Ao longo do último ano, o Business Insider conversou com dezenas de candidatos a emprego que se basearam não só em abordagens convencionais, como na elaboração de currículos sólidos e boas referências, mas também em tácticas menos comprovadas.
Embora os despedimentos na economia norte-americana permaneçam baixos em comparação com os padrões históricos, as empresas estão a contratar a um dos ritmos mais lentos desde 2013. Neste contexto, os candidatos estão a testar várias estratégias na esperança de que alguma funcione.
Como raramente sabem exactamente por que foram preteridos para uma vaga ou conseguiram uma entrevista para outra, é difícil provar que esta ou aquela estratégia realmente funciona.
O Business Insider pediu aos especialistas em carreiras do LinkedIn e do Indeed que avaliassem a eficácia de algumas das estratégias mais referidas — e se vale a pena investir tempo nelas.
Ser o primeiro a candidatar-se
Vários candidatos acreditam que é crucial estar entre os 20 ou 30 primeiros numa vaga para garantir que os recrutadores vêem a sua candidatura.
Priya Rathod, editora de tendências do mercado de trabalho no Indeed, disse que é comum os empregadores analisarem as candidaturas pela ordem em que são enviadas e que alguns podem deixar de analisar os candidatos ou fechar um anúncio após atingirem um determinado número de candidaturas. «Definitivamente, acho que candidatar-se cedo pode aumentar a sua visibilidade.»
Catherine Fisher, especialista em carreiras do LinkedIn, disse que candidatar-se a uma vaga no prazo de 10 minutos após receber um alerta do LinkedIn — notificações que os utilizadores podem configurar para tipos específicos de cargos — pode aumentar até quatro vezes as probabilidades de uma pessoa receber uma resposta. Segundo ela, alguns recrutadores podem estar a trabalhar com prazos apertados e começam a contactar candidatos qualificados assim que os encontram.
Apesar dos benefícios de se candidatar cedo, ambas as especialistas enfatizaram a importância de enviar uma candidatura de qualidade — e não apenas uma rápida.
Candidatar-se de manhã cedo
Muitos candidatos acreditam que as melhores horas para enviar candidaturas é bem cedo, para os recrutadores analisarem primeiro as mais recentes ao acederem ao sistema de manhã.
Rathod afirma não ter dados que comprovem o valor das candidaturas enviadas de manhã cedo, mas acredita que é inteligente candidatar-se durante o horário de expediente. Alguns recrutadores recebem alertas quando chegam novas candidaturas e se chegarem durante o horário de trabalho — enquanto estão a analisar activamente os candidatos — podem estar mais propensos a analisá-las com mais atenção. Por outro lado, as candidaturas enviadas fora do horário de expediente podem perder-se no meio de um lote maior de envios nocturnos.
No entanto, Fisher disse duvidar que candidatar-se a uma hora específica do dia faça muita diferença. Ela acredita que é mais importante para os candidatos a emprego escolherem um horário consistente para enviarem as suas candidaturas — um horário que os ajude a estabelecer uma rotina e a manterem-se comprometidos com o processo. «Não acho que exista uma altura mágica para se candidatar.»
Candidatar-se directamente através do site da empresa
Muitos candidatos acreditam que, em vez de recorrer a plataformas como ZipRecruiter ou Indeed, enviar as candidaturas directamente através dos sites das empresas poderá aumentar as suas hipóteses de ser notado.
Rathod defende que é um equívoco comum pensar que os candidatos têm vantagem ao candidatarem-se directamente no site da empresa. Afirmou que isto se baseia provavelmente na crença de que as candidaturas enviadas através de plataformas de emprego como o LinkedIn ou o Indeed são colocadas numa “caixa” separada das que são enviadas directamente — e que as candidaturas nessa caixa têm menos probabilidade de serem priorizadas.
Na realidade, muitos empregadores integraram os seus sistemas de recrutamento com plataformas de emprego, pelo que as candidaturas acabam frequentemente no mesmo fluxo. «Não haverá distinção para o recrutador sobre se se candidatou através do site ou de uma plataforma de emprego», garantiu.
E acrescentou que, desde que o candidato esteja a candidatar-se através de uma plataforma fiável, o método de envio provavelmente não afectará as suas hipóteses.
“‘Rejuvenescer” o currículo
Alguns candidatos com maior (e mais longa) experiência profissional são aconselhados a “rejuvenescer” o seu currículo, removendo funções das décadas de 1980 e 1990, por isso muitos dos seus perfis no LinkedIn começam agora com experiências profissionais que remontam a 2003.
Fisher disse que, em geral, não acredita que ter muita experiência seja uma desvantagem para os empregadores. No entanto, recomenda concentrar a maior parte da candidatura em experiências recentes e relevantes — e manter as descrições de funções mais antigas breves, ou até mesmo omiti-las se não fortalecerem directamente a candidatura. «Isso não significa cortar metade da carreira, apenas analisar quando a sua experiência deixa de acrescentar valor.»
Usar palavras-chave da descrição da função
Uma das estratégias mais comuns referidas pelos candidatos é alinhar meticulosamente os seus currículos e cartas de apresentação com palavras-chave da descrição da função — frequentemente com a ajuda de ferramentas de IA — na esperança de impressionar os sistemas de rastreio de candidatos (ATS), que são geralmente os primeiros a analisar as candidaturas.
Ambas as especialistas concordaram que esta é uma estratégia na qual vale a pena investir. «A compatibilidade das suas palavras-chave com o seu currículo é realmente importante», disse Rathod. «Um sistema de rastreio de candidatos vai procurar essas palavras-chave e, se as encontrar, terá mais hipóteses de avançar no processo de selecção.»
Fisher não aconselharia os candidatos a embelezarem os seus currículos apenas para se adequarem às vagas anunciadas, mas recomenda que dediquem algum tempo para garantir que incluem todas as experiências relevantes para a função. Segundo ela, alguns candidatos podem assinalar mais itens do que devem. Quando isso acontece, vale a pena usar a linguagem exacta da descrição da função para melhor se alinhar com o que o ATS procura. «Não se trata de contornar o sistema. Está apenas a garantir que as suas competências e experiência estão alinhadas com o que a empresa procura.»
Privilegiar a preparação para a entrevista
Embora muitas das estratégias discutidas acima possam valer a pena investir, Rathod disse que um dos seus principais conselhos é não negligenciar a importância da preparação para a entrevista. «As pessoas provavelmente esforçam-se muito para melhorar os seus currículos e conseguir entrevistas, mas é na entrevista que realmente se brilha. Quem procura emprego precisa de encarar as entrevistas com o mesmo nível de preparação.»














