró- -actividade e resiliência, entre outras.
Que tendências e desafios antecipa para os Gestores de Pessoas? Acha que o vosso papel está a mudar?
Creio que o mercado pede cada vez mais uma multiplicidade de know-how e skills que não se coadunam com os tradicionais descritivos funcionais, até porque é nessa complementaridade que a criatividade é exponenciada e aparecem soluções inovadoras e disruptivas, que acrescentam valor aos produtos e/ou serviços das organizações. Decorrente deste contexto, os gestores de pessoas devem procurar também sair da sua zona de conforto, auto-questionando-se sobre as tendências do mercado, de forma a passarem a adoptar uma postura mais pró-activa, sendo facilitadores do diálogo permanente e sistemático entre pessoas de diferentes proveniências, contextos e personalidades, através da promoção da simplificação das relações, tendencialmente menos hierarquizadas.
Da sua carreira até à data, qual o principal ensinamento que destacaria?
Acreditar sempre que se consegue concretizar o sonho… com espírito de sacrifício, detendo as competências e o kow- -how adequados, tendo consciência dos pontos fortes e humildade para reconhecer os aspectos a melhorar, tendo determinação e energia para trabalhar muito para além daquilo que nos é pedido.
O seu percurso na Renascença é relativamente recente, mas, um dia que saia para abraçar um novo desafio, que legado gostaria de deixar?
No Grupo Renascença Multimédia, assim como em todas as empresas nas quais tive o prazer de colaborar, gostaria apenas de ser recordada como alguém que ajudou a construir o negócio através da mobilização das suas pessoas, procurando que estas se sintam impelidas a agir com paixão, encontrando significância para o seu quotidiano profissional.
Como descreveria um dia “típico” seu no Grupo Renascença?
Para ser sincera não existe, ainda, um dia “típico” no meu quotidiano no Grupo Renascença Multimédia. São tantos os projectos em curso que não me posso queixar de qualquer monotonia ou rotina. Posso no entanto afirmar, com toda a certeza, que são dias muito preenchidos e prazerosos, tendencialmente de porta aberta para todos os colaboradores.
O que a motiva no dia-a-dia profissional?
A paixão que tenho pela vida, pelo que faço e com quem me relaciono. É mesmo uma missão.
Tem alguma máxima de vida?
Tenho plena noção de que não conseguirei mudar o mundo, mas, dentro daquilo que é o meu pequeno microcosmos, procuro “mover montanhas” para contribuir para o bem-comum. Tal como afirma o Papa Francisco: «Como seria belo se cada um de nós pudesse, ao fim do dia, dizer que hoje realizou um gesto de amor pelos outros.» É isso que procuro, não deixando nada por fazer nem por dizer… o agora é certo, o amanhã pode não ser, portanto, para quê esperar?














