Há várias empresas a adoptar medidas para ajudar os trabalhadores a fazer face à subida de preços. Saiba quais (e o que estão a fazer)

Human Resources com Lusa
31 de Outubro 2022 | 17:20

Perante o aumento da inflação e da subida de preços, algumas empresas estão a tomar medidas para apoiar os seus trabalhadores, com o objectivo de aliviar o esforço financeiro das famílias, num cenário em que, em Portugal, a inflação se encontra nos 10,2%, valor mais alto desde 1992.

 

A Associação dos Viticultores Profissionais do Douro (Prodouro), por exemplo, vai propor ao Governo que dê a «possibilidade às empresas privadas de poderem, até 20 de Dezembro, processar um apoio salarial de reposição de rendimento, até ao valor de um salário mensal, nas mesmas condições fiscais dos apoios excepcionais anunciados pelo Governo, em que isentou o apoio de 125 euros e o complemento das pensões, de retenção na fonte, de subida de escalão em sede de IRS e de contribuição para Segurança Social», afirmou Rui Soares, presidente da Prodouro, à Lusa.

O feedback de algumas das empresas auscultadas pela Prodouro foi muito positivo, já que «acharam uma óptima ideia poderem dar um apoio aos seus colaboradores que chega efectivamente ao bolso dos trabalhadores», frisou o responsável.

Também a sucursal do banco espanhol Bankinter em Portugal avançou com um conjunto de apoios para apoiar os seus trabalhadores.

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Segundo fonte oficial do banco: «Perante o contexto económico actual, e especificamente em relação aos seus colaboradores, o Bankinter preparou um conjunto de apoios específicos, procurando atenuar o impacto da subida generalizada de preços, sendo o pagamento integral do passe social ou o incremento do subsídio de almoço (em 3,5 euros por dia, para 14 euros) exemplos das medidas extraordinárias já implementadas para um período inicial de seis meses, com reavaliação a ser feita no final desse tempo.»

Foi também implmentado, nas áreas centrais, um dia de ‘home office’, contribuindo para a «redução de 20% nos custos de deslocação e impactos positivos também ao nível de sustentabilidade», avançou o banco, acrescentando que está a avaliar de «forma contínua as medidas que sejam oportunas implementar em função da evolução macroeconómica e social».

 

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O Santander é outra entidade da banca a tomar medidas para fazer face ao aumento dos preços, revela a Lusa. Numa nota interna enviada aos colaboradores – assinada pelo presidente da Comissão Executiva, Pedro Castro e Almeida, e por Sara da Fonseca, da Gestão de Pessoas – informou que os trabalhadores com vencimento até 30 mil euros anuais iriam receber nesse mês um «pagamento extraordinário e suplementar» de 750 euros.

Consciente do impacto do aumento da inflação e do custo da energia no orçamento familiar de muitos colaboradores, o Santander decidiu «aprovar algumas medidas de apoio financeiro para ajudar a minimizar esse impacto», focando a ajuda nos «colaboradores com salário mais baixo, através do pagamento de um valor único em detrimento de uma percentagem, para que este apoio seja mais relevante».

Além deste pagamento, o banco decidiu dar a possibilidade, em 2023, de todos os colaboradores anteciparem até 50% do subsídio de Natal; aumentou ainda o limite de crédito disponível para os trabalhadores para 200 mil euros, em novas operações de crédito, e alargou o acesso a outras medidas como a comparticipação do passe social em 50% ou o apoio a propinas no valor de 310 euros por ano por filho ou enteado.

Os cerca de 500 trabalhadores, incluindo estagiários da fábrica de camiões Mitsubishi Fuso Truck Europe (MFTE), instalada Abrantes, receberam em Setembro um pagamento extraordinário de 400 euros.

Detida pela Daimler Trucks, o presidente executivo da fábrica, Arne Bardena, afirmou que a empresa pretende assim «ajustar os salários de forma inteligente» e não «andar a espalhar o dinheiro de qualquer maneira».

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A Airbus anunciou o pagamento, em Novembro, de um bónus aos 120 mil funcionários em todo o mundo para compensar a subida da inflação, mas os valores variam consoante o país. Assim, na Alemanha, França, Espanha e Reino Unido, onde o grupo tem maior presença industrial, o valor será de 1.500 euros brutos. Nos restantes países, o valor não será o mesmo, sendo calculado em percentagem da base salarial média local.

Os jovens trabalhadores que alternam formação e estágio na empresa também serão contemplados, para ajudar a compensar, no curto prazo, o efeito da inflação na perda de poder de compra dos trabalhadores.

O prémio a atribuir não altera os processos de negociação salarial realizados em cada país. Em França, por exemplo, foi assinado em Mrço passado um acordo que prevê um aumento de 6,8% para o conjunto dos anos 2022-2023 e que será revisto em Março do próximo ano.

O custo da medida, cerca de 200 milhões de euros, será refletido nas contas da Airbus.

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