Há cada vez mais profissionais desta área a suspender funções. Atingiu o valor mais elevado de sempre

Margarida Lopes
17 de Outubro 2024 | 12:50
Há cada vez mais profissionais desta área  a suspender funções. Atingiu o valor mais elevado de sempre

O número de dentistas com inscrição suspensa há mais de cinco anos, período após o qual se considera que não voltarão a exercer em Portugal, aumentou 7,6% em 2023, atingindo o valor mais elevado de sempre, revela um estudo.

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Segundo o estudo Números da Ordem 2024, divulgado pela Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), em 31 de Dezembro de 2023, havia 1.339 profissionais com as inscrições suspensas há mais de cinco anos, a maioria portugueses (74,1%). De entre os 347 estrangeiros, 175 são do Brasil.

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O bastonário da OMD, Miguel Pavão, lamentou que Portugal tenha formado e perdido estes 1339 médicos, alertando que a situação vai continuar a agravar-se.

No final de 2023 existiam 2312 profissionais com inscrição suspensa, mais 235 inscrições do que em 2022.

«É o segundo maior aumento de sempre. Só em 2022 é que tínhamos assistido a um aumento tão grande [258]», notou Miguel Pavão.

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Pelo segundo ano consecutivo, a taxa de crescimento é de dois dígitos (11,3%), um facto que não ocorria desde 2019 quando o crescimento foi de 12,2%.

Mais de metade (54,4%) das 2.312 inscrições suspensas tiveram como objetivo trabalhar no estrangeiro. Destes 1.257 (26,8%) escolheram exercer em França, 18,1% no Reino Unido e 13,4% em Espanha, que supera a Itália como o terceiro destino face aos Números da Ordem 2023.

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O estudo confirma o aumento (2,2%) de médicos dentistas com inscrição activa, totalizando 12.988, o que se traduz no aumento do rácio de profissionais. No final de 2023, o valor voltou a agravar-se: passou de um médico dentista por 814 pessoas residentes em 2022, para um dentista para 796 pessoas no ano passado.

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«Este resultado afasta Portugal da recomendação da Organização Mundial da Saúde que define um rácio de 1MD/1500-2000 habitantes», salienta a OMD.

A Área Metropolitana do Porto (1MD/564) e Viseu Dão Lafões (1MD/640) têm excesso de médicos dentistas, enquanto as regiões do Baixo Alentejo (1MD/2051) e Alentejo Litoral (1MD/2052) têm falta destes profissionais.

Segundo o estudo, apenas as regiões do Oeste, Lezíria do Alentejo, Alto Alentejo e Alentejo Central estão dentro dos parâmetros da OMS.

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Miguel Pavão manifestou ainda preocupação com o elevado número de alunos nas instituições de ensino superior, notando que Portugal é o segundo país que mais dentistas forma na União Europeia, conforme confirmou o Eurostat.

Em Portugal existem sete instituições de ensino superior a leccionarem o curso de mestrado integrado em medicina dentária, que foram convidadas a colaborar no estudo, sendo que o Instituto Universitário de Ciências da Saúde e o Instituto Universitário Egas Moniz não apresentaram qualquer valor.

«É um retrato incompleto. Lamentamos porque as universidades são um elemento fundamental na estratégia que urge definir para a medicina dentária em Portugal», disse Miguel Pavão.

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