IA aumenta produtividade dos colaboradores, mas impacto financeiro é limitado

A conclusão é do relatório da QuantumBlack, AI by McKinsey, The State of AI 2026: On the road to ROI. Conheça as restantes.

Margarida Lopes
11 de Setembro 2026 | 10:10
IA aumenta produtividade dos colaboradores, mas impacto financeiro é limitado

O avanço da inteligência artificial está a transformar as decisões operacionais e orçamentais do tecido empresarial a nível global. De acordo com o novo relatório da QuantumBlack, AI by McKinsey, The State of AI 2026: On the road to ROI, a adopção desta tecnologia atinge já 89% das organizações, e 80% dos colaboradores afirmam ter aumentado a sua produtividade.

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No entanto, a percentagem de empresas que reportam um impacto positivo no seu EBIT mantém-se nos 37%, um valor semelhante ao do ano passado. Perante este contraste entre eficiência e retorno financeiro, a McKinsey revela que, para alcançar a rentabilidade real, é necessário redesenhar de forma integral os processos de trabalho das organizações.

Além disso, o relatório – que explora a implementação de soluções autónomas em grande escala e analisa como os custos operacionais condicionam a sua utilização – destaca uma mudança evidente nas decisões tecnológicas das empresas: estas começam a dar prioridade ao desenvolvimento interno em detrimento da aquisição de software comercial. Paralelamente, os dados mostram que este impacto não é uniforme no mercado. Enquanto a maioria das organizações quase não percepciona alterações nos seus benefícios económicos, um pequeno grupo de empresas de alto desempenho (high performers) consegue, de facto, rentabilizar a IA graças a uma transformação profunda do seu modelo operacional.

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Os dados do relatório reflectem uma discrepância notável entre a eficiência percebida a nível pessoal e os resultados financeiros da empresa. 80% dos profissionais afirmam que a IA aumentou a sua produtividade individual, 52% indicam que a IA os ajuda a desenvolver novas competências e 50% referem que facilita a tomada de decisões. No entanto, a experiência varia consoante a função: 47% dos quadros intermédios e colaboradores relatam pressão laboral ou efeitos negativos associados à tecnologia, valor que desce para 31% na alta direcção.

Por seu lado, a proporção de empresas que atribuem um impacto positivo no EBIT da organização situa-se nos 37%, sem variação em relação a 2025. A percentagem de «high performers» (empresas onde a IA contribui com pelo menos 5% para o EBIT e gera um valor significativo) permanece estagnada nos 6%.

Por áreas de negócio, a redução de custos através da IA é mais visível na cadeia de abastecimento, nas operações de serviços e na produção. Por outro lado, os maiores aumentos de receitas concentram-se nas aplicações destinadas ao marketing e vendas, ao desenvolvimento de produtos e à engenharia de software.

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A nível operacional, o custo do processamento de dados e tokens (unidades básicas de informação digital processadas pela IA) representa um obstáculo para 20% das empresas, afectando sobretudo o sector tecnológico (25%) e as instituições financeiras (24%). Apesar destas limitações, 28% das empresas destinam mais de 10% do seu orçamento tecnológico à IA, e 60% preveem aumentar o seu investimento nos próximos doze meses, com a indústria farmacêutica, os seguros e o sector bancário na vanguarda.

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