Há novas regras na procura de emprego. Especialistas de RH analisam quais (realmente) funcionam

Human Resources com Lusa
26 de Novembro 2025 | 09:40
Há novas regras na procura de emprego. Especialistas de RH analisam quais (realmente) funcionam

Ao longo do último ano, o Business Insider conversou com dezenas de candidatos a emprego que se basearam não só em abordagens convencionais, como na elaboração de currículos sólidos e boas referências, mas também em tácticas menos comprovadas.

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Embora os despedimentos na economia norte-americana permaneçam baixos em comparação com os padrões históricos, as empresas estão a contratar a um dos ritmos mais lentos desde 2013. Neste contexto, os candidatos estão a testar várias estratégias na esperança de que alguma funcione.

Como raramente sabem exactamente por que foram preteridos para uma vaga ou conseguiram uma entrevista para outra, é difícil provar que esta ou aquela estratégia realmente funciona.

O Business Insider pediu aos especialistas em carreiras do LinkedIn e do Indeed que avaliassem a eficácia de algumas das estratégias mais referidas — e se vale a pena investir tempo nelas.

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Ser o primeiro a candidatar-se

Vários candidatos acreditam que é crucial estar entre os 20 ou 30 primeiros numa vaga para garantir que os recrutadores vêem a sua candidatura.

Priya Rathod, editora de tendências do mercado de trabalho no Indeed, disse que é comum os empregadores analisarem as candidaturas pela ordem em que são enviadas e que alguns podem deixar de analisar os candidatos ou fechar um anúncio após atingirem um determinado número de candidaturas. «Definitivamente, acho que candidatar-se cedo pode aumentar a sua visibilidade.»

Catherine Fisher, especialista em carreiras do LinkedIn, disse que candidatar-se a uma vaga no prazo de 10 minutos após receber um alerta do LinkedIn — notificações que os utilizadores podem configurar para tipos específicos de cargos — pode aumentar até quatro vezes as probabilidades de uma pessoa receber uma resposta. Segundo ela, alguns recrutadores podem estar a trabalhar com prazos apertados e começam a contactar candidatos qualificados assim que os encontram.

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Apesar dos benefícios de se candidatar cedo, ambas as especialistas enfatizaram a importância de enviar uma candidatura de qualidade — e não apenas uma rápida.

Candidatar-se de manhã cedo

Muitos candidatos acreditam que as melhores horas para enviar candidaturas é bem cedo, para os recrutadores analisarem primeiro as mais recentes ao acederem ao sistema de manhã.

Rathod afirma não ter dados que comprovem o valor das candidaturas enviadas de manhã cedo, mas acredita que é inteligente candidatar-se durante o horário de expediente. Alguns recrutadores recebem alertas quando chegam novas candidaturas e se chegarem durante o horário de trabalho — enquanto estão a analisar activamente os candidatos — podem estar mais propensos a analisá-las com mais atenção. Por outro lado, as candidaturas enviadas fora do horário de expediente podem perder-se no meio de um lote maior de envios nocturnos.

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No entanto, Fisher disse duvidar que candidatar-se a uma hora específica do dia faça muita diferença. Ela acredita que é mais importante para os candidatos a emprego escolherem um horário consistente para enviarem as suas candidaturas — um horário que os ajude a estabelecer uma rotina e a manterem-se comprometidos com o processo. «Não acho que exista uma altura mágica para se candidatar.»

Candidatar-se directamente através do site da empresa

Muitos candidatos acreditam que, em vez de recorrer a plataformas como ZipRecruiter ou Indeed, enviar as candidaturas directamente através dos sites das empresas poderá aumentar as suas hipóteses de ser notado.

Rathod defende que é um equívoco comum pensar que os candidatos têm vantagem ao candidatarem-se directamente no site da empresa. Afirmou que isto se baseia provavelmente na crença de que as candidaturas enviadas através de plataformas de emprego como o LinkedIn ou o Indeed são colocadas numa “caixa” separada das que são enviadas directamente — e que as candidaturas nessa caixa têm menos probabilidade de serem priorizadas.

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Na realidade, muitos empregadores integraram os seus sistemas de recrutamento com plataformas de emprego, pelo que as candidaturas acabam frequentemente no mesmo fluxo. «Não haverá distinção para o recrutador sobre se se candidatou através do site ou de uma plataforma de emprego», garantiu.

E acrescentou que, desde que o candidato esteja a candidatar-se através de uma plataforma fiável, o método de envio provavelmente não afectará as suas hipóteses.

“‘Rejuvenescer” o currículo

Alguns candidatos com maior (e mais longa) experiência profissional são aconselhados a “rejuvenescer” o seu currículo, removendo funções das décadas de 1980 e 1990, por isso muitos dos seus perfis no LinkedIn começam agora com experiências profissionais que remontam a 2003.

Fisher disse que, em geral, não acredita que ter muita experiência seja uma desvantagem para os empregadores. No entanto, recomenda concentrar a maior parte da candidatura em experiências recentes e relevantes — e manter as descrições de funções mais antigas breves, ou até mesmo omiti-las se não fortalecerem directamente a candidatura. «Isso não significa cortar metade da carreira, apenas analisar quando a sua experiência deixa de acrescentar valor.»

Usar palavras-chave da descrição da função

Uma das estratégias mais comuns referidas pelos candidatos é alinhar meticulosamente os seus currículos e cartas de apresentação com palavras-chave da descrição da função — frequentemente com a ajuda de ferramentas de IA — na esperança de impressionar os sistemas de rastreio de candidatos (ATS), que são geralmente os primeiros a analisar as candidaturas.

Ambas as especialistas concordaram que esta é uma estratégia na qual vale a pena investir. «A compatibilidade das suas palavras-chave com o seu currículo é realmente importante», disse Rathod. «Um sistema de rastreio de candidatos vai procurar essas palavras-chave e, se as encontrar, terá mais hipóteses de avançar no processo de selecção.»

Fisher não aconselharia os candidatos a embelezarem os seus currículos apenas para se adequarem às vagas anunciadas, mas recomenda que dediquem algum tempo para garantir que incluem todas as experiências relevantes para a função. Segundo ela, alguns candidatos podem assinalar mais itens do que devem. Quando isso acontece, vale a pena usar a linguagem exacta da descrição da função para melhor se alinhar com o que o ATS procura. «Não se trata de contornar o sistema. Está apenas a garantir que as suas competências e experiência estão alinhadas com o que a empresa procura.»

Privilegiar a preparação para a entrevista

Embora muitas das estratégias discutidas acima possam valer a pena investir, Rathod disse que um dos seus principais conselhos é não negligenciar a importância da preparação para a entrevista. «As pessoas provavelmente esforçam-se muito para melhorar os seus currículos e conseguir entrevistas, mas é na entrevista que realmente se brilha. Quem procura emprego precisa de encarar as entrevistas com o mesmo nível de preparação.»

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