Há um sector em que ter “estudos a mais” tem impacto negativo no salário (de mais de 30%)

A sobreeducação, ou seja, quando o nível de escolaridade é superior ao esperado, representa uma perda salarial de 32% no sector da restauração e de 30% em mulheres com idades mais avançadas, segundo uma análise divulgada.

Human Resources com Lusa
28 de Abril 2026 | 12:20
Há um sector em que ter “estudos a mais” tem impacto negativo no salário (de mais de 30%)

«O fenómeno da sobreeducação em Portugal acarreta uma penalização salarial heterogénea e assimétrica, apresentando maior prevalência em certos segmentos demográficos, áreas de formação e sectores de actividade», apontou, numa nota, o PLANAPP – Centro de Planeamento e de Avaliação de Políticas Públicas.

Escolha a Human Resources como fonte preferida no Google Escolher ›

A análise “Desajuste educacional no mercado de trabalho: incidência e impacto salarial em Portugal” revelou ainda que a sobreeducação, em Portugal, acarreta uma penalização salarial de 30% para os trabalhadores estrangeiros e de 28% no sector das actividades de apoio social.

Segue-se a área do comércio a retalho, com uma penalização de 26%, enquanto nos serviços sociais existem um impacto entre 26% e 24%.

Continue a ler após a publicidade

Este efeito salarial é estimado através da comparação entre o salário observado com um contrafactual – o salário esperado na situação de educação adequada.

Em 2010, a taxa de sobreeducação entre licenciados no sector privado e em contratos individuais no sector público situava-se nos 20%, mas caiu para 12% em 2012. A partir de 2013, começou a registar-se um crescimento “lento, mas persistente” e aproximou-se dos 15% no final da década. De 2010 a 2011, a prevalência de sobreeducação de licenciados era superior nas mulheres (mais de 20%), enquanto a percentagem nos homens rondava os 16%.

«Tal parece sugerir que, durante o período de subida acentuada do desemprego que marcou estes anos, as mulheres foram substancialmente afectadas pelo ajustamento, provavelmente escolhendo enfrentar os custos do desajuste educacional para mitigar os custos do desemprego», referiu.

Continue a ler após a publicidade

Contudo, no ano seguinte houve uma “queda pronunciada” nos dois géneros, praticamente eliminando as diferenças.

A análise revelou ainda que a sobreeducação afecta mais as mulheres até aos 30 anos. A partir daí, observa-se uma convergência entre homens e mulheres. Já desde antes dos 40 anos e até aos 60, a sobreeducação entre licenciados, no período de 2010 a 2021, afecta mais os homens.

Continue a ler após a publicidade

Por área, em 2021, a taxa de sobreeducação para os licenciados em indústrias transformadoras foi de 25,2%, seguida pelos serviços de segurança (25%) e serviços pessoais (24,7%). Depois aparecem as licenciaturas em artes (20,1%), proteção do ambiente (18,2%), ciências físicas (17,8%), humanidades (17,5%), serviços de transporte (17,5%) e serviços sociais (17,5%).

Continue a ler após a publicidade

Esta análise tem por base microdados administrativos dos quadros de pessoal do Ministério do Trabalho, cobrindo o sector privado e contratos individuais de trabalho do sector público.

Partilhar


Mais Notícias