HR Sustainability: A responsabilidade de quem gere pessoas

A Gestão Sustentável de Pessoas, conceito ainda pouco explorado e, por isso, muito pouco claro, vem indicando que a sustentabilidade é um princípio importante e diferenciador na Gestão de Pessoas.

 

Por Isabel Moço, directora da SGS Academy

A sustentabilidade é presença assídua nos discursos, mas nem sempre nas práticas. A intersecção entre Sustentabilidade e Gestão de Pessoas pode abarcar duas missões distintas, mas complementares: o papel da Gestão de Pessoas na promoção e reforço da sustentabilidade organizacional e a sustentabilidade dos seus próprios pro- cessos. Assim, a Gestão de Pessoas Sustentável desdobra-se em duas linhas que poderão coexistir:

– Considerar a satisfação, comprometimento e bem-estar dos trabalhadores, quais os contributos da gestão sustentável das pessoas para a sustentabilidade do negócio e cumprimento dos seus objectivos;

– O carácter sustentável do processo pode possibilitar a maximização dos resultados corporativos e a diminuição das perdas de todas as partes interessadas.

 

A relação entre a Gestão de Pessoas e a Sustentabilidade concretiza-se em quatro orientações: (1) liderança sustentável, que incorpora princípios, processos, práticas e valores organizacionais; (2) sustentabilidade ambiental e desempenho organizacional; (3) gestão das tensões e paradoxos entre ambas; (4) dimensão social da sustentabilidade (nomeadamente responsabilidade social e relação com os stakeholders). E considera múltiplos níveis – efeitos sobre as pessoas, gestão dos processos, organização e sociedade –, várias dimensões – económica, ecológica, social e humana – e perspectivas de tempo diferentes – curto e longo prazo.

São já claras as responsabilidades da gestão sustentável de pessoas:

– Suportar e concorrer para a sustentabilidade corporativa;

– Responsabilidade social corporativa efectiva e comprometida;

– Sistemas de trabalho sustentáveis, assentes no bem-estar e na ética.

Para o concretizar, é preciso assegurar: uma liderança alinhada com os princípios da sustentabilidade e promotora dos mesmos; suporte à mobilização dos colaboradores, promoção de mudanças nos processos de trabalho e no comportamento dos indivíduos; e que a Gestão de Pessoas concorra para a sustentabilidade financeira, social e ambiental da empresa, sabendo relacionar-se com as diversas partes interessadas e resolvendo dilemas éticos. Tudo isto, em acções concretas de Gestão de Pessoas, mais não será do que promover permanentemente a aprendizagem organizacional e a progressão das pessoas; envolver e conduzir à participação dos colaboradores, envolvendo os stakeholders; promover o bem-estar na vida em geral e o equilíbrio entre esferas de vida; ajustar as infra-estruturas de trabalho, quer ao indivíduo, quer à organização, quer mesmo à comunidade; ou promover a satisfação e o comprometimento.

Sabe-se que muitos players já têm estas abordagens vertidas nos seus sistemas e procedimentos de Gestão de Pessoas, mas importaria que o gestor de pessoas fosse um verdadeiro guardião dos valores e princípios da sustentabilidade. Exemplo será quando a empresa tem nos seus valores “Preservação do meio ambiente” e os colaboradores são seleccionados também por este critério, são treinados para, no seu trabalho e vida pessoal, concorrer a este objectivo. Isto será colocar sustentabilidade no centro da Gestão de Pessoas.

Trata-se então de tarefas e responsabilidades acrescidas para a Gestão de Pessoas? Não necessariamente. Se estas dimensões fizerem parte da forma como a gestão entende as pessoas e a sua relação com a empresa e o negócio, já estará a praticar-se gestão sustentável de pessoas. Só serão tarefas acrescidas se a Gestão das Pessoas for rudimentar e incipiente, não indo além do operacional.

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