É neste contexto que surge o conceito de “Work Blues”, associado à sensação de exaustão, desmotivação ou ansiedade, que pode acompanhar o regresso à rotina profissional. Para a Hays, o fenómeno deve ser encarado não apenas como uma reacção ao fim das férias, mas como uma oportunidade para as organizações avaliarem as condições em que as suas equipas trabalham ao longo de todo o ano.
«O bem-estar não se constrói apenas durante os períodos de descanso, mas sobretudo no dia a dia. A forma como o trabalho é organizado, a relação com a liderança, a carga de trabalho, a autonomia e a possibilidade de conciliar a vida profissional e pessoal têm um impacto directo na experiência dos colaboradores. Quando estes factores não estão equilibrados, alguns dias de férias podem não ser suficientes para compensar o desgaste acumulado», afirma Carlos Maia, Regional director da Hays Portugal.
Os dados do Guia Hays 2026 mostram que 44% dos profissionais qualificados fizeram uma mudança relevante na sua carreira no ano anterior. Entre os principais motivos estão a procura de progressão na carreira (36%), melhores condições salariais (29%), a insatisfação com o contexto profissional anterior (22%) e a procura de projectos mais desafiantes (18%).
Por outro lado, entre os profissionais que permaneceram nas suas organizações, 33% aponta o bom equilíbrio entre vida pessoal e profissional como um dos factores que contribuem para essa decisão, a par de uma boa relação com colegas e chefias (33%) e do gosto pela função (32%).
Para a Hays, estes dados reforçam a importância de uma abordagem preventiva ao bem-estar, que vá além das medidas pontuais e seja integrada na própria organização do trabalho.
«As empresas que pretendem reter talento devem olhar para o bem-estar como parte da experiência profissional e não apenas como um benefício adicional. Criar condições para um equilíbrio sustentável, promover relações de confiança entre líderes e equipas e garantir expectativas realistas são factores que podem contribuir para manter o interesse e reduzir o desgaste ao longo do tempo», acrescenta Carlos Maia.
Num contexto em que apenas 26% dos profissionais se mostra bastante ou muito optimista em relação ao contexto económico global e às oportunidades de emprego nos próximos anos, criar ambientes de trabalho que promovam estabilidade, confiança e equilíbrio assume uma importância crescente na relação entre empresas e profissionais. Apesar de uma maioria dos profissionais afirmar estar satisfeita com o emprego actual (63%), este valor é o mais baixo registado nos últimos anos (65% em 2024 e 69% em 2023), reflectindo uma tendência de maior exigência e selectividade.
















