Há mais alunos mas professores insuficientes. Conheça o retrato do ensino em Portugal

O retrato é traçado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, através da Pordata, com base nos dados oficiais mais recentes sobre o sistema educativo português, do pré-escolar ao ensino superior.

Human Resources
7 de Setembro 2026 | 11:50
Há mais alunos mas professores insuficientes. Conheça o retrato do ensino em Portugal

Portugal tem mais de dois milhões de alunos no sistema educativo, mas há menos estudantes na escolaridade obrigatória do que há 10 anos, a formação de novos professores continua abaixo das necessidades de substituição e as probabilidades de concluir o secundário no tempo previsto variam significativamente consoante a região do país.

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De acordo com o retrato da Fundação Francisco Manuel dos Santos, em 2024/2025 estavam inscritos 2.078.116 alunos, mais 9326 do que no ano lectivo anterior. O aumento foi sobretudo explicado pelo primeiro ciclo, com cerca de mais nove mil alunos, e pelo ensino superior, que ganhou quase 8000 estudantes.

Ainda assim, quando se olha apenas para a escolaridade obrigatória, a tendência da última década é de descida. Entre o primeiro e o 12.º ano, o número de alunos passou de 1.376.343 em 2014/2015 para 1.281.183 em 2024/2025, uma quebra próxima de 7%. No último ano houve uma pequena recuperação de 0,3%, impulsionada sobretudo pelo aumento de alunos no primeiro ciclo.

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Também a composição das escolas está a mudar. No ano lectivo de 2023/2024, 206.011 alunos do pré-escolar ao secundário tinham um ou ambos os pais de nacionalidade estrangeira. Desde 2020/2021, esse número tem aumentado a um ritmo médio de cerca de 16% ao ano.

O estudo mostra ainda que a evolução do ensino superior contrasta com a redução de alunos na escolaridade obrigatória. Em 2024/2025 havia mais de 456 mil estudantes no ensino superior, mais 2% do que no ano anterior, 15% acima do valor registado há cinco anos e 30% acima do de há uma década. O número de estudantes estrangeiros também quadruplicou em 15 anos, passando de cerca de 20 mil para 80 mil.

Mas a entrada no ensino superior não significa necessariamente a conclusão dentro do prazo normal. Apenas 51% dos estudantes de licenciatura terminam o curso no tempo previsto. Nos mestrados integrados, a taxa é de 55%. Mesmo acrescentando três anos ao prazo normal, apenas 66% terminam as licenciaturas e 73% os mestrados integrados.

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Também a escassez de professores é destacada no estudo. Entre 2021 e 2025, diplomaram-se 9.466 novos professores, o equivalente a cerca de 2000 por ano. Mas estão previstas aproximadamente três mil aposentações anuais. Ou seja, mantendo-se este ritmo, por cada três professores que abandonam o sistema por aposentação estão a ser formados apenas dois para os substituir.

Os sinais mais recentes mostram alguma recuperação na procura pelos mestrados em ensino. Entre 2022/2023 e 2024/2025, o número de inscritos aumentou 54% em Português e 55% em Biologia e Geologia. Em Matemática, a subida foi de 26% e em Física e Química de 15%.

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Mas a recuperação parte de níveis muito baixos em algumas áreas. Em Física e Química, por exemplo, o número de diplomados caiu de 703 entre 2006 e 2010 para apenas 32 entre 2016 e 2020. A Pordata assinala, ainda assim, uma inversão da tendência de queda no período entre 2021 e 2025.

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