Há uma “siri” dos médicos em Portugal e já fala com mil doentes

Margarida Lopes
8 de Julho 2022 | 09:45

A UpHill, empresa dedicada ao desenvolvimento de conteúdo e software para melhorar a qualidade e eficiência dos cuidados de saúde, lançou um novo software que congrega funcionalidades relacionadas com a comunicação entre as equipas de saúde e os doentes, bem como a automatização de tarefas. O produto já está a ser utilizado em seis hospitais portugueses e os resultados dos primeiros projectos serão conhecidos no final do ano.

 

 

Criada com a missão de melhorar a qualidade da saúde através da capacitação dos profissionais nos momentos de decisão, a empresa já desenvolveu perto de 100 algoritmos clínicos que funcionam como um GPS para guiar as acções das equipas e fornecem, em tempo real, orientações detalhadas sobre a melhor forma de abordar cada doença. O objectivo sempre foi garantir os melhores cuidados para todos os doentes, mas agora estes passam a fazer parte da solução. 

 

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«Esta é a ponte que faltava para ligar os profissionais de saúde aos doentes e libertá-los de tarefas repetitivas, burocráticas e de baixo valor acrescentado, que são, simultaneamente, factor de frustração e exaustão. O software monitoriza a evolução de sintomas ao longo do tempo, interpreta os resultados, identifica sinais de alerta, avisa as equipas e automatiza algumas acções recomendadas», explica Eduardo Freire Rodrigues, cofundador e CEO da UpHill. 

 

Na práctica, a solução desenvolvida pela empresa tecnológica permite que vários profissionais acedam ao estado e progresso do doente em tempo real, tenham sempre a informação necessária para tomar decisões e acompanhem o doente fora dos serviços de saúde, sem que isso signifique passar mais horas ao telefone ou a enviar emails. Além de automatizar estas tarefas, que ficam a cargo do software, a tecnologia desenvolvida pela UpHill garante também que toda a informação recolhida é contextualizada e utilizada para identificar situações de agravamento da doença e antecipar acções, como o agendamento de consultas, ajuste terapêutico ou encaminhamento do doente para o serviço de saúde mais adequado.

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Segundo os dados da Administração Central de Serviços em Saúde (ACSS), no ano passado ficaram por realizar meio milhão de consultas no Serviço Nacional de Saúde (SNS). A actividade aumentou e o tempo de espera diminuiu face aos anos anteriores, mas apenas porque houve menos doentes a procurar estes serviços, registaram-se menos 85 mil pedidos de consultas face a 2019. Simultaneamente, somam-se os relatos de doentes que chegam aos hospitais em estados mais graves, resultado do atraso nos rastreios e nas consultas, só no caso de cancro, as estimativas apontam para mais de quatro mil doentes por diagnosticar. 

 

Neste contexto, o objectivo da UpHill é, de uma forma muito rápida e ágil para os hospitais, libertar os profissionais de tarefas burocráticas, repetitivas e pouco diferenciadoras, aumentando a capacidade de resposta das unidades de saúde. Paralelamente, a solução melhora a coordenação entre equipas e evita a duplicação de actos médicos ou exames, que aumentam os períodos de espera ao longo da jornada do doente. Do ponto de vista dos doentes, o acompanhamento assíncrono permanente reduz as deslocações às unidades de saúde e o desperdício de tempo e recursos associados às mesmas. 

 

Para acompanhar a apresentação do novo software, a tecnológica lançou uma campanha de sensibilização nas redes sociais que pretende alertar para a ineficiência dos cuidados de saúde e a necessidade de encontrar soluções para os problemas previamente identificados. 

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UpHill foi fundada em 2015, tem presença consolidada no sector hospitalar e farmacêutico europeu, levantou cerca de 5.1 milhões de euros em investimento e estabeleceu, no final do ano passado, uma parceria com a Direcção-Geral da Saúde para a digitalização das normas e orientações clínicas. 

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