IA está a impulsionar uma transformação integral da função destes profissionais

Conheça as conclusões do BCG CMO Survey 2026, desenvolvido pela Boston Consulting Group (BCG), intitulado “Moving the Agentic Marketing Transformation from Illusion to Reality”. Conheça as restantes.

Margarida Lopes
21 de Setembro 2026 | 12:50
IA está a impulsionar uma transformação integral da função destes profissionais

O estudo indica que a esmagadora maioria dos directores de Marketing considera que a inteligência artificial está a impulsionar uma transformação integral da sua função. No entanto, apenas 8% estão a desenvolver campanhas com agentes de IA a operarem de forma autónoma, e pouco menos de um terço já transformou partes significativas da função de marketing com recurso a agentes.

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Em contraste, 42% utilizam a IA generativa apenas como ferramenta de apoio em tarefas individuais, num número limitado de fluxos de trabalho. Esta diferença no grau de transformação impulsionado pela IA torna-se ainda mais relevante num contexto de crescente pressão para demonstrar resultados concretos da sua aplicação na função de marketing.

O relatório combina um inquérito global a 300 Chief Marketing Officers, nos universos business-to-consumer (B2C) e business-to-business (B2B), com 50 entrevistas estruturadas a líderes de marketing, para analisar até que ponto a transformação agentic do marketing está realmente a ganhar escala.

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O estudo mostra que 43% dos CMOs inquiridos consideram que o investimento das suas empresas em IA aplicada ao marketing ultrapassou os 15 milhões de dólares este ano, acima dos 28% registados no ano anterior. Entre estas empresas que estão a reforçar significativamente o investimento, 41% estão a reforçar de forma significativa a aposta na orquestração integral dos fluxos de trabalho.

Mais do que ferramentas isoladas, a prioridade está agora na construção da base certa para escalar: martech – tecnologia de marketing – e dados surgem como a principal área de investimento, com um crescimento de 11 a 12 pontos percentuais face a 2025. A tendência confirma uma mudança de enfoque: da experimentação para a criação de uma infraestrutura operacional capaz de suportar automação, personalização, velocidade e medição de impacto.

Apesar da retórica em torno da transformação, a realidade é desigual. A BCG segmenta os directores de Marketing entrevistados em três grupos de maturidade. Apenas 32% podem ser considerados leaders, com utilização de agentes ao longo de múltiplos fluxos de trabalho, integração entre equipas humanas e IA, e reconfiguração do ecossistema tecnológico e de parceiros. Um segundo grupo, correspondente a 26%, está em fase de aceleração, mas ainda com lacunas relevantes ao nível da infraestrutura tecnológica e do talento. Já 42% encontram-se numa zona de risco, em que a transformação pode tornar-se mais ilusória do que real, por continuar limitada a pilotos e ao uso fragmentado.

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A transformação não se limita à eficiência interna. O estudo mostra que 90% dos CMOs acreditam que a inteligência artificial generativa já está a alterar a forma como os consumidores descobrem e avaliam marcas. À medida que assistentes, motores generativos e agentes passam a intermediar mais momentos da jornada do consumidor, a visibilidade das marcas deixa de depender apenas de notoriedade e investimento em media.

Neste novo contexto, tornam-se mais relevantes capacidades como a optimização para motores agentic (Agentic Engine Optimization, AEO) e para motores generativos (Generative Engine Optimization, GEO) bem como a capacidade de decidir onde e como interagir com o cliente em experiências mediadas por modelos de linguagem (LLMs).

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Em paralelo, o agentic commerce – comércio mediado por agentes de IA – começa a emergir como uma nova fronteira, sobretudo em sectores B2C, ao influenciar directamente a decisão de compra e a arquitectura do funil comercial. É, no entanto, uma prioridade menos consensual na Europa: apenas 13% dos CMOs europeus colocam o tema entre as três principais prioridades, contra 23% na América do Norte e 28% na Ásia-Pacífico, um sinal de que as empresas portuguesas e europeias têm ainda uma janela de oportunidade para se prepararem antes de a tendência se tornar mainstream.

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Se há uma conclusão transversal ao estudo, é que esta transformação não será resolvida apenas com tecnologia. O principal factor crítico de sucesso continua a ser o talento. Cerca de 80% dos diretores afirmam estar a investir significativamente em programas de upskilling – desenvolvimento de competências – específicos em IA, e uma percentagem semelhante está a reforçar formação em IA responsável e ética (crescimento de 10 pontos percentuais face a 2025).

Os líderes mais avançados estão também a criar novos papéis, a reorganizar equipas, a rever processos e a reduzir silos organizacionais, com estruturas mais orientadas a objectivos de negócio e segmentos de cliente do que a canais isolados. A transformação agentic do marketing está, por isso, a evoluir de um tema de adopção de ferramentas para um exercício mais profundo de redesenho organizacional.

De facto, os CMOs reconhecem riscos materiais associados à IA generativa, nomeadamente em implementação, privacidade e segurança de dados, questões legais, conformidade regulatória e protecção da marca. Ainda assim, o estudo mostra que esses riscos já não estão a bloquear a adoção. Pelo contrário: as organizações mais avançadas estão a responder com salvaguardas robustas, modelos de governo, novas práticas de supervisão e maior sofisticação tecnológica, procurando converter prudência em capacidade de escala.

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