Lara Sophie Bothur entrou na Deloitte em Fevereiro de 2021 como analista de negócios na divisão de consultoria em inovação. Um ano depois, transformou essa função de consultoria em algo totalmente novo. Em conversa com o Business Insider recorda esse percurso.
A função desenvolveu-se naturalmente. «Cerca de oito meses depois, um sócio que sabia que eu tinha experiência em marketing sugeriu-me que ajudasse numa campanha para a equipa de inovação», recorda.
O seu trabalho era conversar com os especialistas de computação quântica, IA, blockchain, fabrico inteligente e mobilidade inteligente da empresa. «Os técnicos são brilhantes, mas não são os melhores contadores de histórias. Não percebia tudo o que diziam, o que dificultava a divulgação do seu trabalho.»
E foi nessa altura que teve uma conversa com o seu avô de 101 anos que mudou tudo. «Visitei-o em Berlim e, quando lhe disse que tinha chegado de carro partilhado, perguntou o que significava isso A sua curiosidade fez-me perceber o quão poderoso é quando ideias complexas se tornam compreensíveis. Ao explicar-lhe, transformei algo abstracto em algo emocional e relacionável, e isso fez-me perceber que poderia fazer o mesmo com a forma como comunico tecnologia no trabalho.»
Escreveu um post no LinkedIn sobre essa conversa, que se tornou viral, alcançando 350 mil pessoas, e foi visto por um sócio da Deloitte viu que sugeriu que Lara o experimentasse a tempo inteiro. Em Janeiro de 2022, foi criada a nova função “Voice for Innovation”. «Não era o título mais envolvente, por isso, seis meses depois, quando uma revista de negócios me nomeou a primeira influencer corporativa a tempo inteiro na Alemanha, abracei-o.»
No início, trabalhou arduamente para construir activamente a sua rede — conectando-se com 100 pessoas relevantes a cada semana. Não havia um modelo a seguir, mas foi descobrindo o que funcionava semana após semana.
O dia-a-dia como o rosto da Deloitte
A função de Lara Sophie Bothur na Deloitte era fazer com que as pessoas se sentissem ligadas à marca. «Não estava a republicar anúncios de emprego nem a promover a empresa como relações-públicas. Queríamos mostrar que a Deloitte não é apenas uma auditora, por isso era o meu trabalho apresentar o trabalho e demonstrar a nossa cultura através do storytelling.»
Passava os dias a viajar, a visitar centros de tecnologia, a participar e a moderar eventos, a fazer networking com potenciais clientes e a gerar conteúdo sobre tudo isso. «Mais ninguém fazia essa gestão de comunidade e conteúdo. Eu escrevia o texto e editava os vídeos.» Deu workshops no LinkedIn, interna e externamente, e chegou inclusivamente a escrever posts para um líder da Deloitte.
Obviamente, o seu trabalho impactou talentos, clientes, parcerias e a marca. «Numa ocasião, uma senhora disse-me que escolheu a Deloitte em vez da BCG, porque me viu a intervir num evento e gostou do facto de estarem claramente a apoiar a minha carreira enquanto jovem mulher.»
Uma nova era da comunicação empresarial
Nesta nova era de comunicação empresarial e marketing de influência, onde os colaboradores se tornam o rosto da empresa, Lara Sophie Bothur acredita que o LinkedIn é uma ferramenta poderosa para isso. «Sou Top Voice do LinkedIn e, no ano passado, alcancei 400 milhões de impressões a nível global — o que representa um valor de marketing de 13 milhões de dólares — e gerei 10.000 leads de marketing para a Deloitte», destacou.
E por isso defende que tornar os colaboradores visíveis, e posicionar os tópicos através deles, é a melhor ferramenta de marketing: «deixar os seus colaboradores falar é a forma mais autêntica de comunicar.» Mas deixa um alerta, «é necessário haver uma motivação intrínseca para comunicar um tema pelo qual se é apaixonado, e é preciso partilhar os valores da empresa. Se isto existir, é a pessoa perfeita para ser um influencer corporativo».
A Deloitte Alemanha tem agora cerca de 250 colaboradores a trabalhar em part-time como influenciadores corporativos, que foram treinados por Lara sobre como utilizar melhor o LinkedIn, e dois deles já são Top Voices.
Proteja a sua privacidade
Não é fácil ser o rosto de uma empresa, salienta. «No ano passado, enfrentei críticas de alguns órgãos de comunicação alemães. Questionaram o meu rápido crescimento no LinkedIn e disseram que devia ter comprado seguidores e engagement. Foi chocante, mas a confiança é um dos nossos principais valores na Deloitte, e provámos que estavam errados.»
Ao explicar a sua abordagem, ganhou a alcunha de “LinkedIn algorithm whisperer” (algo como “encantadora de algoritmos do LinkedIn”) na Alemanha.
«Sempre que está online, as pessoas formam opiniões», realça, por isso aconselha a certificar-se de que as suas publicações não são sobre si, mas sobre a empresa e os seus colaboradores. «Costumo chamar outras pessoas ao palco para partilhar o protagonismo.»
Ainda assim, como influencer corporativa, reconhece que precisa de equilibrar a empresa e a sua persona individual. «Esta abordagem de influência exige que os seguidores o compreendam a si e aos seus valores. É assim que se constrói confiança. O meu foco é a tecnologia e a inovação, e é por isso que as pessoas me seguem.»
A Deloitte verificou as suas publicações para garantir que eram precisas e para evitar controvérsias, de forma a proteger a profissional. «Nunca publico sobre política ou religião, mas isso não significa que não possa defender os meus valores.»
A autenticidade exige engagement e é preciso responder a comentários e partilhas rapidamente — «especialmente na primeira hora, quando o algoritmo do LinkedIn decide se uma publicação vai arrancar», admite.
No início de 2025, começou a trabalhar em modo freelance como moderadora e oradora, e no Verão decidiu que estava na altura de deixar a Deloitte. «Queria ter a liberdade de trabalhar com várias empresas e os pedidos têm chegado desde que anunciei a minha saída», garante.














