Há mão-de-obra, mas falta emprego neste sector. Afinal, quem é o culpado?

Já passaram mais de 10 anos desde a última crise mundial, mas a indústria continua a ter dias difíceis e produz com cada vez menos pessoas. Descubra os motivos que explicam este abrandamento da procura de mão-de-obra. 

 

Nas últimas décadas, a oferta de emprego no sector industrial decresceu significativamente nos países desenvolvidos. Estima-se que estejam em falta milhões de postos de trabalho. Frequentemente associados à globalização e à fuga das empresas com custos de mão-de-obra mais baixos, sobretudo em países asiáticos, o “El Economista” tem um entendimento diferente para os números: a ascensão tecnológica, a automação dos processos e a queda dos preços dos bens industriais.

As últimas estatísticas da Organização Internacional do Trabalho, relativas ao período compreendido entre 2001 e 2014, revelam que foram criados 492 milhões empregos em todo o mundo. Mas só 10% correspondem ao sector industrial.

Dados do Instituto Nacional de Estatística e da base Pordata corroboram isso mesmo. Em 10 anos, a indústria transformadora perdeu um total de 36 037‬ empregos em Portugal. Já na indústria extractiva perderam-se, entre 2008 e 2018, acima de 3800 empregos.

Num artigo publicado no final de 2019,  citado pelo jornal espanhol, especialistas em economia referiram: «Em todos os 43 países que estudámos [entre 2001 e 2014], o aumento da produtividade laboral na indústria transformadora, devido à automatização e às melhorias dos processos, foi de longe a causa mais importante da queda do emprego, mais ainda do que alterações na balança comercial da indústria transformadora».

«Em quase todos os países da amostra, a indústria desempenhou um papel pequeno. Na melhor das hipóteses impulsionou a criação de empregos para recém-chegados e trabalhadores que deixaram a agricultura. Mesmo nos dois países mais bem sucedidos, Bangladesh e Vietname, os novos empregos na indústria foram responsáveis por um quarto da criação total de empregos», acrescentaram.

O último relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico sobre o futuro do trabalho aponta ainda que, nas últimas duas décadas, o emprego no sector industrial assistiu a uma quebra de 20% nos países membros.

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