Guerra e cibercrime entre as maiores ameaças empresariais em 2026

Os riscos políticos e de violência subiram para a sétima posição no Allianz Risk Barometer 2026, a classificação mais elevada de sempre, reflectindo a crescente preocupação das empresas perante um contexto global marcado pela instabilidade geopolítica.

Margarida Lopes
21 de Maio 2026 | 10:40
Guerra e cibercrime entre as maiores ameaças empresariais em 2026

Segundo o relatório “Political Violence and Civil Unrest Trends 2026”, da Allianz Commercial, a guerra tornou-se o principal risco de violência política identificado pelas empresas a nível mundial, sendo apontada por 53% dos inquiridos.

Escolha a Human Resources como fonte preferida no Google Escolher ›

Os conflitos na Europa e no Médio Oriente estão a perturbar fluxos comerciais, a pressionar alianças políticas e a aumentar os riscos sobre activos empresariais. Cerca de 60% dos participantes europeus e da região Ásia-Pacífico consideram a guerra como a maior ameaça. A agitação civil surge em segundo lugar (49%) e o terrorismo e sabotagem em terceiro (46%).

Em Portugal, o Allianz Risk Barometer 2026 mostra que o cibercrime continua a ser o principal risco para as empresas nacionais. A Inteligência Artificial surge este ano como a segunda maior preocupação, subindo posições no ranking, enquanto as catástrofes naturais descem para terceiro lugar. O estudo indica ainda que a Inteligência Artificial e os desenvolvimentos macroeconómicos ganharam relevância entre os principais riscos identificados pelas empresas portuguesas.

Já a nível internacional, o actual conflito entre os Estados Unidos e o Irão está a provocar impactos significativos na economia global, agravando riscos relacionados com cadeias de abastecimento, perda de acesso a mercados e aumento da exposição a ciberataques e sabotagem. Mesmo antes deste agravamento no Médio Oriente, estimava-se que a exposição dos activos empresariais a conflitos tivesse aumentado mais de 20% nos últimos cinco anos.

Continue a ler após a publicidade

Para o sector segurador, em particular o segmento de Violência Política e Terrorismo (PVT), a guerra no Médio Oriente poderá traduzir-se em perdas significativas em determinadas áreas, bem como numa reavaliação de riscos em setores-chave e regiões específicas. Com base nas estimativas atuais, o impacto financeiro pode superar o custo das indemnizações PVT associadas à guerra na Ucrânia.

O recente estudo revela que a sabotagem e os distúrbios civis continuam a representar ameaças relevantes. A Allianz Research identificou cerca de 250 eventos de greves, motins e distúrbios civis nos últimos cinco anos, alguns dos quais originaram perdas seguradas significativas. Em paralelo, os atos de sabotagem, incluindo ataques a infraestruturas críticas, aumentaram de forma expressiva nos últimos 18 meses.

Perante este cenário, as empresas estão a reforçar estratégias de adaptação e resiliência. Antes mesmo da escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irão, mais de um terço das empresas (35%), já ponderava estratégias de nearshoring e relocalização de produção, enquanto quase metade (49%), considerava diversificar fornecedores e cadeias de abastecimento. Estas tendências deverão acelerar com o actual contexto.

Partilhar


Mais Notícias